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sábado, 24 de março de 2018

Uma alma em 840 lotes


 O Palácio do Correio Velho vai leiloar, nos dias 21, 22 e 23 de Março, a colecção do historiador José Hermano Saraiva. Outrora reunidas na sua casa de Palmela, que o próprio desenhou e enriqueceu com elementos arquitectónicos de outras épocas, as peças totalizam 840 lotes.


José Cabrita Saraiva, «Rodrigo de Sá-Nogueira Saraiva: Lá em casa as antiguidades usavam-se no dia-a-dia», Sol, 19 de Março 2018.



 Sinto que o prof. Hermano Saraiva morreu pela segunda vez. Entristeceu-me à primeira; entristece-me agora. Da primeira foi o homem, agora foi a alma.
 O mundo hoje não está para certas coisas!...


José Hermano Saraiva, [Palmela] (Autor n/i, s.d.)


José Hermano Saraiva, [Palmela], [s.d.].
Autor n/i, in Sol.

5 comentários:

  1. Tal e qual.
    Uma tristeza, de facto.

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  2. Pois é. Realmente uma tristeza. Depois lhe falo sobre algo relacionado com isto.
    Maria

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  3. É só o meu modo de ver:

    Só se morre uma vez. José Hermano Saraiva sabia isso muito bem, como qualquer um de nós.
    Desgostos podemos ter quantos quisermos.
    José Hermano Saraiva foi, para mim, um Homem que nos leccionou primorosamente sobre o passado.
    Um Homem que, pelo trabalho, se 'libertou da lei da morte'.
    Ele tinha gosto nas 'suas coisas' mas sabia que iriam para o lixo após a sua morte. Os nossos filhos e os nossos netos não 'somos nós'.
    Ainda bem que ele usufruíu do que comprou e do que fez.
    Mais um motivo do espanto em que ele sempre me fez viver.

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  4. Correctíssimo. Quase verdade, ia dizer.
    Só não digo porquanto alma e memória foram a essência do que viveu — bastaria ver os títulos que deu aos seus trabalhos: O Tempo e a Alma, A Alma e a Gente, Horizontes da Memória, Brumas da Memória...
    Uma alma empacotada em 840 lotes que rendeu 700 000 € em leilão. Tanto é o que conta, a final, para a memória!
    Não esquecendo o imposto sucessório.

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