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sábado, 24 de março de 2018

Da conversação geral sobre novidades

 Noticiário, no dizer bondoso de Júlio de Castilho, era a conversação geral sobre novidades:



« O noticiario é um signal de vida, é a Historia viva, é a chronica nacional a retalho. Não lhe peçam litteratura, nem estylo, nem exacção; peçam-lhe movimento, pittoresco, drama e comedia, tragedia e farça; isso tudo elle tem, e tudo isso dá. Conta com enthusiasmo, embora se desminta no dia seguinte; espalha boatos que se não confirmam, mas do que diz fica um sussurro vago, que é a voz da população. Essa voz, escutada pelos nossos vindoiros, ha-de ser para elles um indizivel encanto. »
Julio de CastilhoLisboa Antiga: o Bairro Alto de Lisboa, 2.ª ed., vol. I, Lisboa, Bertrand—José Bastos, 1902, p. 247.



 Hoje porém, para os publicistas que se pretendem senhores das actualidades oficiais, a conversação geral sobre novidades é fake news. Porque lhe contraria as homilias da verdade única.
 E já nem de dizer «boato» temos cá gente capaz.


Banca de jornaleiro, S. Domingos (A. Pastor, c. 1974)
Banca de jornaleiro, L. de S. Domingos, c. 1974.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

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