Uma rua de Lisboa publicada na Bibliotheca d'Arte da F.C.G. Olha-se-a e... vou lá agora descobrir onde raios será isto! Uma rua, um cruzamento, de empedrado de basalto em Lisboa; um prèdiozinho de r/c e 1.º andar de platibanda à portuguesa forrado de azulejos de padrão e friso de motivos florais como sobram alguns (poucos) nesta Lisboa também hoje irreconhecível; um r/c e 1.º andar impossível hoje.
Olhando para cá do cruzamento, portas e montras das lojas de arco rebaixado rematadas com frisos, como antigamente, à feição e gôsto das fachadas de bons prédios de rendimento dos anos 20 e 30 e antes das mutilações modernas de bancos e comércio para... para expor a sua mercadoria; duas lojas, assim em Lisboa incerta — na esquina uma sapataria; a de cá, uma drogaria.
A matrícula da furgoneta Goliath é de 1955-56. A fotografia andará pelo fim desses anos 50, não sei. Não descortino onde a scena seja. Nem na seguinte — outra rua de Mário de Novais publicada sem legenda na Bibliotheca logo a par da anterior descortino o lugar. Penso na Luciano Cordeiro até a ampliar…
E eis que aqui, o fundo desta rua ampliado, me torna reconhecível o lugar: recuo o olhar dele até ao cruzamento mais cá e claro…
O cruzamento é o mesmo da imagem acima; o prèdiozinho de r/c e 1.º é o que se nela vê após o cruzamento, mas da rua travessa: a última é da Rua José Falcão, pelo n.º 9, orientada a Poente; a primeira é da Rua Francisco Sanches n.ºs 160 e seguintes; o prédio que se lá nela vê com andaimes de madeira (coisas de antes da Contubos e da Montal) já aqui falei dele. A final foi fácil descortinar estas scenas desta Lisboa do séc. XX hoje tão desfeada mas (no caso) ainda reconhecível.
Ao contrário da que se segue, que é tirada do mesmíssimo lugar.
Uma nota final: a drogaria na primeira imagem, em cuja porta se anuncia o Omo, durou até 2007.
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Fotografias:
Rua Francisco Sanches, 160 e ss., Lisboa, c. 1956; Rua José Falcão, n.º 9 e ss., idem. M. de Novais, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G. (onde os tinhosos acorditas que a gerem no Flikr me interditaram os comentários).
Comício, Arroios, [c. 1910-11]. Alexandre Cunha, in archivo photographico da C.M.L.
Na primeira fotografia, o prédio de r/c e 1º. andar revestido a azulejos e já com 'os dias contados' ficava no cruzamento, nascente, na Rua José Falcão-Rua Francisco Sanches, zona da Praça do Chile, e nos inícios dos anos 60, do século passado, ainda o conheci. Não era lá muito bonitinho e já não se 'aguentava' com os outros prédios vizinhos, bem mais 'crescidotes', naqueles lados.
ResponderEliminarNa segunda fotografia, a Rua José Falcão, vista de nascente para poente. A Rua José Falcão começava na Rua Cavaleiro de Oliveira e acabava na Rua Alves Torgo frente à Igreja de Arroios.
Conheci bem toda essa excepcional zona de Lisboa.
Cumpts.
Valdemar Silva
Ah! Uma memória viva do que é hoje impossível em Lisboa: um r/c e 1.º andar (ainda no ano passado demoliram um em bom estilo de palacete no gaveto SE da Andrade Corvo com a Dr. Sousa Martins).
ResponderEliminarEste não era dos mais jeitosos, mas os azulejos (nomeadamente os de friso) com que o procuraram enobrecer ainda o alcatruzavam acima da modernice mais kitsch da actualidade: cubos de vidro ao melhor gosto eurocaixilho da pato-bravice dominante.
Conjecturo que haja sido dos primeiros do alargamento da José Falcão para Nascente da Almirante Reis e da Francisco Sanches para Norte, c. de 1915, a cuidar duma escritura de cedência de terrenos para o efeito arquivada na Câmara. Os grandalhões hão-de ter vindo ao depois fazer-lhe sombra, lá pelos anos 20 dentro, ou anos 30.
Mas até nisto de arquivos e memória é este prèdiozinho um patinho feio: o processo de obra que lhe diz respeito arquivado no município só consta duma entrada a dizer «demolido» e (isto é sintomático) tem n.º de obra mais moderno que o prédio que lhe sucedeu no lugar. Ou seja: não há proc.º de obra original e o que sobra é um registo avulso.
Cumpts.
A D O R E I ver o pessoal praticamente todo de chapéu!.
ResponderEliminarTambém gostei de ver as ruas desertas de automóveis ou praticamente.
Outros tempos.
É verdade. Que diferença !
ResponderEliminarCumpts.
Uma curiosidade a assinalar na primeira foto: casas com "escritos"... ! nos dias de hoje seria um catrapázio de uma imobiliária...
ResponderEliminarÉ verdade!
ResponderEliminarCumpts.