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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Da falta de assunto

 Quando não há que dizer fala-se do tempo. Fá-lo o jornalismo, fá-lo a Direcção-Geral do Piruças e, já agora, faço-o eu.


 De há dias preenchem os notíciários o vácuo que os ocupa com o frio. Estamos no Inverno e o frio no Inverno é sempre uma grande notícia. Bafejá-lo em onda média ou frequência modulada ajuda, mais que não seja, a aconchegar o tal vazio. Fosse Verão e tínhamos incêndios...


 Depois de almôço era uma reportagem por Trás-os-Montes a preguntar aos transmontanos acerca do frio. No outro dia foi na Serra da Estrela. — Parece que sim, faz frio, mas a gente entrevistada não no acha mais que ao costume; o tom do repórter é que não tolera imperativos de normalidade e vai daí insinua desdém ao dizê-lo ao ouvinte; como se a gente daquelas bandas não pudesse saber melhor do costumeiro frio de Inverno do que ele próprio, jornalista entendido no rigor da Meteorologia do Mar e da Atmosfera, como em tudo, e mais as notícias.


 Pois bem, ajudando à infantilização geral há, na rádio, também de há dias, um aviso da D.G.S. recomendando à gente (ou melhor, à população, que é como se fala nestes avisos) que proteja as extremidades, use luvas, gorro e cache-col. — Faltou lembrarem-se do cache-nez, que é chic a valer, ou mandarem fungar no lenço de assoar para não discriminar os ranhosos, coitados. — Não se esqueceram todavia foi de mandar espirrar para o cotovelo em vez de pôr a mão à frente; de feito, evita-se o contágio por passou-bem, mas sinceramente, parece recomendação para contorcionistas: espirrar na dobra interior do braço ainda sou capaz sem esfôrço; já no cotovelo, porém, é gymnastica a mais. Devem ser estes que agora assim falam, recomendam e dão avisos que me recomendavam em invernos passados que vestisse roupa às camadas. Ao bom povo basta-lhe um agasalhe-se! se for caso. E às pobres bestas, em nas havendo, agasalhá-las-á ele também se necessário. Mas esses ceboleiros cuja inteligência hiberna desde a creche debaixo de camadas de roupa de marca, não tendo mais que fazer, julgam sermos todos infantilóides assim como eles.


Efeitos do nevão junto ao mercado do 31 de Janeiro, Lisboa (F. Cunha, 1945)
Efeitos do nevão junto ao mercado do 31 de Janeiro, Lisboa, 1945.
Ferreira da Cunha, in archivo photographico da C.M.L.



 E se quere saber mais, ligue para o 800 24 24...

6 comentários:

  1. Mandarinia17/1/17 09:32

    O que eu já me ri com isto... No Verão mandam-nos beber água.
    O Piruças vai reformar-se e recomenda que vá uma mulher para o lugar dele. Enfim água no Verão, gorros no Inverno, um prodígio o Piruças.

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  2. Recomenda uma mulher? Tem bom gôsto.
    Cumpts.

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  3. Caro Bic Laranja
    Não tem direc tamente a ver com o assunto, mas como há falta de assunto... cá vai.
    Reparei há pouco que o Multibanco já adop tou a mychoordia horto graphica. Não percebi quando foi isso, mas sei que no início de 2016 ainda nos talões se escrevia «Transacção» e agora vem «Transação». É lindo, não é? A quantidade de tinta que eles poupam! São tão palermas, então não conseguem perceber que se não escrevessem ainda poupavam mais?! Mas em inglês eles não se importam de gastar tinta a escrever «transaction». Dizem-me, sem rir, que em inglês é mais fácil. Certo. «Philosophy», todos sabem, é mais fácil que «filosofia». Desconfio que quando um português lê «grande phoda» o dito fica a pensar nos cortes a árvores...
    Assim se destrói a nossa Pátria.
    Boas pedaladas.

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  4. Saíndo um pouco do assunto, deixe-me perguntar-lhe, já reparou no pandemónio em que as obras da Câmara transformaram Lisboa inteira e ainda a procissão vai no adro? Ele é obras por tudo quanto é sítio, até nos locais mais improváveis, estanto a alterar indecentemente os percursos dos transportes públicos e o trânsito-automóvel numa espécie de gincana estúpida e muito perigosa pelos desvios que são obrigados a fazer e pelas alterações do trajecto normal e ainda pelos entraves pelas centenas de blocos a sinalizar as obras em curso, algumas das quais desnecessárias e outras executadas por puro oportunismo, tendo em vista as eleições autárquicas que os socialistas querem ganhar como está bom de ver.

    Veja só este descalabro do trânsito no centro de Lisboa. Aqui há meses estando eu no Saldanha e querendo voltar a casa pelo caminho de sempre, em que demorava 15/20 minutos no máximo, sabe quanto tempo levei? Após desvios e contra-desvios, vias normais cortadas, ruas e avenidas fechadas ao trânsito e outras ridìculamente estreitadas pela alteração e/ou desenho dos respectivos passeios, curvas e contra-curvas, depois disto tudo e dos nervos provocados com tanta chatice, levei uma hora e 15 minutos!!! Será isto normal? E serão tantas e tão despropositadas obras admissíveis numa cidade como Lisboa? Em qualquer altura do ano elas já seriam inaceitáveis, mas próximo do Natal e prolongando-se por toda esta época em que o movimento de carros e pessoas triplica, prosseguindo para além dela e continuando até hoje, tornam-se absolutamente insuportáveis.

    A pergunta que se deve pôr é esta: terão os lisboetas sido porventura consultados pela Câmara Municipal para o efeito? E caso o tenham sido, o que francamente se duvida, será que os mesmos concordaram com o completo inferno em que estão transfomadas as ruas, largos e avenidas de Lisboa? Apostava um milhão em como não. Que pestes nos saíram todos estes autarcas.
    As culpas vão direitinhas para vereador Salgado e redobradas para o presidente Medina, claro está.
    Maria

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  5. Em poucos anos o aborto gráfico estourou com a ortografia do português. Quase tudo vem redigido agora, nem com, nem sem «acordo ortográfico». Mas vem sujo por ele. Uma anarquia do maior asco.
    Dsses papéis do multibanco só vejo as cifras. De seguida rasgo e deito fora.
    Cumpts.

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  6. Já cá falei delas. Despesa escusada com alindamentos supérfluos. A calçada portuguesa de caminho recebeu certidão de óbito.
    Do Me(R)dina nem merece a pena dizer mais.
    Cumpts.

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