Deu-me agora aqui para isto, uma soedade a bater; deve ser do Setembro chegado com uma canícula nunca antes vista. Ou do Verão, mesmo assim, a acabar-se... *
|
|
| Rui Veloso - A Ilha (Carlos Tê / Rui Veloso) Fiz-me ao mar com lua cheia A esse mar de ruas e cafés Com vagas de olhos a rolar Que nem me viam no convés Tão cegas no seu vogar E assim fui na monção Perdido na imensidão Deparei com uma ilha Uma pequena maravilha Meia submersa Resistindo à toada Deu-me dois dedos de conversa Já cheia de andar calada Tinha um olhar acanhado E uma blusa azul-grená Com o botão desapertado E por dentro tão ousado Um peito sem soutien Ancorámos num rochedo Sacudimos o sal e o medo Falámos de música e cinema Lia Fernando Pessoa E às vezes também fazia um poema E no cabelo vi-lhe conchas E na boca uma pérola a brilhar Despiu o olhar de defesa Pôs-me o mapa sobre a mesa Deu-me conta dessas ilhas Arquipélagos ao luar Com os areais estendidos Contra a cegueira do mar Esperando veleiros perdidos |
|
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Toada de noites mormacentas
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Tempos que já não voltam. Nem a esperança e as ilusões cheias de certezas que neles vivemos. É voltar ao lugar onde se foi feliz.
ResponderEliminarCosta
Ainda aqui eu a compor a soedade e...
ResponderEliminarTempos que não voltam, mas as sensações tornam sublimadas e difusas em toadas tão inesperadamente gravadas na mente. É não fazer nada e saborear o que as sinapses recordam.
Cumpts.
Saborear, precisamente. Isso que passou e foi nosso ninguém já nos tira (se pudessem...).
ResponderEliminarSanta noite.
Igualmente. Obrigado!
ResponderEliminar