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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Do desmazelo mais preparado de sempre

Monumento a Ant.º José de Almeida, Lisboa (G. Nunes, s.d.)
Monumento a Ant.º José de Almeida, Lisboa, [s.d.].
Garcia Nunes, in archivo photographico da C.M.L..


 Todo o empedrado da Av. António José de Almeida foi refeito há não muitos anos; até a E.M.E.L. ali meteu o bedelho ajeitando a placa central por cobrar estacionamento (uma concessão de rendas sobre o uso da via pública cuja contrapartida ainda não percebi). Cuido que duraram os pavimentos dos anos 30 mais de 70 anos sem que a necessidade de manutenção nem o desleixo municipal impusessem obras por inteiro até que um qualquer imperativo político de empreitada surgiu há meia dúzia de anos. — Ficou bonito!...
 Pois passados eles, circula-se agora por aquela serventia e mais parece que vamos na montanha russa, de tão onduladas se acharem as faixas de rolagem. A obra que refez a Ant.º José de Almeida foi tão capaz que em meia de dúzia de anos o pavimento empedrado se afundou a ponto de estar pejado de remendos de alcatrão ou pura e simplesmente às lombas; cheguei a ver lancis tombados a par do I.N.E. por lhe abater a base pela perda de solidez e afundamento da faixa de rolagem. E vi também a reparação de amador que lhe fizeram...
 De trás do I.S.T., na antiga Rua de Sinel de Cordes sucedeu o mesmo, mas em menos tempo; desde que refizeram a rua por inteiro depois de escavarem ali um novo parque de estacionamento, durou o pavimento sem se ir abaixo coisa de um ano. Não acho explicação para obras tão mal amanhadas em tempos de tanta excelência e de gèrações mais bem preparadas de sempre; salvos empreiteiros aldrabões, operários mais e mais desqualificados, mas certificados e, principalmente, desleixo do Município. — Isto não é próprio da democracia roncante nem da nova ordem mundial!... O caso, porém, é que enquanto à rodovia da Av. António José de Almeida (entre outras) faz o Município vista grossa, já no plantio de árvores pelo asfalto das avenidas (ou o seu abate nos passeios das ditas pelo imperativo maior das pistazinhas de ciclismo — tais são as prioridades impostas pelo feng xui!...) ou no arranjo païsagístico de coisas arranjadas como a Alameda de D. Afonso Henriques (vi hoje que andam lá a recompor o que composto estava), vejo um labor infrene.


 O empedrado desta rua de que falo foi assente nos anos 30. No Estado Novo a exigência e o rigor com obras públicas eram o que sabemos e, claro, as competências hoje são indiscutìvelmemte maiores (da mestria antiga nem sei que diga; se vier alguém hoje, p. ex., dizer com ar entendido o que são faixas assentes em fundações de alvenaria que garantam uma conveniente estabilidade e solidez dos leitos de estradas e passeios de modo a que não sejam influenciados pelo cilindramento do macadame, só pode ser uma coisa: know-how). Sucede que nesta rua nem isso...


 


PORTUGAL. C.M.L./Arquivo do Arco do Cego, Projecto de construção de arruamentos na quinta dos Britos, sítio do Fole e compra de propriedade a Maria Teresa de Oliveira Calheiros Viana, 1929-39, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/011.


PORTUGAL. C.M.L./Arquivo do Arco do Cego, Projecto de construção de arruamentos na quinta dos Britos, sítio do Fole e compra de propriedade a Maria Teresa de Oliveira Calheiros Viana, 1929-39, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/011.


 


(Revisto ao quarto para as dez (nove, digo) da noite.)

4 comentários:

  1. estão a espalhar vários parquímetros pela zona do Martim Moniz e zonas próximas, deve ser para pagar a mesquita

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  2. Não. A mesquita pagamos nós.
    Cumpts.

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  3. brilhante !! o feng shui é hilariante.. tenho de deixar de ler o blog enquanto trabalho!

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  4. Leia só no intervalo do cigarro.
    Obrigado!

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