Os do canal da memória tiveram-na de hoje pôr o prof. Hermano Saraiva num dos seus Horizontes da dita sobre a tomada de Ceuta. Os telejornais nem sei se o lembraram. A rapaziada do governo, se ouviu de Ceuta, há-de ter sido por algum eco de import/export que por lá passasse...
O prof. Saraiva terminou o programa evocando Camões, declamando-lhe versos salteados duma elegia escrita estando o poeta em Ceuta (*). O tema da elegia são os temores da infidelidade da amada que ficara em terras de Espanha. Separado dela pelo mar, inspira-se no alto do monte Abila contemplando o Calpe, do lado das espanhas, onde se ela quedara.
No exórdio Camões compara o seu destino infausto ao da ninfa Eco, condenada por Hera a não se fazer ouvir e poder apenas repetir as últimas sílabas dos outros; assim o poeta em Ceuta, condenado a sòmente ecoar o seu próprio ser primeiro em que teve a plenitude do amor.
Aquela que de amor descomedido
pelo fermoso moço se perdeu
que só por si de amores foi perdido,
despois que a deusa em pedra a converteu
de seu humano gesto verdadeiro,
a última voz só lhe concedeu;
assi meu mal do próprio ser primeiro
outra cousa nenhũa me consente
que este canto que escrevo derradeiro.
[…]
Da tomada de Ceuta e da glória de Portugal tivemos oficialmente hoje menos que mitologia: nem eco.
José Hermano Saraiva, Horizontes da Memória.
(R.T.P., 2002, in Lusitano27BC)
(*) Sigo M.ª de Lourdes Saraiva, Lírica III, Imprensa Nacional, 1981.
Trata-se de uma efeméride de importância mundial. Afinal de contas, marca o início da expansão europeia.
ResponderEliminarDonde me vejo, da expansão portuguesa.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado, muito obrigado.
ResponderEliminarDe nada.
ResponderEliminarObrigado eu!
Mais uma vez obrigado pela referência.
ResponderEliminarO que significa que estamos em sintonia.
Os abrileiros têm vergonha da História.
Abraço
Pois! Esta é daquelas que nem dá para acreditar...
ResponderEliminarNem governo, nem presidência, nem militares!
Foi como se nem existisse.
Compare-se isto com a comemoração oficial dos 200 anos de Waterloo pelos ingleses. E se os franceses não apreciaram, que ouvissem a versão dos ABBA.
Recuperámos a soberania?
Se não foi greve de estado, ainda mais grave.
Os abrileiros sim. Estes de agora são já um sucedâneo desavergonhado e ignorante e vice-versa.
ResponderEliminarObrigado eu do mote.
É mais grave.
ResponderEliminarCumpts.
Gostei do comentário!!!
ResponderEliminarObrigado!
ResponderEliminar:)