
Tenho visto representações anacrónicas de muitas cenas históricas, c omo nos quadros de Manuel Ferreira e Sousa dos passos da vida de Santa Joana Princesa (em cima) ou, como neste (à direita), de João Baptista Pachim, representando Santa Joana com o Menino. Nestes exemplos temos figuras notoriamente barrocas representando em cenas do séc. XV. Tenho ideia que tal sucede por simples perda da memória. Nos exemplos dados medeiam dois séculos entre as histórias e a sua representação, mas no mínimo basta uma geração emudecer para a seguinte acabar surda. Foi o que aconteceu ontem numa notícia da Rádio Renascença à 1h15 da tarde sobre a mudança do Museu dos Coches. Ao landó real chamou a locutora repetidamente landau por erradamente ler à portuguesa o étimo francês. E a pronúncia esquecida côche, ensinada pelos dicionários ainda há uma década ou duas, tornou-se já cóche, com a legitimação do erro a ser-nos servida sem justificação pelo lamentável Priberam. |
*
* *
|
 A Família Real transportando-se no landó (acompanhada por Mouzinho de Albuquerque?), Mouraria, ant. 1/2/1908. Fotografia de Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
|
(Texto revisto a 1/4 para as sete da tarde.)
Já estou por tudo: um destes dias, a tal "lucutora" dirá que Nicolau II se fazia transportar numa... "calechenikof"; a lepra espalha-se cada vez mais e, não tarda, só mesmo a fénix nos salvará desta desgraça.
ResponderEliminarQuanto ao priberam (a minúscula não é engano), estamos conversados: essas "infelizmências" colocam como palavra qualquer coisa que qualquer besta zurre, desde que seja no "jet6"; até nos convida a participar nessa bizarria; é assim a modos que dicionário "à la carte".
Cumpts
A locutora não sabe, não aprendeu e com certeza ninguém lho ensinou.
ResponderEliminar«Infelizmências» é bem apanhada. Mas não se chegue perto do «jet 6» (outra boa) que ainda acaba priberado.
Cumpts.
ResponderEliminarCumpts