Lutando contra carências de toda a ordem, lançamo-nos ao «arranque» dos T.A.P. [...]
Para começar não havia pistas, nem para DC-3, na Guiné e S. Tomé. O aeródromo de Luanda consistia numa pequena pista de macadame, com pouco mais de mil metros, e um hangar que, simultaneamente, servia de oficina de manutenção aos aviões da Divisão de Transportes Aéreos do Serviço dos Portos, Caminhos de Ferro, e Transportes, de Angola, e improvisada aerogare.
Lourenço Marques, embora dispondo de três pistas entrecruzadas, também em macadame, e de uma pequena aerogare, não oferecia condições para a operação com aviões do porte do DC-4, Skymaster.
Em Angola o apoio rádio era feito pelas estações de radiotelegrafia dos C.T.T. locais, não havia radiofaróis para o serviço aeronáutico, nem serviço meteorológico que fizesse previsões de rota ou de aeródromo.
Dada a urgência com que o governo desejava a abertura da linha, só o DC-3 estaria em condições para operar na futura linha, e, mesmo assim, nos limites que as suas extraordinárias «performances» permitiam.
Mesmo antes das viagens experimentais era patente que a linha de África iria ser explorada em condições inaceitáveis de rendibilidade, de extrema incomodidade para os futuros utentes, e que não passava de um anacronismo aeronáutico. Tudo isso reconheceu o Governo, mas entendeu que o «interesse nacional», mais uma vez, se sobrepunha aos problemas de ordem técnica.
O Serviço de Instrução e o de Operações compartilhavam uma barraca em madeira montada nos terrenos dos Aeroporto de Lisboa. Foi nesse barracão que instalámos a Sala de Navegação, de onde «saíram» os planos de voo para as viagens experimentais.
Para «arrancar» com a nossa Linha Imperial, como chamavam á nossa linha d'África, há que reconhecer que arrancávamos... com modéstia!Eduardo Alexandre Viegas Ferreira de Almeida, «Quarenta Anos de Aviação», Martins & Irmão (impressor), 1995, pp. 71-72.
Não havia nada de coisa nenhuma. Havia a fazer... tudo. Sob a batuta do homem que atrasou o País, fez-se. Particular (agora diz-se «privado», à parva) interessado em sequer começar a empreender tudo do nada, não se acharia jamais -- não compensaria a trabalheira nem o investimento. Depois de tudo pronto e a laborar livremo-nos da modéstia e despreze-se a herança. Venda-se tudo ao desbarato para pagar festanças...
Triste nação em liquidação total.
Aeroporto de Bissau, Guiné Portuguesa, 196... (S.E.I.T., nº 237535, cx. 445, env. 19).
Fotografia gentilmente cedida pelo sr. António Fernandes.
Li em qualquer lado que os homens bem-sucedidos são os que, mesmo não tendo nada, conseguem tirar o melhor partido de tudo; mais ou menos como os homens felizes que são os que não têm tudo, mas de tudo tiram partido.
ResponderEliminarEsta cáfila que nos corrói a alma, está claramente a fechar o ciclo; agora a pergunta que vale um milhão de… contos, que sou muito cioso da minha cultura e civilização: haverá ele algum Afonso Henriques ao virar da esquina ou, em alternativa mais uns quantos conjurados???
Cheira-me que nos vai acontecer o mesmo que a Camões: vamos morrer e vamos morrer com a Pátria.
Cumpts
P.S. - Ainda na mesma linha: ouvi (li?) em qualquer lado que primeiro morrem os sonhos. Acho que é verdade!
Não vislumbro ninguém. Nem já tenho ilusões.
ResponderEliminarCumpts.