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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dos piores que tudo


 A entrevista de Maria Luís Albuquerque à SIC revela dela uma inconsciência social grave ao referir-se aos seus rendimentos e padrão de vida. Não tenho dado atenção à senhora ao ponto de dela ter uma imagem da sua capacidade. Apenas noto que ou não percebeu como vive a maioria dos portugueses ou acha que se pode comparar com essa maioria.


Manuel, H Gasolim Ultramarino, 21/X/13.



 O dr. Salazar, dos da I.ª República, dizia que «uns eram piores que tudo, alguns melhores que os outros». Os que se por ventura ainda aproveitavam, ensinavam-nos, e eles lá aprendiam um módico de humildade que os levava a procurarem encavalitar-se aos ombros de gigantes para, em fim, alcançarem horizontes mais largos.
 Hoje o escol que temos é qualquer coisa que nem sei dizer o nome: encarrapita-se aos ombros de anões para conseguir ver diante os muros da universidade da moda -- de preferência com graffitti para ser parecer modernaço. A percepção da realidade vai dali aos muros do condomínio e só se desvia no caminho da cabeleireira, antes de dar nas TV.



(«Uma escolha pessoal de Passos», Sol, 5/VII/2013.)

6 comentários:

  1. É curioso.

    Por vezes dou por mim a contemplar o panorama político que se nos depara diariamente, como desde há muitos anos - desde que sou nascido, no meu caso - e sinto vontade de desesperar. Dir-se-ia que é o fim e que não há volta a dar.

    No entanto, interrogo-me como teria aparecido o panorama da primeira república a um homem como o dr. Salazar. Aparecer-lhe-ia melhor? Não creio. Talvez até aparecesse pior, pois hoje nós - os da minha geração pelo menos - temos a percepção anestesiada por uma data de coisas (ou falta delas).
    Ainda assim, esse homem era capaz de reconhecer e afirmar que havia alguns melhores que outros.

    Nada mau para um "tenebroso ditador"... É frequentemente lembrado, até (ou sobretudo) pelos que o apreciam e estimam, como o sinal de uma época passada, que não voltará jamais.

    Talvez estejamos a ver mal. Talvez haja uma lição de esperança encerrada nas palavras desse português que se conta decerto entre os primeiros da nossa pátria - e qual dentre essas sumidades, nos não deixou uma esperança que acarinhar?
    Talvez devêssemos procurar fazer mais como esse homem e abrir os olhos a tentar topar esses "melhores que os outros", enquanto esperamos resignados - esta é a parte fácil, está-nos na natureza, parece-me - que venha alguém permitir-lhes que se elevem finalmente nos ombros de gigantes, e a nós consequentemente.

    Não sei...

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  2. é tudo farinha do mesmo saco.... triste nação a nossa

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  3. É desesperante, é. Eram outros tempos. O molde dos homens naquela época acabou antes ainda de Portugal mergulhar na voragem demencial do nosso tempo. Para não morrer de desepero já me resignei a que andamos só para aqui, os últimos portugueses, como os ciganos; apátridas e pouco de fiar.
    As lições que se podiam aprender são História, que raros aprendem mas se não ensina.
    Cumpts.

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  4. E vai durar por muitos anos ainda,enquanto não meterem a religião no caixote do lixo!!

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  5. Bic Laranja27/10/13 09:56

    E mais essa, sim.
    Cumpts.

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