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domingo, 28 de abril de 2013

Do ruído e do pensamento

 Abril é sempre pasto do maior ruido. A somar ao zunir doutrinador da gente habitual nos jornais, rádio e TV, em Abril os trombeteiros arengam à cidade e ao orbe o sublime catecismo da Liberdade e das liberdades. Arengam mas não explicam.
 Ou melhor, explicam... com o Salazar...
 Com Salazar, pois bem, noto que a História tem uma ironia tramada.



 « Problema nevrálgico não só para as democracias mas para o Mundo civilizado é o respeitante à amplitude e garantias das chamadas liberdades, e à roda dele se tem complicado a questão das formas de governo. Talvez a situação se esclarecesse se pudéssemos entender-nos acerca deste ponto: em que medida dependem as liberdades públicas da forma de organização do Poder? Em que medida ou grau são aquelas liberdades efectivas segundo o regime político ou têm de ser sacrificadas ao interesse comum? Deve notar-se que, repetindo-se quase os diversos textos constitucionais, o uso e garantia das liberdades públicas são mais fruto das leis ordinárias e dos regulamentos que das Constituições, e a execução das leis é mais fruto dos hábitos sociais e da educação dos povos que da vontade dos legislador.»


Oliveira Salazar, in pref. da 4. ed. dos Discursos (vol. I, 5.ª ed., Coimbra, 1961, p.  XXXVII).



 Calassem as trombetas e escutassem livremente o pensamento calado e talvez aprendessem.


Dr. Salazar, Terreiro do Paço (H. Novais, 194...)
Salazar (28/4/1889 - 27/7/1970), Terreiro do Paço, 194...
Estúdio de Horácio de Novais, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.

6 comentários:

  1. Porventura alguma vez os bandoleiros deste regime conseguiram reunir os milhões de portugueses que aparecem na foto, nas suas manifestações e comícios, mesmo se os que neles/as pontificam sejam militantes que, por motivos inescapáveis, se sentem na obrigação de o fazer? É que nem pensar. E não, não eram 'arrastados à força' para esta (e muitas outras) manifestação de apoio ao Estadista. Poderão ter havido alguns, poucos, a viajar a convite das autarquias e se não apreciassem o Presidente do Conselho poderíam sempre recusá-lo, mas nem por sombras a enorme maioria que aqui se observa. Os portugueses estavam imensamente agradecidos a Salazar pelas muitas coisas boas que lhes tinham acontecido como povo, desde a sua subida ao poder. Isto foi-me confirmado pelos meus pais, pessoas comprovadamente insuspeitas relativamente ao Estadista.
    Maria

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  2. Inspector Jaap4/5/13 23:00

    Está bem de ver que esta fauna tem um ódio de estimação a Salazar, que só é equiparável à sua (deles) ignorância em relação à sua (deste) obra, como de resto em relação a quase tudo; a prová-lo está o estado a que chegou o estado que temos; e o pior é que fomos e continuamos a ser arrastados por estas alimárias.
    Espera-se, pois, um milagre, pois de outro modo, não vejo jeitos… Ocasionalmente ouço na rua «à boca pequena»:
    - Eram precisos dois Salazares para endireitar isto!
    Nada mais falso; um bastaria, de novo, mas aí estaria o milagre!
    Cumpts

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  3. Inspector Jaap4/5/13 23:09

    Só mais uma nota:
    Estes rapazolas são tão bons no que fazem, que se perfila no horizonte a curto prazo, a situação em que seremos todos tão livres que nem poderemos escolher a fome que vamos passar, fome física entenda-se, já que com a do espírito já lá estamos. Viva, pois a liberdade de abril (a(s) minúscula(s) não foi(ram) engano.
    Cumpts

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  4. Pois é. E temos aquele caso recente dos velhinhos que Costa trouxe da província ao hotel Alfa, ou Altis, convencidos de que iam a Fátima.
    Cumpts.

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  5. Parece antes um reflexo pavloviano. O ódio brota dos que o invejam. Dos que que querem ser chefes.
    Cumpts.

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  6. Parafraseando-os num chavão que muito palram: livram-nos da ditadura mas não nos livram da fome. Alimentemos-nos de liberdade.
    Cumpts.

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