Abril é sempre pasto do maior ruido. A somar ao zunir doutrinador da gente habitual nos jornais, rádio e TV, em Abril os trombeteiros arengam à cidade e ao orbe o sublime catecismo da Liberdade e das liberdades. Arengam mas não explicam.
Ou melhor, explicam... com o Salazar...
Com Salazar, pois bem, noto que a História tem uma ironia tramada.
« Problema nevrálgico não só para as democracias mas para o Mundo civilizado é o respeitante à amplitude e garantias das chamadas liberdades, e à roda dele se tem complicado a questão das formas de governo. Talvez a situação se esclarecesse se pudéssemos entender-nos acerca deste ponto: em que medida dependem as liberdades públicas da forma de organização do Poder? Em que medida ou grau são aquelas liberdades efectivas segundo o regime político ou têm de ser sacrificadas ao interesse comum? Deve notar-se que, repetindo-se quase os diversos textos constitucionais, o uso e garantia das liberdades públicas são mais fruto das leis ordinárias e dos regulamentos que das Constituições, e a execução das leis é mais fruto dos hábitos sociais e da educação dos povos que da vontade dos legislador.»
Oliveira Salazar, in pref. da 4. ed. dos Discursos (vol. I, 5.ª ed., Coimbra, 1961, p. XXXVII).
Calassem as trombetas e escutassem livremente o pensamento calado e talvez aprendessem.
Salazar (28/4/1889 - 27/7/1970), Terreiro do Paço, 194...
Estúdio de Horácio de Novais, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.
Porventura alguma vez os bandoleiros deste regime conseguiram reunir os milhões de portugueses que aparecem na foto, nas suas manifestações e comícios, mesmo se os que neles/as pontificam sejam militantes que, por motivos inescapáveis, se sentem na obrigação de o fazer? É que nem pensar. E não, não eram 'arrastados à força' para esta (e muitas outras) manifestação de apoio ao Estadista. Poderão ter havido alguns, poucos, a viajar a convite das autarquias e se não apreciassem o Presidente do Conselho poderíam sempre recusá-lo, mas nem por sombras a enorme maioria que aqui se observa. Os portugueses estavam imensamente agradecidos a Salazar pelas muitas coisas boas que lhes tinham acontecido como povo, desde a sua subida ao poder. Isto foi-me confirmado pelos meus pais, pessoas comprovadamente insuspeitas relativamente ao Estadista.
ResponderEliminarMaria
Está bem de ver que esta fauna tem um ódio de estimação a Salazar, que só é equiparável à sua (deles) ignorância em relação à sua (deste) obra, como de resto em relação a quase tudo; a prová-lo está o estado a que chegou o estado que temos; e o pior é que fomos e continuamos a ser arrastados por estas alimárias.
ResponderEliminarEspera-se, pois, um milagre, pois de outro modo, não vejo jeitos… Ocasionalmente ouço na rua «à boca pequena»:
- Eram precisos dois Salazares para endireitar isto!
Nada mais falso; um bastaria, de novo, mas aí estaria o milagre!
Cumpts
Só mais uma nota:
ResponderEliminarEstes rapazolas são tão bons no que fazem, que se perfila no horizonte a curto prazo, a situação em que seremos todos tão livres que nem poderemos escolher a fome que vamos passar, fome física entenda-se, já que com a do espírito já lá estamos. Viva, pois a liberdade de abril (a(s) minúscula(s) não foi(ram) engano.
Cumpts
Pois é. E temos aquele caso recente dos velhinhos que Costa trouxe da província ao hotel Alfa, ou Altis, convencidos de que iam a Fátima.
ResponderEliminarCumpts.
Parece antes um reflexo pavloviano. O ódio brota dos que o invejam. Dos que que querem ser chefes.
ResponderEliminarCumpts.
Parafraseando-os num chavão que muito palram: livram-nos da ditadura mas não nos livram da fome. Alimentemos-nos de liberdade.
ResponderEliminarCumpts.