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sábado, 27 de abril de 2013

Há 85 anos


Salazar discursando na tomada de posse na sala do Conselho de Estado, 27/IV/1928 (



CONDIÇÕES DA REFORMA
FINANCEIRA
1


   Sr. Presidente do Ministério2: — Duas palavras apenas, neste momento que V. Ex.ª, os meus ilustres colegas e tantas pessoas amigas quiseram tornar excepcionalmente solene.
   Agradeço a V. Ex.ª o convite que me fez para sobraçar a pasta das Finanças, firmado no voto unânime do Conselho de Ministros, e as palavras amáveis que me dirigiu. Não tem que agradecer-me ter aceitado o encargo, porque representa para mim tão grande sacrifício que por favor ou amabilidade o não faria a ninguém. Faço-o ao meu País como dever de consciência, friamente, serenamente cumprido.
   Não tomaria, apesar de tudo, sobre mim esta pesada tarefa, se não tivesse a certeza de que ao menos poderia ser útil a minha acção, e de que estavam asseguradas as condições dum trabalho eficiente. V. Ex.ª dá aqui testemunho de que o Conselho de Ministros teve perfeita unanimidade de vistas a este respeito e assentou numa forma de íntima colaboração com o Ministério das Finanças, sacrificando mesmo nalguns casos outros problemas à resolução do problema financeiro, dominante no actual momento. Esse método de trabalho reduziu-se aos quatro pontos seguintes:



  1. Que cada Ministério se compromete a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças;

  2. Que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;

  3. Que o Ministério das Finanças pode opor o seu veto a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis;

  4. Que o Ministério das Finanças se compromete a colaborar com os diferentes Ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes.


   Estes princípios rígidos, que vão orientar o trabalho comum, mostram a vontade decidida de regularizar por uma vez a nossa vida financeira e com ela a vida económica nacional.
  Debalde porém se esperaria que milagrosamente, por efeito de varinha mágica, mudassem as circunstâncias da vida portuguesa. Pouco mesmo se conseguiria se o País não estivesse disposto a todos os sacrifícios necessários e a acompanhar-me com confiança na minha inteligência e na minha honestidade – confiança absoluta mas serena, calma, sem entusiasmos exagerados nem desânimos depressivos. Eu o elucidarei sobre o caminho que penso trilhar, sobre os motivos e a significação de tudo que não seja claro de si próprio; ele terá sempre ao seu dispor todos os elementos necessários ao juízo da situação.
   Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar.
  A acção do Ministério das Finanças será nestes primeiros tempos quase exclusivamente administrativa, não devendo prestar larga colaboração ao Diário do Governo. Não se julgue porém que estar calado é o mesmo que estar inactivo.
   Agradeço a todas as pessoas que quiseram ter a gentileza de assistir à minha posse a sua amabilidade. Asseguro-lhes que não tiro desse acto vaidade ou glória, mas aprecio a simpatia com que me acompanham e tomo-a como um incentivo mais para a obra que se vai iniciar.


 




   1 Na sala do Conselho de Estado, em 27 de Abril de 1928, no acto da posse do Ministro das Finanças, segundo as notas do jornal Novidades.
   2 General Vicente de Freitas.

(Oliveira Salazar, Discursos. Volume Primeiro: 1928 -- 1934, 5.ª ed., Coimbra Editora, [imp. 1961], pp. 3-6.)


11 comentários:

  1. Na véspera do seu 39º aniversário.

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  2. Bic Laranja28/4/13 20:02

    Sim.
    A proximidade destas datas não parece todavia tê-lo salvo de confundir a data da tomada de posse, como confessou no prefácio da 1.ª ed. dos «Discursos» em 1935:

    Calhando dava pouca importância ao próprio aniversário.
    Cumpts.

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  3. Exactamente! Grandes discursos, foram todos os que proferiu.
    Maria

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  4. Morreu 40 anos depois sem chegar ao fim. Deixou outros a acabar o que começou. Para quem sabia o caminho não está mal.
    Para isso prendeu espancou e assassinou opositores, proibiu que falassem contra ele, convenceu-se que detinha a verdade e logo o poder de calar os outros.
    Não conseguiu desenredar uma guerra e conseguiu que um país que não participou na guerra fosse o mais pobre e miserável da Europa Ocidental.

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  5. mujahedin29/4/13 15:31

    Diga lá o nome de quem foi que ele espancou e assassinou, a ver se é capaz.


    Presos todos sabemos que muitos foram.
    Pela amostra que hoje tenho, a maioria deveria lá ter ficado.

    Não sei se estava convencido de que detinha a verdade, mas cá eu estou (que ele a detinha). E não é preciso ser muito inteligente para chegar a essa conclusão. Basta não ter palas por olhos, nem calhau por cabeça.

    Se se não conseguiu desenredar de uma guerra, também foi uma em que se não enredou, antes o enredaram a ele e a nós todos.

    Quanto a conseguir que um país que não participasse na guerra (refere-se, provavelmente,à segunda mundial) fosse o mais pobre miserável da Europa Ocidental, creio que lhe atribui mais do que o justo quinhão: o dr. Salazar conseguiu um país que não participasse na guerra, de facto - e isso apenas, é (devia ser) digno da maior consideração e respeito por quem se der ao trabalho de procurar conhecer um pouco dos horrores e tragédias que sucederam aos infelizes que não souberam ou não puderam fazer o mesmo. Outros antes dele não no conseguiram fazer e centos de milhares de vidas portuguesas se perderam lá longe, onde não havia nada que interessasse, devido a essa inabilidade.
    Quanto ao país mais pobre e miserável da Europa Ocidental, isso, não foi o dr. Salazar que o conseguiu. Isso é proeza de maior antiguidade, à qual não são alheios os mesmos incapazes responsáveis pelo cento de milhar de vidas acima referidas.
    Recebeu-o assim e deixou-o a crescer acima da média dessa Europa. Deixo-o dotado de pontes, estradas, portos, estaleiros, siderurgias, aeroportos, com um orçamento que permitia manter tudo isto, sustentar a defesa nacional e fomentar a actividade económica.

    De facto, para quem sabia o caminho, não está mal. Está pelo menos melhor que qualquer outro em muitas centenas de anos.

    Ah! E nunca ficou - nem os portugueses sob ele - a dever nada a ninguém! O mesmo, escusado será dizê-lo, afirmar dos que "em libardade" lhe sucederam.




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  6. mujahedin29/4/13 15:34

    Correcção:

    O mesmo, escusado será dizê-lo, se não pode afirmar dos que "em libardade" lhe sucederam.

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  7. Agradeço-lhe a generosidade de responder ao comentário, tanto mais penhorado porque a eu não teria com quem por cá passa com palas nos olhos e um calhau por cabeça.
    Obrigado!
    :)

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  8. Subscrevo palavra por palavra tudo quanto o comentador Mujahedin escreveu sobre o Dr. Salazar.
    O meu pai foi um republicano dos pés à cabeça até ao dia que faleceu. Infelizmente não viveu o suficiente para ver a bandalheira em que se transformou o país graças à 'democracia' e aos escroques que a personificam às mil maravilhas.
    Não sendo apologista do Estado Novo, o meu pai nunca disse uma palavra menos agradável a respeito do Dr. Salazar. Já adulta, por vezes interrogava-me sobre o porquê dele nunca ter criticado verdadeiramente o regime nem o seu mentor. Hoje sei o motivo. O meu
    pai mantinha frequentes conversas sobre política com amigos republicanos. Também o fazia amiúde com o seu ortopedista, Prof. Vasconcelos Marques, que por simples coincidência um dos médicos particulares do Presidente do Conselho. Dessas trocas de impressões resultaram os elogios que uma ou outra vez tecia a respeito do Dr. Salazar.

    Que Salazar mandava matar oposicionistas? Uma rotunda mentira. Quem o fez desde o dia 25/4 e não foram poucos os infelizes mortos à traição, foram os grandes democratas a todos quantos se opunham abertamente à política marxista que eles quiseram - e continuam a querer - instaurar no país.
    Que Salazar mandava calar quem criticasse o regime? Novamente mentira. Quem desejasse podia fazê-lo à vontade, o que estava terminantemente proibido era conspirar ou atentar contra a Pátria. E ainda bem. Foi exactamente o que fizeram os marxistas e socialistas assim que alcançaram o poder. Carradas de razão tinha o Dr. Salazar em lhes barrar a entrada no país durante décadas. Veja-se no que deu assim que tal lhes foi permitido.
    Que não havia liberdade no Estado Novo? Havia, sim senhor. O que não havia era libertinagem (nem droga, nem redes de pedofilia, nem tráfico de mulheres, crianças e orgãos, nem mega-corrupção da classe política, nem assaltos aos cofres do Estado pelos próprios governantes), o que é uma coisa totalmente diferente. Sendo esta a imagem degradante que ficará colada como grude ao presente regime e aos seus dirigentes, para todo o sempre.

    O Dr. Salazar podia ter alguns defeitos e tê-los-ia de certeza. Mas possuía três qualidades supremas que suplantavam e anulavam todos aqueles. Era um político íntegro, um Patriota avant-la-lettre e um Governante superiormente inteligente, qualidades que, conjuntamente com mais algumas, lhe permitiam conhecer perfeitamente o povo (do qual ele provinha e também por isso) e governar para bem deste e do país. Eis as principais qualidades que
    fazem um Estadista. E o Dr. Salazar foi-o sem sombra de dúvida. É por estas e por outras que os abutres que nos despedaçaram o país, continuam a dedicar-lhe um ódio de estimação tantos anos após o seu desaparecimento. Ódio este, sinónimo de inveja e ciúme (aquela, pela sua patriótica governação e este, porque o povo jamais o esquecerá) que os traidores nunca conseguirão ultrapassar por mais anos que vivam.
    Maria

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  9. mujahedin30/4/13 11:53

    Cara Maria,

    sabe, eu não vi nada disso.

    Não vivi o suficiente para conhecer outra coisa que não fosse a bandalheira. Quando nasci, já o FMI cá tinha vindo duas vezes em democracia. Oferece-se-me agora a oportunidade de testemunhar a terceira.
    Não sendo republicano - nunca fui nem deixei de ser - também não sou saudosista: penso que até para um português, lhe é difícil ter saudades do que nunca teve, viu ou sentiu. Também não sou fascista - nunca conheci nenhum, nem nisso fui doutrinado.
    Não sou rico, nem rico nasci. E apesar do sacrifício que fizeram meus pais para me prover com o necessário para que pudesse ganhar a vida - o que faço confortavelmente; tive, não obstante, que abandonar o país que me viu nascer e apartar-me dos que amo e estimo. Não sou, portanto, nem aristocrata nem burguês nem capitalista, nem o são meus pais, nem o eram meus avós.

    Enfim, o que afirmo, afirmo-o partindo do que observo hoje em dia e da contraposição que faço dessas observações com os registos e elementos históricos que vou conhecendo, lendo e compreendendo. Limito-me a objectivamente extrair dessas comparações as conclusões que me parecem correctas e avisadas.
    E as conclusões são por demais evidentes: do que se diz sobre esse regime e, sobretudo, sobre os que à cabeça lhe estavam e assim guiavam o país é em uma medida, ignorância papagueada; e em outra, calúnia infamante.
    Por mais defeitos que tivessem - e que ínfimos parecem! comparados com os que quase caricaturalmente exibe quem, para nossa desgraça, hoje nos desgoverna - as suas obras são mais que suficientes para lhos eclipsarem, e para lhes fornecer (aos defeitos) a discreta irrelevância. Já das qualidades, há uma que brilha mais que todas as outras e que se não encontra no teatro de revista que é a hodierna política nacional: a honestidade. Tanta falta nos faz, e tão raro é hoje esse singular atributo do carácter na vida pública, que é suficiente a sua posse para tornar o proprietário digno do maior respeito e consideração.

    Assim sendo, não sou fascista, nem saudosista, nem bolorento, nem burguês, nem capitalista, nem republicano. Sou apenas português. E como tal, não deixarei sem resposta os que, seja por que motivo fôr, vilipendiem aqueles a quem devo a réstia de dignidade ainda tenuamente associada a esse atributo de nacionalidade!

    Não sei qual das desgraças a maior: se ver um país que progride e se desenvolve, devagar mas seguramente, mergulhar na desordem e na miséria moral e económica; se nesse estado de coisas nascer e nunca outra coisa ter conhecido por realidade...

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  10. Esta é a terceira vez que tento enviar um comentário em resposta ao seu comentário, mas por qualquer motivo têm-me fugido.

    Que excelente pedaço de prosa. Muitos parabéns.
    Tem graça, os seus sensatos e coerentes comentários (e justíssimos, ademais) relativos ao Estado Novo e ao seu Governante máximo, que não perco, faziam-me crer ser uma pessoa pelo menos já chegada à idade adulta no fim do Estado Novo. Mas vejo que não. Este facto só o enobrece por ser um português bem criado (isto é, bem educado pelos seus próximos) e sobretudo traduz as qualidades que identificam um verdadeiro patriota.

    Mas voltarei ao assunto assim que o tema o justifique. Tenho alguma matéria que posso aqui descrever, em que é completamente impossível não elogiar o Estado Novo e não desacreditar em absoluto este regime de bandoleiros que somos infelizmente obrigados a suportar.
    Maria

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  11. Inspector Jaap4/5/13 22:50

    Caro mujahedin , parabéns pelo oportuno comentário; de facto, por vezes, e sem tirar a razão ao Bic, é preciso pôr «os pontos nos is» e explicar a esses pobres coitados e indigentes que o pior cego é o que não quer ver; de resto, repare que, até no «nome», o indivíduo não se desmerece:
    «Pobre como Job», não é assim? Este é tão pobre, tão pobre que até perdeu o b.
    Cumpts

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