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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Dignitários da nossa cultura

Canavilhas A sr.ª deputada Canavilhas, açoriana de Angola, vem citada no título da notícia da audiência dada pela comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura aos representates da I.L.C. contra o «acordo ortográfico». -- «O futuro faz-se hoje» -- disse. Havia dias que, na constituição deste grupo de trabalho para apreciar o caos provocado pelo «acordo», trauteara ela uma cassete doutrinária -- «o conteúdo científico [?!] e académico [do desconchavo ortográfico] foi sancionado polìticamente». -- Cantigas de quem não está sequer para se maçar a pensar! -- Não sei o contexto agora da nova tirada mas, «o futuro faz-se hoje» é o vazio a falar. É como falar do tempo. O povo, que não é soberbo e sabe exprimir-se muito mais chãmente, diz melhor: -- «o futuro a Deus pertence». O presente é que não passa deste vazio de asneiras pseudo-profundas.
 O garfólogo que sobraçou a pasta da cultura nacional a seguir à dr.ª em música fica mais aquém no subproduto intelectual. Reage, porém, muito prosaicamente quando lhe vão à manjedoura:Viegas



« Pretendem os burocratas de Bruxelas que o bacalhau comercializado nos países da União Europeia fique sujeito a tratamento com polifosfatos que podem alterar o sabor, a textura e a qualidade [...] Uma coisa é sermos europeus, outra é estarmos dispostos a que nos mexam no prato e nos alterem a ementa. Não estou a brincar; é um caso sério de identidade nacional.»
(Francisco Viegas, «Bacalhau de Bruxelas», in Origem das Espécies, 30/I/13).



 Ficamos cientes de que um caso sério de identidade nacional é o que lhe percorra o tubo digestivo fazendo-o arrotar assim. Na obtusidade córnea da criatura o idioma confundir-se-á muito provàvelmente com feijoada à brasileira.

(Imagens da rede da Internete.)

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