« Entre os rapazes meus conhecidos da provincia, o meu inseparavel companheiro dos passeios a Carreiros era um mancebo de trinta annos, que tem hoje os seus sessenta e um, e está litteralmente escangalhado, como eu que o digo. Então era elle esbelto, e galhardo, amigo de mulheres novas e vinho velho, como Byron, que elle vira no theatro de S. Carlos em 1813, e affirmava que bebeu com elle uma garrafa de aguardente de canna no Nicóla, botiquineiro do Rocio. Parece-me pêta, porque Byron, se emborcasse uma botelha de aguardente em Portugal, não nos chamava barbaros. Paiz onde um inglez se embebedar, será sempre um paiz civilisado.»
Camillo Castello Branco, Scenas da Foz, 2.ª ed., Porto, Cruz Coutinho, 1860, p. 13.
Cork Convent, arredores de Cintra (c. 1840).
Desenhado por C. Stanfield, a partir dum esquisso do Cap. Elliot. Gravação de E. Finden.
(Imagem do Blogo da Rua Nove.)
Um livro excelente. Um dos que mais gosto de Camilo, escrito com sabor a novela teatral que nos leva a alguns tiques ainda presentes na nossa sociedade involuída.
ResponderEliminarCamillo sempre captou muito bem esses tiques. Lia a sociedade como nenhum sociólogo. Lia os seus actores como nenhum psicólogo. E escreveu magistrais relatórios que não figuram hoje em nenhum currículo escolar. A involução em todo seu esplendor, hem!
ResponderEliminarCumpts.
Se não temos Byron a beber e bem no Nicola, local que eu recomendo em termos de beber uma bica decente em Lisboa; basta então haver algum duelo entre um clube pseudo-português de Lisboa e um clube do norte da Europa para ver todos a beber na baixa, Nicola incluído então os ingleses vão sempre bem bebidos e seguindo este pensamento, é o futebol que nos anda a civilizar (pelo menos em parte) porque local onde os ingleses bebem é lugar civilizado
ResponderEliminarBrilhante reflexão.
ResponderEliminarCumpts.