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domingo, 19 de agosto de 2012

O ar da minha terra no virar do séc. XX

 Uma imagem meia desconcertante do Chão da Feira. Há como que um certo rústico na scena: o ermo do lugar, o arvoredo esparso na parada do Castelo (e o horizonte até lá), a muralha descascada, a terra batida, as casas além do arco. Nem o gailoeiro à esquerda mai-la silhueta do lampião contradizem esta atmosphera. Bem pelo contrário...

Chão da Feira, Lisboa (Bárcia, c. 1900)
Chão da Feira, Lisboa, c. 1900.
José Arthur Leitão Bárcia, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

(Verbete revisto às 4h00 da tarde.)

9 comentários:

  1. Diga-me s.f.f., o que é um "gailoeiro" e onde é que ele se encontra na foto? Estou farta de observar o lado esquerdo desta e não vejo nada nem ninguém que se pareça com tal coisa:) Será que quis escrever "gaioleiro"? Certamente que não. Mas se de facto foi um lapso, então qual dos indivíduos o é e onde estão as gaiolas?... Quanto ao lampião, sim, distingue-se logo à primeira:)
    Maria

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  2. Lapsus calami. É mesmo gaioleiro. Gaioleiros foi como foram designados os prédios de alvenaria e tabique que se fizeram de 1880 a 1930, grosso modo, quando se passou a usar o betão armado na construção civil. Por tanto, gaioleiro é o prédio que esta de frente para nós, à esquerda, por onde se desce o Chão da Feira.
    Peço desculpa do erro.
    Cumpts.

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  3. Assim está bem. E não tem nada que pedir desculpa. Eu própria cometo muito mais erros/lapsos e estou aqui:)

    Mas e os alicerces dos prédios pombalinos não obtiveram a mesma designação justamente pelo acto da sua estrutura lembrar uma espécie de gaiola? Parece-me bem que sim.
    Maria

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  4. "... pelo facto..." e não 'pelo acto', naturalmente.
    Maria

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  5. É da gaiola pombalina que deriva o nome, com certeza. Mas os gaioleiros marcam uma época de degradação das estruturas e materiais de construção vindos do tempo pombalino. Muitos eram tão mal amanhados que ruíam na fase de construção ou com uma chuvada.
    Cumpts.

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  6. Boa noite
    Tenho uma questão que já me intriga à algum tempo, e talvez possam ajudar-me.
    O meu 4º avô vivia, em 1854, no largo do chão da feira, nº2, 2º andar. Ora, já tendo andado a passear pelo local, reparei que as casas/prédios da rua actual só têm números ímpares, e onde deveriam estar os números pares está a muralha que se vê na fotografia e se prolonga até ao final dessa rua.
    Será que as "casas pares" foram demolidas?

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  7. É provável que houvesse casas encostadas ao muro, sim. Os antigos faziam muito isso poupando na alvenaria. Praticamente toda a cerca moura e a Fernandina que resta jazem assim, de tardoz.
    A ver se lhe descubro algo mais...
    Cumpts.

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  8. Agradeço-lhe.
    Eu ainda pensei que pudessem ter sido demolidas durante as grandes obras do castelo nos anos 30-40 (?). Mas essa e outras fotos do mesmo arquivo mostram que já não existiriam casas nesse local no príncipio do séc. XX.
    A verdade é que não sei se alguma vez existiram casas aí encostadas, e quando lá estive, perguntei a alguns lojistas, e nenhum me soube esclarecer onde estão os números ímpares... E esta, ein?
    (talvez o carteiro me pudesse ajudar :) )

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  9. Dessa não sabia eu. Fui ver a ligação e achei o acontecimento inacreditável!! Deduzo que essa catástrofe nas construções terminou com a governação (em simultâneo com as orientações rigorosas e inteligentes aos respectivos ministros) do Dr. Salazar! Mais um ponto a favor deste grande Estadista. Se mais não fora e há muito mais, basta recordarmos a magnífica Exposição do Mundo Português exactamente em 1940 e a sólida estrutura dos pavilhões montados (e eram temporários, note-se!), todos eles deslumbrando os visitantes nacionais e estrangeiros pela beleza das linhas e imponência das estruturas.
    Isto sabe-se pelas notícias dos jornais da época e por quem teve a felicidade de a visitar, como os meus pais e avós a tiveram.

    Acredito que a partir do início dos anos quarenta as construções, sem excepção, se tornaram sólidas e confiáveis. Digo isto porque algumas pessoas da minha família moraram em edifícios dessa época os quais, com manutenção obrigatória a cada 7 anos, perduram até hoje em perfeitas condições de habitabilidade, tanto estruturalmente como nos materiais nobres aplicados no seu interior - nas escadarias e pisos. E havia terraços e/ou quintais nas traseiras de todos os edifícios para as crianças brincarem, o que se esfumou novamente com a 'democracia'. Já para não falar nos jardins públicos, muitos e sempre bem cuidados. O contrário de hoje.

    Pelo contrário, os materiais da maioria dos prédios dos anos dez, vinte e trinta são realmente bastante toscos e as fachadas muito simplórias e feiínhas. Visitei alguns deles, já reabilitados e postos à venda, vai para uns dez anos e reparei nisto mesmo. Creio serem estes os sucedâneos dos tais gaioleiros que ruíam, embora melhor construídos uma vez que muitos deles perduraram até hoje...

    Obs.: Esses "mal amanhados que ruíam" fazem lembrar os muitos que foram sendo construídos pós-Abrilada, incluíndo alguma que outra ponte e não me refiro só à de Entre-os-Rios, mas também, que por criminoso desmazelo das autarquias e escandaloso desinteresse do Ministério que as tutela, foram ruíndo, tanto muitos daqueles como várias destas, por completa ausência de fiscalização e manutenção adequadas. Como se vê, infelizmente a História até nestes casos tende a repetir-se.
    Maria

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