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sábado, 31 de dezembro de 2011

Fim d' anno (em medida desusada)

O quartilho era a quarta parte da canada; a canada (do b.-lat. cannata, de canna, cântaro) valia 1l,4.
O quartão era a quarta parte do almude.



O almude são 12 canadas.


Balanço do anno (em medida usada semi-nova)


Tinha um carro que se já não fazia, comprei um automóvel que se já não faz...
 




Não foi destes.




Fotografia do Interior de Taberna (Peter Van Laer, 1644, in M.N.A.A.), estúdio de Mário de Novais publicada pela Biblioteca de Arte da F.C.G.; brochura do Bentley 4l 1/2 de 1946 do sr. Howard Nourse dos Estados Unidos, in Brochuras de Carros grátis.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

T.D.T. (*)


Benny Goodman & Peggy Lee, Why Don't You Do Right



(*) Bits e bytes por cabo telefónico.

O maçon

Magalhães de Lima/Sociedade secreta


 


Vinha o maçon e logo atrás o meu bom amigo S., que parou para me cumprimentar animadamente.
— Bom dia! Tu estás bom?
— Olá! — E logo lhe segredei: — Vieste com o maçon?...
Resposta ainda mais em segredo:
— Aquele pertence a uma sociedade secreta. Toda a gente cá na empresa sabe que ele é maçon.


 


(Gravura do Magalhães de Lima montada a partir daí...)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Do contraditório

Mário Crespo (in «Cantigueiro»)

 Ontem o jornalista Crespo chamou o gajo do sindicato dos maquinistas para lhe intempestivamente atalhar os argumentos.
 Diz que hoje convida o Senhor Presidente do Conselho de Administração da C.P. – para lhe brandamente ouvir suas razões. 


 


(Imagem daí...)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Frouxel

 «D. Helena da Penha ergueu-se do seu frouxel de junco e relva, dizendo: — Vamos dar um passeio na ponte.» (Camillo Castello Branco, «Gracejos que matam», in Novellas do Minho, v. I, 2.ª ed., Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1903, p. 20.)
 Camilo não precisava de edredons para aconchegar o português. Nem D.ª Helena da Penha ou qualquer das suas figuras. A bem dizer nenhum português ganha com edredons em lugar de froixéis. — Seria como um mendigo melhorar de estado por ser «sem abrigo» (do bárbaro homeless).
 — Melhora?...
 Há uma diferença agora: os peralvilhos camilianos faziam deliberadamente tábua rasa ao português por vaidade atoleimada — queriam ser parisienses mesmo quando nem chegavam ao Chiado; as serigaitas e os casquilhos hodiernos (conceda-me o benévolo leitor aqui uma variação ao modismo esquerdóide d'«as portuguesas e os portugueses») nem para armar aos cucos sabem — optar pelo que vem de fora não é já opção, é necedade por óbvia necessidade de lhes nem nada disto ser ensinado; mas podiam ler o Camilo e aprender... Aprendem ao invés a crocitar «o que é nacional é bom» quando não há nada nacional que lhes penetre o bestunto. Nem para aportuguesar um título em voga.


 


Lançamento da revista «Voga» em Portugal, Lisboa, 1928 (Biblioteca de Arte da F.C.G.)Lançamento da revista Voga em Portugal, Lisboa, 1928.
Estúdio de Mário de Novaes, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

(Algo revisto às dez para as três da tarde.)  

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal

fotografia.JPG
Natal
Andrea dela Robbia,1479
Terracota, 240 x 180 cm
(Igreja Maior, La Verna)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Para o sapatinho...

... Do Exm.º sr. Presidente e Ilustríssimos Vereadores da C.M.L..


 
Natal, Arroios - (c) 2011
Arroios, Lisboa
(c) 2011

(Lamenta-se que o postal não tenha cheiro.)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Há (ah!) grandes vidas!

 Visitou-me um bom amigo, velho patriota, a desejar um bom Natal. Procurou-me se já assignara eu a petição que a Sociedade Historica poz a correr contra abolirem o 1.º de dezembro. Assignei-a de immediato e empenhadamente, mas confesso um desalento: eu sou português (ainda hão de sobrar aí uns quantos) mas as bestas que tomaram Portugal de assalto são doutra raça e obedecem a domno que não é de cá. O caso é que depois de os entreguistas de 74 terem assignado a capitulação em 85, Portugal acabou. E a final, veja o benevolo leitor, os tratantes não liquidaram a patria para melhorar a vida dos portugueses. Está bom de ver que foi só por serem elles uns folgazões, desejosos de reinar co' a gente.
 


Cavaco, «Vida fácil», in «Público, 21/XII/2011.


(Jornal Público, 21/XII/2011.) 

Inverno também é com maiúscula

Romeira em dia de Inverno, Av. de Roma (A.Pastor, c. 1970)
Romeira, Av. de Roma, c. 1970
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mostruário

Cartaz de cartões de Natal dos correios, C.T.T.,1966. 
 Em 1966 o mostruário dos correios dá ideia que ainda havia uma noção certa do que trata o Natal. Hoje o que sobra é antes uma certa noção da... coisa?

(Imagem da F.P.C.)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Espectáculo ao vivo


Eric Clapton et al., While My Guitar Gently Weeps
Concerto para o George (Harrison), 2002.

Enfeites de... Natal

Monumento a Fernão de Magalhães, Lisboa, 2011.
Monumento ao navegador Fernão de Magalhães, Lisboa, 2011.

O administrão

« Estávamos com a nossa atenção virada para a descoberta do bosão de Higgs e nem nos apercebemos que como resultado das colisões aparecia algo de muito diferente, declarou Samuel Adams, chefe da equipa que analisa os resultados das colisões. É uma partícula estranha. Pelo seu comportamento decidimos chamá-la de administrão. A primeira coisa que salta à vista é que está sempre rodeada de neutrões. E num dos resultados de uma colisão anterior aparecem vice-neutrões (candidatos a neutrões , mas que ainda não atingiram o grau de apatia suficiente)
«LHC - A descoberta do bosão de Higgs e os efeitos colaterais», in O triunfo dos porcos (perdão, bácoros), 16/XII/2011.



O CERN achou o Portugal de Abril e os seus efeitos colaterais.

Mural do M.P.L.A., Agualva-Cacém (Neves Águas, 1975)
Mural do M.P.L.A., Portugal, 1976.
Neves Águas, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Púrrias

«Andava n'este tempo accêsa a guerra
«Entre a malta de Alfama e Bairro Alto,
«Gingantes campeões afragatados,
«Miqueletes (1) revéis, cujas façanhas
«Em macarróneo metro celebradas (2)
«Tem dado assumpto a um par de gargalhadas.
«E no sitio da Penha (3) aos dias santos
«Com poitas, (4) e com fundos de garrafa,
«A dente, á unha, á bordoada, a ferro,
«Latindo tão raivosos como um pêrro,
«Travavam cruentissimos combates;
«Não que morresse algum, mas abundavam,
«Entre o furor de punhos e pedradas,
«Bolas partidas, ventas esmurradas!
«De uma das taes guerrilhas tinha o mando
«O
General Luneta, homem provindo
«De linhagem illustre, e por seus sestros
«Entre a mais brejeiral, çáfia (5) cambada,
«Entre a relé mais pifia confundido;
«E por seus capitães eram com elle
«Claros pimpões, a flor da pangayada (6).
 


 Pato Moniz illustra o texto com a seguinte nota: «Bem sabida, e bem faltada foi em Lisboa a guerra da rapazia no sitio da Penha de França; e muito mais depois que n'ella entraram o General Luneta (Dom Th. d'A., cujo rival no generalato era um façanhoso Pretalhão) (7) e alguns outros, que, posto serem geralmente havidos em ruim conta, nunca se esperou que chegassem a tanto.»




(1) Antigos bandidos dos Pyrenéos.
(2) Allusão á Bisnaga escolástica.
(3) A Penha de França, segundo a Agostinheida; a Cotovia, segundo a Bisnaga. Em ambas estas eminencias, tanto ao oriente como ao poente da cidade, se feriam as batalhas garotaes. A Penha era reducto para os garotos de Alfama; e a Cotovia para os do Bairro Alto.
(4) Corpos pesados, ordinariamente pedra ou ferro, que os pescadores empregam para fundear os seus barcos.
(5) Sáfea, segundo a graphia de Gil Vicente. Reles, despresivel.
(6) Rancho de rapazes inuteis, vadios.
(7) N'outra publicação contra o padre José Agostinho [de Macedo], diz Pato Moniz, mais claramente, que o General Luneta era D. Thomaz de Almeida, e que o general do exercito opposto era «um preto caiandeiro.»


 


Alberto PimentelA Triste Canção do Sul; Subsidios para a Historia do Fado, Livraria Central de Gomes de Carvalho, Lisboa, 1904, pp. 51-52.

Panorâmica sobre a Penha de França, Lisboa, (P.Guedes, c. 1900)
Panorâmica sobre a Penha de França, Lisboa, c. 1900.
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sines

DSC06859.JPG
(c) 2006

Comporta

DSC06840.JPG
(c) 2006

O Carvalhosa

Brito Camacho, «Scenas da Vida» (archive.org)


 


  O sr. Silverio comprou a vaca, fazendo constar, na Aldeia, que no dia seguinte ela tomaria parte na festa... ensopada com batatas e borrifada com vinho.
  — Aqui ninguem se embebeda — ordenara o sr. Silverio, quando a familia, distribuida em grupos, formando pequenos circulos, se dispunha a manducar, cada qual tendo levado de casa, por expressa recomendação que ele fizera, o indispensavel garfo de ferro — para não comer á unha.

   — Aqui ninguem se embebeda — repetiu o sr. Silverio [...]
   — Os gaiatos não bebem.
   O Carvalhosa, ruim trabalhador e grande beberrão, quando lhe iam a dar o copo, tirou da algibeira da véstia um cordel, unindo-lhe as pontas.
   — Isso para que é, ó tio Francisco?
   — É para não engulir o copo, se me escapulir da mão.
   O sr. Silverio ouvíu, e mal disfarçando o seu azedume, disse para o filho mais velho, um moço que nem um sobreiro:
   — O´ Joáo, leva aquela besta á levada, e não lhe deixes sair a cabeça d'agua emquanto não estiver cheio como um ôdre.
Brito Camacho, Scenas da Vida, Guimarães, Lisboa, [1929], pp. 7-9 passim.


 


(Verbete em 6 de Julho de 2011.) 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Deve ser impressão minha

Os eurocépticos ganharam agora [finalmente] direito de antena? Porque foi?!...


image.jpeg

Exposição Comemorativa do 10º Aniversário do Terceiro Reich, Lisboa, 1943-44.

Fotógrafo: Mário Novais, 1899-1967, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Dum sociopata ególatra nos seus próprios termos

«Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança [...] Eu não quero perder um minuto da minha felicidade no futuro pensando no que poderia ter feito no passado.»


Engenheiro Sócrates em conferência numa universidade que o abrigou para estudar,  TVI, 7/XII/2011.

Henriartoon, 8/XII/2011
(Henricartoon)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dos nossos fados...

A. Pimentel, «A triste canção do Sul», 1904


« É [...] por espirito de imitação que o "Fado" se aristocratisou na guitarra dos marialvas e no piano das salas, como um producto exotico violentamente aclimado, uma planta d'estufa, que parece chorar pelo seu clima nativo — o clima dos bairros infamados e das ruas suspeitas.
   [...]
  Comprehende-se que o povo, no meio dos seus prazeres, não esqueça inteiramente a pesada fatalidade com que a sorte o subjuga; mas comprehende-se tambem que ache gosto em saborear o desabafo que a guitarra lhe proporciona, fazendo-o cantar, e dando-lhe pretexto para molhar a palavra com o vinho.
   D'envolta pois com o sentido esmagador da palavra "Fado", que representa uma condemnação invencivel, vem associada a ideia de folga na taberna, da merenda nas hortas, do passeio ao luar emquanto a guitarra vai dizendo da sua justiça.
   N'esses momentos, o povo, sem esquecer a dureza do destino, porque a sente como o condemnado ás galés sente o peso da corrente de ferro, experimenta os unicos parazeres que lhe são permittidos, e que todos parecem volitar, como um enxame de abelhas [ou quiçá "enchame de avelhas"], em torno da guitarra: o canto, a dança, o vinho [...]


Se o Padre Santo soubesse
O gosto que o "Fado" tem,
Viria de Roma aqui
Bater o "Fado" tambem. »


Alberto Pimentel, A Triste Canção do Sul; Subsidios para a Historia do Fado, Livraria Central de Gomes de Carvalho, Lisboa, 1904, p. 25 passim.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Api... cultura

«Enchames de avelhas», Felgueiras (Liliana Isabel, 2006)
Vende-se enchames de avelhas, Felgueiras (prox.), 2006.
Fotografia de Liliana Isabel, gentilmente cedida pelo leitor Alves Pereira.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cidla: festas felizes

Iluminações de Natal, Lisboa, 1971
«Festas Felizes», Rotunda, 1971.
Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Cidla 71

Iluminações de Natal há 40 anos.

Iluminações de Natal, Lisboa, 1971
Iluminações de Natal, Rotunda, 1971.
Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..