| início |

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Torno à questão ortográfica

Triste espectáculo...



 Torno à questão ortográfica por um artigo de José Queirós no Público de 31/7/2011 (cf. «A Querela Ortográfica? Que quer ela?», in I.L.C. contra o Acordo Ortográfico) que me suscitou dúvidas sobre se não oscilava já o Público de Herodes para Pilatos no caso. Mereceu-me, antes e depois de o ler por completo na página da I.L.C., dois comentários. O último traslado-o para aqui.


 Lido o artigo reconheço que o «Público» permanece firme. Enfim! Alguma atenção haveria de o provedor dos leitores dar às dores dos acorditas por haver jornais como o «Público» (e o «O Diabo», é justo que se refira), e gente de bem que não se verga servilmente à cartilha dum Poder amorfo demais para entender razões (e não «pose») de Estado.
 São posições inconciliáveis, contra e a favor do execrável «Acordo»; neste caso ou se é sério ou não se é. Quem é contra o maldito «Acordo» já expôs bastos e seriíssimos argumentos linguísticos e políticos que o haveriam de ter arrumado de vez à primeira, em havendo tino em quem rege a Nação. O governo não quer agora tornar atrás por crer em assim salvar a face num acordo internacional atabalhoado e trapalhão? Vai daí envereda numa agonia que não haveria de existir, que todos dispensávamos, e que por último trucida linguìsticamente o idioma, inventando dezenas de milhar de vocábulos não inteligíveis à primeira por um leitor treinado e fabricando do nada outras tantas grafias divergentes?! E como supremo descaramento e insulto à inteligência publicita o cozinhado brasileiro como uniformização gráfica do Português? – Que uniformização é esta que atira gratuitamente telespectadores de radiotelevisão furiosos (legìtimamente) contra o provedor dos mesmos por este os passar de repente a ferrar de «telespetadores» à força de tão sublime uniformização do Português?! Antes da brilhante asneira «uniformizadora» só havia «telespectadores»...
 Cuido ser escusado dizer mais. Os acorditas são gente que não percebe; que não há nunca de perceber. Deixá-los! Todo o tempo de antena ou espaço na imprensa é prejuízo. Mas é lá com o «Público». Para mim já têm voz de mais; tudo o que lhes saia é supérfluo e insultuoso. A campanha, do «Público», d' «O Diabo» e de todos quantos se não sintam bem em atoleiros de mediocridade, é necessária para neste particular desmascarar a incompetência linguística e o sofisma político dos acorditas. É necessária e de todo em todo legítima pois que concorre para o melhor e não para o pior; enfim, para o bem comum. O Português é um bem internacional que Portugal jamais poderá remir a cifrões, sob pena de se perder. A língua não é a nossa pátria – isso é poesia –, a língua somos nós. Fosse a questão ortográfica um artigo de mercearia não teria já antes o Brasil podido ser comprado? Pois, se se não vendeu já vedes...




Nota: antes que lembre a alguém apontar-mo, 1) «acordita» é, no meu léxico, substantivo comum de dois para designar pessoa sectária do «Acordo»; faz parte da evolução natural da língua e não é preciso que conste em vocabulários (peudo-)académicos nem de «Houaiss» nenhum para gramatical e portuguêsmente existir; 2) os acentos graves («portuguêsmente» incluído) são deliberados; depois de 45 renego acordos ortográficos com o Brasil.

7 comentários:

  1. Diogo André3/8/11 21:16

    Provavelmente não será este o local mais conveniente, mas procurei por todo o blog uma forma mais privada de relatar o seguinte:
    "Queria agradecer o trabalho magnífico e por certo entra na alma de muita gente como eu, que desabrota de um conjunto de fotografias e referências a um Portugal passado, que nos ressuscita o que de bom havia. Foram tempos difíceis, de miséria económica mas que o povo sentiu e viveu de forma honesta.
    Bem haja ao(à) autor(a) deste blog.
    Os meus sinceros cumprimentos,

    ResponderEliminar
  2. Bic Laranja3/8/11 22:25

    Sou eu que lhe agradeço o amável apreço.
    Para o que lhe possa servir em biclaranja[a]sapo.pt .
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  3. Também não é o local mais apropriado, mas não sei se já lhe chegou aos ouvidos que o prédio na esquina da Praça Duque de Saldanha com a Casal Ribeiro (aquele com os rabiscos horríveis que a CML lhe pintalgou) foi demolido. Passei lá hoje e fiquei de boca aberta a olhar para aquilo. Ainda por cima o prédio imediatamente ao lado, na Casal Ribeiro, está a ser terminado e é um daqueles prédios tipo lata com uma fachada de metal. Verdadeiramente deprimente.

    ResponderEliminar
  4. Bic Laranja4/8/11 10:03

    Triste notícia. Não me dei conta e ainda há pedaço lá passei.
    Triste cidade em que Lisboa se torna.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  5. de facto conheço uns bois de fato e andam a pastar naquele edifício branco que mais parece uma praça de touros que é o palácio de S. Bento

    ResponderEliminar
  6. No ministério da «ingrícola» já pastam sem gravata.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  7. pois pastam, mas os grandes bois continuam de gravata

    ResponderEliminar