Hoje temos corrida televisionada cá na terra. Vai no terceiro da noite e já dois cavaleiros, em voltas à arena, quase parece que fizeram honras àquela adamada aberração de circo...
O meu ex-colega dr. J. J. da Silva P., já reformado, era (e é) grande aficionado das corridas. Mas sempre dizia que ele corridas é em Espanha; cá é só tourada. Talvez fosse generoso o dr. Silva P. cá com a terra. Não disse que, cá, também há vacadas.
«Plaza [de] Toros, Córdoba» (K. Reys, 1951), in Period Paper.
Repugnante barbárie. Eis, sinteticamente, do que se trata. Seja onde for, chame-se-lhe o que se quiser.
ResponderEliminarCosta
Eu compreendo, creia, o (des)freio que põe nas suas palavras. Em qualquer caso, nem sempre é a forma mais correcta, em se a soleira da porta de casa alheia passar sem convite.
ResponderEliminarCumpts.
Quem classifica a tourada de “barbárie”, fá-lo com a autoridade moral de quem conhece a fundo um universo cultural, que, na realidade, ignora completamente. A prova disso mesmo é a convicção absurda – cultivada com sanha – de que o prazer na tourada é consequência do sofrimento do touro: mais sofrimento, mais prazer.
ResponderEliminarQuem gosta de touradas é um bárbaro? Não será profundamente arrogante declarar-se autoridade moral para decidir o que é “cultura”, “barbaridade”, etc.? Será bárbaro fazer da matança do porco uma celebração, será ausência de cultura? Ou, pelo contrário, não será antes a perpetuação de um gesto ancestral, que nos identifica como povo e consiste, por isso mesmo, num elemento de riqueza cultural inestimável?
Mais do que poupar um bicho ao sofrimento, não se tratará antes de um estrebuchar da má consciência da esquerda urbanóide? Sim, porque não é o sofrimento do animal per se que move a turba das passeatas fracturantes: é o público que vai à tourada. É sobretudo uma condenação moral de quem aprecia a tourada, e não a tentativa de erradicar qualquer espécie de dor animal. Isso seria ingénuo e imbecil: nada há de mais violento e cruel que a madrasta Natureza.
Não é uma autoridade moral. É a autoridade. A autoridade de proibir a tauromaquia por lhe não bastar, a quem não aprecia, ser (justamente) livre de não ir.
ResponderEliminarÉ também a autoridade de apregoar ser proibido proibir. Uma esquizofrenia, é o que é.
Grato pelo seu comentário.