Dantes, às azémolas punham-se antolhos para só verem numa direcção. Hoje não seria preciso.
Antes das férias queria uma capa para o Kindle que havia de levar e pensei — Que diabo! Não há-de de ser preciso mandar vir uma pinderiquice destas da América! O Kindle ainda vá, que cá se não vende, mas uma capa!... Numa dessas lojas de centro comercial — cuidei — com certeza há-de haver coisa que menos mal sirva. E quiçá mais em conta.
Na primeira a que fui dar procurei logo ao empregado que, com o Kindle diante de si, foi peremptório. Não tinham. — Mas repare! — ainda tentei — Nem nada de dimensões semelhentes que se lhe ajeite? — Não senhor.
Segui adiante.
Na segunda dei prévia vista de olhos a ver se teria mais sorte antes de me desenganarem. Não vi nada, mas com tanta variedade de artigos numa loja tão grande podia ser que com a ajuda dum empregado... — Ele a final de contas há tantas tabuínhas (tablet PC) do tamanho do Kindle... — era a minha esperança. — Também nicles; nada; João Néria. — "Sabe, não vendemos Kindles!...!" — defendeu-se o empregado. — Bom! Ele havia de saber...
Próxima.
Na terceira, decidido a dispensar empregados do comércio, apliquei-me a procurar com mais atenção. Se bem o pensei melhor o fiz. Num pacote fechado uma capa (não sabendo eu especificamente para que aparelho) que, pelo boneco e pela descrição, me pareceu que era calhada. Mas não havia nenhum exemplar exposto e, por via das dúvidas lá me rendi a chamar um empregado.
— Esta capa é para o Blackberry. Não lhe serve.
— Claro. Mas eu tenho a impressão que mesmo assim... Pode o senhor abrir-me a embalagem para eu ver melhor, por favor!
— Está bem. Mas esta capa é para o Blackberry — e passou-me a capa desempacotada.
— Calha que nem uma luva. O senhor acabou de vender o artigo. Obrigado! (*)
A história acima haveria de ficar a aboborar até esquecer não fora a Volta hoje me ter trocado as voltas. Desviado para os lados de S. Sebastião resolvi meter o nariz nos armazéns espanhóis a ver de cerra-livros como uns que há meses lá achei. Não nos achando e fazendo menção de desistir sugere-me a senhora: — "Melhor é perguntares."
Pois bem, inquirida a empregada da papelaria, remete-me ela prontamente para a livraria — certamente a palavra «livros» naquela cabecinha...
Pergunto então na livraria. Um empregado de fato e gravata, asseadamente barbado de três dias, hesita; quer que o esclareça se é o título dalguma obra. (!)
Explico-lhe o que é.
Remete-me solicitamente para a secção de papelaria.
— Sim senhor! Muito agradecido!
(*) Todas as três lojas vendem acessórios para o Blackberry, seja lá ele o que for.
Sabe qual é o problema? Traquitanada a mais. Ele é o pod o pid o pad...eu tenho a casa cheia de cabos que já nem sei para o que servem e quando é preciso "carregar" qualquer coisa, também já nada encaixa: um inferno!
ResponderEliminarLivros só leio em papel!!! É uma espécie de acordo ortográfico, comigo mesma: não ao kinder! (desculpe esse é o ovo das crianças)
Podia ser. Mas lá que o comércio anda servido de amadores tapados que nem com o Kindle à frente raciocinam, quem nega?
ResponderEliminarSobre o que ler no Kinder (também o chamo assim), já dei a minha razão anteriormente...
Cumpts. :)
ResponderEliminarRealmente, parece tratar-se de uma estranha tendência que vimos constatando como estando em aparente expansão em Portugal de há uns anos para cá — sobretudo [ou será só impressão minha?] na área da grande Lisboa: o comércio que parece NÃO querer vender — empregados que atendem a contra-gosto a freguesia, ou com má cara ou com maus modos, que fazem 'o frete' de ir à procura daquilo que o freguês procura, que fazem uma busca de relance e olham para o ecrã do computador como quem olha para um defunto incoveniente, e logo largam um suspiro contido e sentenciam "hmmm... não... não temos... nem sei quando vamos ter!!..."(esta última tirada em tom quase-triunfante, atenção...)
ResponderEliminarNo comércio de grandes superfícies até que se percebe, ou melhor até podemos conjecturar, sobre o que levará esta ou aquela empregadita de uma Zara ou de uma Sportzone a dar-se a ares de antipática. Mas no pequeno comércio de rua, ver a epidemia do mau atendimento a alastrar portas adentro daquela sapataria ou oculista onde já os nossos pais adquiriam os seus havers, faz-me muito espécie, verdade seja dita.
O absoluto oposto da regra no longínquo país que me acolhe, onde ninguém descansa enquanto o cliente não estiver servido, satisfeito e de preferência levar ainda mais qualquer coisinha além daquilo que pretendia de início ir lá comprar. (E vêm à porta da loja fazer-nos uma longa vénia, que só termina quando dobramos a esquina lá adiante e desaparecemos da vista do curvado lojista.)
Luís F. Afonso, Japão
Eu acho o mesmo. Parece que são todos ricos e não precisam de ganhar dinheiro... Por essas e por outras acabo por comprar em Portugal só o que não consigo encontrar na Suíça (que é onde resido) e dou comigo a carregar tralha daqui para lá, às vezes pagando mais pelo mesmo artigo e ainda pagando pelo transporte. Mesmo com estas despesas extra não me sinto tão mal. É que a coisa funciona mais ou menos como o Japão... sempre um sorisso de orelha a orelha, sempre em cima de nós (às vezes até chateia tanta mordomia) e isto é igual para o pequeno, para o médio ou para o grande comércio... Claro que quem perde é Portugal...
ResponderEliminarQuanto à história do caro Bic... a mim aconteceu ao contrário. Estava a comprar um computador daqueles pequeninos (sei lá como se chamará) que nem sequer espaço para ler os CDs tem. E com o "bicho" (empacotado, pois claro) na mão perguntei ao empregado se tinha capa para ele. Ele disse-me que me dirigisse a uma certa secção para escolher. Depois de escolher fui ter com ele e perguntei se achava que servia. Ele disse-me que sim. Perguntei-lhe se tinha a certeza (o objecto era barato, mas não em adianta pagar pouco se não o uso), deu-me 100% de certezas. Na realidade... deve ter encolhido pelo caminho. Ao chegar a casa, desempacotei o computador, mas não liguei à capa. Quando precisei de o levar para a rua... apercebi-me que não encaixavam na perfeição... deu-me vontade de ir à procura do empregado e bater-lhe!! Mas como a violência não leva a lado nenhum e eu já tinha feito uma reclamação por escrito na hora de comprar o computador e ainda por cima tinha que ir um bocado longe, para fora da minha zona... preferi ficar quieta e usar a capa sem lhe correr o fecho...
Apercebi-me há anos numa sapataria da Rua da Prata, que o comércio só tem para venda a mercadoria exposta; não armazena. Fui-o confirmando até hoje. Pode isto ser parte do mau comércio que temos. A outra é claramente a atitude. Mas nos casos que pus, achei nos empregados sempre muita solicitude de catálogo, plastificada como nos «call centres», não fastio. O pior - o pior, senhores! - é a falta do mínimo de cultura e inteligência para entender o que se lhes diz. Uma capa que vestisse o Kindle, com o aparelho diante para fazer o ensaio?!... Não saber numa papelaria ou numa livraria o que é um cerra-livros?! Por amor de Deus!...
ResponderEliminarCumpts.
É o mesmo problema. Estupidez e displicência.
ResponderEliminarCumpts. :)
Oh! EU cá acho que é o caro Bic que é exigente demais!!! Então uma pessoa numa livraria ou numa papelaria vai-lhe vendar uma coisa dessas??!? Onde é que já se viu uma pessoa resolver usar um cerra-livros!?!? QUem quiser fazer tal coisa aos livros... que vá ao Aki ou outra loja do género... aí deve encontrar coisas que CERRÃO (para a asneira ser completa usa-se o ditongo!!) livros...
ResponderEliminar:) Cumpts.
ResponderEliminarPor se mencionar dislates e estupidez endémica das «novas gentes» que polulam por este nosso pobre e maltratado País, fui hoje comprar os livros escolares para o 6º Ano (antigo 2º Ano dos Liceus) da minha filha mais velha. Para além do seu preço exorbitante (como se fossem encadernados a couro e impressos em offset sobre papel couché), até a minha filha pré-adolescente notou a borrada: são escritos como que por um iletrado. Não se limitam à vergonha do «acordo ortográfico», exibido orgulhosamente nas capas e contracapas, como se a ignorância fosse motivo de orgulho, mas os textos são «de palmatória»: erros atrás de erros, de ortografia, de sintaxe...
ResponderEliminarEnfim, uma pequena fortuna para pagar lixo, pois não passarão disso, na sua maioria. E é o que as bestas que nos desgovernam querem impor: a estupidez, a ignorância, a incultura.
«Ò Admirável Mundo Novo, que tais filhos tens!», já clamava o bardo de Stratford-upon-Avon, e depois Aldous Huxley. Nem poderiam imaginar o que aí viria, para estas latitudes mais meridionais...
Cumprimentos.
Imagino-lhe o agravo com tamanha baixeza. Que fazer?!...
ResponderEliminarCumpts.
Amigo eu tb já não passo sem o meu Kindle (quem fala de barato que não substitui os livros não sabe o que diz).
ResponderEliminarTenho para já 30 livros sempre comigo e não passam de 240 gr de peso.
Agora então que quebrei o segredo de converter todos os tipos de ficheiros através do CALIBER não quero outra coisa.
Já no que respeita a capas a minha comprei-a no E-bay super barata e há-as aos milhares.
Abraço
PS:Com a mais valia que tem tudo em casa e comodamente em 2/3 dias.
ResponderEliminarComo devia de ser por cá...
profissionalmente.
Não há nada como manusear o livro. Mas se tiver de ter meia dúzia na mesa de cabeceira... Todavia o que eu particularmente relevo é poder ler edições antigas dos clássicos sem me cingir a horários impossíveis em bibliotecas nem ser esbulhado por ávidos alfarrabistas. A literatura contemporânea já não sairá de graça. - Ainda! - Mas cuido que quando chegar a ela já seja de graça; daqui a 200 anos quando acabar de ler os autores do século XIX.
ResponderEliminarCumpts.