« Era o tipo de violência que se vinha verificando em Portugal há [havia] décadas e cuja supressão há [havia] muito constituía a principal missão do Exército.»
Há uma desconformidade de tempos verbais nesta frase. Será português macarrónico ou serei eu…?
É isto tirado da edição portuguesa da biografia de Salazar de Filipe de Meneses (D. Quixote, 2010, p. 170). Já Vasco Pulido Valente, creio que no Público, se referiu aos trejeitos do idioma naquela tradução.
Este não é o único exemplo.
Adenda em 1/X/2010 às vinte para a uma da tarde.
Mal por mal, antes - diria eu - a ocasional desconformidade por vício de tradução, do que o recurso ao noviportuguês que nos querem impingir com força de lei.
ResponderEliminarNão que isso perdoe uma tradução formalmente menos feliz, mas perante a monstruosidade do AO, esses ocasionais tiques anglófonos bem podem ser vistos com alguma bonomia...
Costa
Estamos entre a espada e a parede. A corrupção pelo bárbaro, executada por nativos mal instruídos, é do pior. Prevejo um idioma sintacticamente subsidiário do bárbaro. Ao modo crioulo.
ResponderEliminarCumpts.
O Há/havia vamos indo... pode ser o uso do presente histórico.
ResponderEliminar"vinha verificando" é que é péssimo: «que se verificava» ou que «se tinha verifado» são fomras muito mais correctas.
Sucede que a frase é introduzida pelo imperfeito. Destrói-se aí o presente histórico.
ResponderEliminar'Vinha verificando' gramaticalmente está bem. Será uma questão de estilo, porém.
Cumpts.
«Vinha verificando » é endorreia.
ResponderEliminarNão pode ser usado o presente histórico, tem toda a razão.
Concedo. Provavelmente decorre duma apressada tradução e o simples imperfeito 'verificava' soa bem melhor. Mas é correcto o uso dum ir/vir + gerúndio para dar ideia duma acção que decorre gradualmente (v.g. 'vinha rompendo a manhã').
ResponderEliminarA endorreia mais atroz é a que arriba da tropicália. Mas isso assemelha-se mais a um crioulo que a Português.
Cumpts.