Esta manhã ouvi uma notícia meia disparatada na telefonia: a Av. Frei Miguel Contreiras em Lisboa tinha que mudar de nome porque (segundo alguns investigadores) aquele frade nunca existiu. Investigadores falam em fraude histórica...
Não me quero adensar muito na matéria historiográfica, mas o caso merece alguns comentários: 1) a tese que nega a existência de frei Miguel baseia-se na ausência de documentos coevos sobre ele; não sei se os há se não, mas mesmo não os havendo convém frisar que por si só a ausência de prova não é prova de ausência; 2) exagerar uma dúvida quanto ao maior ou menor relevo histórico do confessor da rainha D. Leonor como instituidor da Misericórdia de Lisboa, ao ponto de negar em absoluto que ele haja existido, é perfeitamente descabido; 3) rescrever a História tem pouca novidade, mas fazê-lo fundado em dúvidas a tal ponto de ditar tão disparatadamente o imperativo de apagar um topónimo é tão extraordinário que nem o sei qualificar; 4) por último a notícia do D.N. dá voz a uma historiadora que diz que o caso «é o testemunho da ignorância dos políticos sobre os conhecimentos que a investigação histórica produz»; como o topónimo foi dado em 1954 e os conhecimentos que a historiadora refere parecem recentes, deduzo que chamar ignorantes aos políticos agora tenha só em vista levá-los (aos de agora) a mudar rapidamente o topónimo, antes que a carapuça se lhes enfie; assim, a fazer figura de ignorante fica afinal só um jornalista papagaio que dá a autoria da obra O Carmo e a Trindade, não a Gustavo Matos Sequeira como é devido, mas a um tal Gustavo Matos Ferreira que — este sim — provavelmente nunca existiu.

Av. Frei Miguel Contreiras, Lisboa, 195...
António Passaporte, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Fraude histórica?
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Discordo!
ResponderEliminarGustavo Matos Ferreira existe e é neto, por via paterna, de Helvécio Claudino Ferreira e Elza Tomé de Lima. :)
No resto, concordo com a apreciação de ligeireza, naturalmente.
É um mundo de ligeireza intelectual seja ela histórica ou outra qualquer, este em que andamos.
Abraço.
Touché. E calhando há-de haver mais, netos de Helvécios ou outros Claudinos. Mas quantos desses terão escrito O Carmo e a Trindade?
ResponderEliminarNo mais, antes fosse só ligeireza; é tão rematado disparate que dá dó. Cumpts. :)
se calhar querem mudar o nome da rua para José Socrates ou mários soares ou rua grande oriente lusitano, quemre nos dar circo porque nos negam o pão
ResponderEliminarCom tantas 'acessibilidades' mais jeitosas que agora se fazem, não creio. Acredito mais ser um rematado disparate de gente tola. Mas talvez ali tenha morado maçon carente de homenagem...
ResponderEliminarCumpts.
Quando eu vejo barbaridades destas, penso que há aí muita gentinha desocupada que se estivesse a coser meias estava bem melhor. É que ainda não se percebeu que nem toda a gente devia ir para a faculdade. Para quê? Se depois saem destas historiadoras, destas iluminadas...
ResponderEliminarPois! Bem vê...
ResponderEliminarCumpts.
é bem provável sim, porque cada vez que morre um maçon mais ou menos famoso vem sempre com a treta lá morreu um grande anti-fascista mas se formos perguntar a ramalho eanes, a otelo ou a vasco lourenço se o conhecem ou até mesmo a manuel alegre dizem logo que nunca viram o cidadão
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