| início |

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Gasosa

Gasosa Schweppes (anos 70)

 Há muito tempo era habitual ir à taberna antes do almoço, ou antes do jantar, comprar 1/2 litro de vinho palheto. Nalgumas vezes pedia à minha mãe para trazer uma gasosa. Quando ela entendia que sim dava-me o dinheiro, mas sem contar com o vasilhame, cujo valor, por trato mais antigo que a minha pouca idade entre os meus pais e o taberneiro, era normalmente resolvido com um - "Dê-me também uma gasosa, sr. Alberto, que ao depois venho cá trazer a garrafa".
 Certo dia foi o Beto, o filho mais espigadote do sr. Alberto que me atendeu.
 - O dinheiro não chega.
 - Não chega?! Mas a gasosa não custa... (não me lembro quanto)?
 - Custa, mas não trazes depósito.
 - Pois não. Mas ao depois costumo trazer cá a garrafa.
 O Beto apontou muito satisfeito de si para cima dos pipos de vinho e leu-me sonoramente os dizeres duma tabuleta que eu sempre lá vira mas que até ali nunca houvera entendido:
 - Não se vendem refrigerantes sem vasilhame.
 Mesmo sem saber o significado de vasilhame eu percebi o recado. Quando fosse para comprar gasosas devia ir à taberna do sr. João.

(Fotografia: Estúdio de Horácio de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G.)

4 comentários:

  1. Nos dias de hoje acabaria por morrer de sede… junto ao ecoponto verde! :-)

    Abraço

    ResponderEliminar
  2. É o novo modo 'sustentável'...
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  3. Attenti al Gatti24/9/09 00:33

    Na minha casa, talvez por um princípio de precedência hierárquica, a gasosa era comprada na mercearia das Bitas. A taberna do sr. João estava reservada para o fornecimento de tinto que, aos Domingos era do "especial", avalizado pelos adeptos do Vitória que, nos dias em que o clube fazia juz ao nome, transportavam a taça, erguida, Capitão Roby acima, em horda ululante que desembocava no balcão onde o troféu era atestado com o conteúdo do pipo apropriado, rodando depois de mão em mão, a matar a sêde daquelas bocas que não tinha regateado gritos de incentivo ao seu clube nem impropérios ao árbitro. Estas libações eram, por vezes, acompanhadas por algum petisco, obra da D. Rosa, esposa do sr. João e era tal o júbilo que conseguía mesmo alegrar o olhar, usualmente triste, da filha do casal, que faleceu muito nova, por oposição a um garnizé que faleceu muito velho, depois de uma longa reforma passada num poleiro sobre o lavatório de canto, debaixo da vigilância do "Boby", um rafeiro que deve ter enviuvado muito cêdo, pois sempre o conhecí trajando luto carregado
    A.v.o.

    ResponderEliminar
  4. Bic Laranja26/9/09 09:34

    Eis quanto pode ser uma gasosa inspiradora. Belo comentário, afora a triste sorte da filha do sr. João. Algumas referências, porém, escapam-me: as Bitas, o garnizé, o rafeiro e o lavatório de canto.
    Cumpts.

    ResponderEliminar