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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O mestre e o aprendiz

 Há uma espécie de jornalistas que sabe tudo e por isso não dá a palavra ao entrevistado. Faz-lhe perguntas por formalidade, mas provoca-lhe urticária deixá-lo responder.

 Hoje à tarde havia um desses na telefonia do carro. Passou por ser humilde ao confessar ao mestre entrevistado que não sabia distinguir carpinteiro de marceneiro. Pediu ao mestre que explicasse.

 O mestre começou por referir que ainda assim havia carpinteiros de limpos, que eram os que executavam por exemplo uma janela, mas acabou interrrompido pelo disparate.

 - E os outros serão o quê? Os carpinteiros de sujos?!...

 - De toscos - respondeu o mestre. - Além dos carpinteiros de limpos, há os carpinteiros de toscos - e explicou que seriam os que metiam barrotes, por exemplo, num telhado, para se depois porem as telhas.

 - E o marceneiro faz um trabalho mais artístico - atalhou então o jornalista com sabedoria incontida.

 O mestre lá foi conseguindo dizer que o marceneiro executa móveis ou ornamentos em madeira até que o jornalista intempestivo lhe atirou que...

 - Alguns marceneiros podem até fazer o design das peças que executam.

 O mestre hesitou, acabando por dizer:

 - Isso de design já não sei...



 




Nota: o mestre e a imagem são da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva; o jornalista é da rádio. Uma nota final; o texto pode eventualmente transmitir uma certa ironia por parte do mestre que, em boa verdade, não foi nunca percebida por mim durante a entrevista. O mestre foi mais genuíno do que o texto dá a entender.

12 comentários:

  1. Terá talvez sido um carpinteiro de toscos, digo de tosco.
    Abraço

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  2. Foi. Assentou um barrote.
    Cumpts.

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  3. Caro Amigo,

    O texto transmite, de facto, certa ironia sábia, como pediria a desconchavada intromissão do locutor, presumivelmente um hodierno jornalista, com Licenciatura passada, por certo, quiçá, por Universidade Independente.

    Quanto à nomeação, parabéns e também um agradecimento, pelo acto de me haver incluído nos seus destinatários de novas nomeações.

    Um abraço.

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  4. Graças a Deus que não acompanhei tão "incontornável" entrevista.É que já me falta paciência.Mas bem haja por nos dar notícia desta pérola.

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  5. Margarida Pereira23/10/08 10:22

    Absolutamente fabuloso.
    Traduz com exactidão a falta de respeito que grassa. Porque é disso que se trata.
    Aliada à imensa e injustificada vaidade.
    Salvo honrosas excepções, os 'jornalistas' sabem tudo, dominam e debitam sobre o que e quem quer que seja.
    Escrevem, também.
    Já não se aprende (além de outros imensos e relevantíssimos princípios educacionais e éticos) que a arte da entrevista reside precisamente em, após apresentar a personalidade e lhe dar o mote, a deixar discorrer.
    Sendo boa, não se sentirá a falta de mais nada.
    Nem de perguntas.

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  6. onde está a noção do "não se interrompe quem fala" que eu aprendi como "não se interrompem os mais velhos"? ..

    Tem razão Margarida (com a sua licença Caro Bic) .. é sem dúvida a falta de respeito a pautar tudo e todos .. (haja excepções!)
    Cumprimentos :)

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  7. Quer-me parecer, Amigo Bic, que se trata de uma entrevista a precisar de ser aplainada...
    Abraço

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  8. Este jornalista ouvi-o eu em diálogo com os seus ouvintes sobre o acordo ortográfico, aviltar os que exprimiam opinião negativa. Arrogava-se esse desplante e demonstrava a sua autoridade exibindo toda a sua ignorância sobre a matéria.
    Creio que não deu pela figura que fez.
    Cumpts.

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  9. É só mais um caso da desgraça que anda por aí. Olhe, é como aquele político!...
    Cumpts.

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  10. Os entrevistados servem só de enfeite. A personalidade hoje em dia é o próprio jornalista.
    Cumpts.

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  11. Falta de respeito própria de gente mimada.
    Ai de quem diga mal dum jornalista...
    Cumpts.

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  12. Gastava-se a lâmina à plaina.
    Cumpts.

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