Há uma espécie de jornalistas que sabe tudo e por isso não dá a palavra ao entrevistado. Faz-lhe perguntas por formalidade, mas provoca-lhe urticária deixá-lo responder.
Hoje à tarde havia um desses na telefonia do carro. Passou por ser humilde ao confessar ao mestre entrevistado que não sabia distinguir carpinteiro de marceneiro. Pediu ao mestre que explicasse.
O mestre começou por referir que ainda assim havia carpinteiros de limpos, que eram os que executavam por exemplo uma janela, mas acabou interrrompido pelo disparate.
- E os outros serão o quê? Os carpinteiros de sujos?!...
- De toscos - respondeu o mestre. - Além dos carpinteiros de limpos, há os carpinteiros de toscos - e explicou que seriam os que metiam barrotes, por exemplo, num telhado, para se depois porem as telhas.
- E o marceneiro faz um trabalho mais artístico - atalhou então o jornalista com sabedoria incontida.
O mestre lá foi conseguindo dizer que o marceneiro executa móveis ou ornamentos em madeira até que o jornalista intempestivo lhe atirou que...
- Alguns marceneiros podem até fazer o design das peças que executam.
O mestre hesitou, acabando por dizer:
- Isso de design já não sei...
Nota: o mestre e a imagem são da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva; o jornalista é da rádio. Uma nota final; o texto pode eventualmente transmitir uma certa ironia por parte do mestre que, em boa verdade, não foi nunca percebida por mim durante a entrevista. O mestre foi mais genuíno do que o texto dá a entender.
Terá talvez sido um carpinteiro de toscos, digo de tosco.
ResponderEliminarAbraço
Foi. Assentou um barrote.
ResponderEliminarCumpts.
ResponderEliminarCaro Amigo,
O texto transmite, de facto, certa ironia sábia, como pediria a desconchavada intromissão do locutor, presumivelmente um hodierno jornalista, com Licenciatura passada, por certo, quiçá, por Universidade Independente.
Quanto à nomeação, parabéns e também um agradecimento, pelo acto de me haver incluído nos seus destinatários de novas nomeações.
Um abraço.
Graças a Deus que não acompanhei tão "incontornável" entrevista.É que já me falta paciência.Mas bem haja por nos dar notícia desta pérola.
ResponderEliminarAbsolutamente fabuloso.
ResponderEliminarTraduz com exactidão a falta de respeito que grassa. Porque é disso que se trata.
Aliada à imensa e injustificada vaidade.
Salvo honrosas excepções, os 'jornalistas' sabem tudo, dominam e debitam sobre o que e quem quer que seja.
Escrevem, também.
Já não se aprende (além de outros imensos e relevantíssimos princípios educacionais e éticos) que a arte da entrevista reside precisamente em, após apresentar a personalidade e lhe dar o mote, a deixar discorrer.
Sendo boa, não se sentirá a falta de mais nada.
Nem de perguntas.
onde está a noção do "não se interrompe quem fala" que eu aprendi como "não se interrompem os mais velhos"? ..
ResponderEliminarTem razão Margarida (com a sua licença Caro Bic) .. é sem dúvida a falta de respeito a pautar tudo e todos .. (haja excepções!)
Cumprimentos :)
Quer-me parecer, Amigo Bic, que se trata de uma entrevista a precisar de ser aplainada...
ResponderEliminarAbraço
Este jornalista ouvi-o eu em diálogo com os seus ouvintes sobre o acordo ortográfico, aviltar os que exprimiam opinião negativa. Arrogava-se esse desplante e demonstrava a sua autoridade exibindo toda a sua ignorância sobre a matéria.
ResponderEliminarCreio que não deu pela figura que fez.
Cumpts.
É só mais um caso da desgraça que anda por aí. Olhe, é como aquele político!...
ResponderEliminarCumpts.
Os entrevistados servem só de enfeite. A personalidade hoje em dia é o próprio jornalista.
ResponderEliminarCumpts.
Falta de respeito própria de gente mimada.
ResponderEliminarAi de quem diga mal dum jornalista...
Cumpts.
Gastava-se a lâmina à plaina.
ResponderEliminarCumpts.