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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Economia

 A Diplomacia usa a mentira com requinte. Já o jogo na bolsa...A Finança: o Grande Cão (R.B.Pinheiro, 1900)

 A quantidade de especialistas em economia, banqueiros, &c. que tem aparecido na televisão é quase como se, por causa da onda de assaltos, se chamassem eminentes larápios para justificar-se publicamente. No fim de semana ouvi de raspão um daqueles condenar com certo  desdém a nacionalização do banco Fortis na Bélgica e na Holanda. No conceito do especialista em assuntos económicos - havia um grande banco francês interessado no Fortis - o mercado não funcionou regularmente porque os belgas e os holandeses não se permitem muito liberalmente tolerar que os franceses mandem no seu maior banco. Confesso que de economia só sei o que os gregos perceberam há muitos séculos: oikos nomia (oikos nomia) significa governo da casa. E parece-me que foi precisamente isso que os belgas e os holandeses fizeram: trataram do governo da sua casa. No fim dos anos 20 um professor de Coimbra fez o mesmo e conseguiu superavits para a família quando na América tudo ruía com a Grande Depressão.

 O governo da casa guarda em si uma moral familiar, um conceito de união e justiça entre os da família. Já a economia de mercado se assemelha aos bichos da selva (os grandes comem os pequenos), mas com selvajaria de humanos. Em assim sendo, entregar o governo da casa a estranhos ou a batoteiros de casino dá no mesmo: em desgoverno.



 


Rafael Bordalo Pinheiro, A Finança: o Grande Cão.

Capa d' A Paródia, nº 2, 24 de Janeiro de 1900.

6 comentários:

  1. Margarida Pereira2/10/08 11:00

    Observação clara em tempos turvos.
    Ilustração apropriadíssima.
    A actualidade da mesma é tenebrosa...

    O cerne do problema é e será sempre o mesmo: a ganância.
    A esta dá o braço a toleima tão humana, o destino toma rédeas e o descalabro horizonta-se.
    Educada que fui por quem passou mesmo fome e sempre lutou muito para conquistar tudo, aprendi que para gastar um tinha de ter uns cinco. Ou mais.
    E agradeço muito todos os princípios de cautela e frugalidade. Que ainda hoje são basilares nas nossas vidas. E que deram bons frutos.
    Porque é que as pessoas se deslumbram com quinquilharias e miragens?
    Porque é que crescem as cigarras e fenecem as formigas?
    Para que se quer tanto, em detrimento de se ser mais?
    Faltam princípios, normas, espiritualidade. Respeito. Por si, pelos outros, pelo que nem se sabe.
    Contenção. Ponderação. Equilíbrio.
    Mas este é um caminho fatalmente contínuo.
    Só se salva quem pode.
    Só se perde quem quer.

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  2. espero que todos tenham bem presente a gravidade de que se revestirá a última consequência desse mesmo desgoverno, Caro Bic .. a bem dos próprios e dos seus filhos.

    Permita-me deixar um comentário sobre o brilhante comentário de Margarida, com o qual concordo na íntegra. :)
    Obrigada
    Cumprimentos

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  3. Ponha mais destas, ponha e vai ver as sociedades protectoras dos animais que se agarrarão a tal julgamento! Claro que a alimária da nossa vida pública, realisticamente tratada na vertente de esfaimada, apresenta-se, todavia sem o aspecto de trinca-espinhas que constitua atenuante.
    Abraço, Caro Bic

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  4. Bic Laranja2/10/08 23:53

    É a ganância, pois. E falta de tino para a justa medida das coisas.
    Cumpts.

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  5. Bic Laranja2/10/08 23:56

    Não sei se essa gente enxerga um palmo além da própria avidez. Nem os filhos, creio, lhes mudam a perspectiva.
    Cumpts.

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  6. Bic Laranja2/10/08 23:58

    O boneco é de 1900. Ainda a excelência da maximização pós-industrial não tinha produzido a fórmula dos caninos obesos.
    Cumpts.

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