Confesso que já não sei. Primeiro pareceu-me a má-criação habitual com delação a condizer pelos parasitas do costume. Ao depois admiti que fosse manobra para distrair o pagode do tracto duvidoso oleoso com o sr. Chaves da Venezuela, colhendo de caminho dividendos eleiçoeiros com uma fantochada de pecadilho e arrependimento.
Mas não sei, já. Um logro assim exige afoiteza, inteligência; e eu só descubro na personagem descaramento e esperteza saloia.
Talvez seja o muito tempo com os braços caídos... Meu, claro.
Vede! A estes não lhes puxa o vício. Há mais que fazer...

Moços de frete galegos com padiola, Lisboa, 1908.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Trabalhar como um galego. Um mouro de trabalho. Mas não conheço frase nenhuma que atribua tal vontade de trabalhar ao português. No entanto, no tal Brasil do Acordo Ortográfico, nomeadamente no Rio de Janeiro e até aos finais dos anos 50, chamavam aos portugueses que lá trabalhvam, depreciativamente, "galegos".
ResponderEliminarAinda conhecí o que penso ter sido o último moço de fretes galego. Estacionava habitualmente, há-de haver um quarto de século, na R. dos Sapateiros, perto do Animatógrapho do Rossio, vestido a preceito, de chapa no boné e corda do ofício ao ombro, derradeiro personagem de um mundo extinto. De então para cá, para além de se terem invertido os fluxos migratórios, os actuais moços de fretes, lusos de nação, como já não "trabalham como galegos", dedicam o muito tempo livre à bufaria, como forma de manter viva esta tradição, profundamente enraizada e largamente praticada entre nós.
A.v.o.
Meu caro Bic, pensei que poderia ter sido o caso de quem se sente acima da lei, como um «intocável». Mas acho que lhe falta «dignidade». Acho que foi apenas o caso de quem espreita uma fuga à lei, como um «chico-esperto».
ResponderEliminarMeu Caro Bic: é que nem todos os moços de fretes são iguais: os de Bruxelas são recompensados com o tempo livre que lhes permita atirar-nos o fumo para a cara. Altas protecções, ou não estivessem a norte! Abraço
ResponderEliminarÉ isso mesmo que eu penso. Cumpts.
ResponderEliminarTemos a inversão de papéis sim - aburguesámo-nos a ver telenovelas brasileiras, será? - os brasileiros são cá mais galegos que nós, que temo novos afazeres... Cumpts.
ResponderEliminarMas não será caso para dizermos que o fumo fica à porta como os cães (salvo primeiros ministros)?
ResponderEliminarCumpts.