| início |

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Como o vício vem do ócio, inflama-se o vício e não o negócio

 Primeiro fica-se abismado. Mas então…
 Imaginai um sujeito espertalhão como poucos, com boa pinta mas má rês, apanhado a mentir diversas vezes e sempre forjando a verdade… Pois um farsante destes comete um pecadilho e põe-se de repente a pedir desculpas com uma tal ingenuidade, a ponto de invocar em sua defesa o desconhecimento das leis?! Logo ele que fez uma lei punindo o pecadilho que cometeu?!
 Pois pasmai! A dor de haver ofendido é tão profunda que em contrição promete o sujeito largar o vício. Mas não o negócio, que assim o risco deste se inflamar é muito menor…


Comboio cisterna, Olivais [ou Cabo Ruivo], 1962.
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

10 comentários:

  1. Um negócio entre bandidos é como outro qualquer.

    ResponderEliminar
  2. O melhor mesmo é obrigar o “nosso” Primeiro a viajar sempre de cisterna. Duvido que lhe volte o vício! :-)

    ResponderEliminar
  3. Entretanto pus-me a pensar e achei a chave para estes desenvolvimentos - o protagonista não fazia ideia da lei ou regulamento porque não a terá feito, mantém o hábito atribuído a projectos antigos, de assinar o que é doutros. Como com o convertido em bens cheque do "pitróilo", que nos obriga a todos.
    Abraço

    ResponderEliminar
  4. Desde que ambos o cumpram. Cumpts.

    ResponderEliminar
  5. Ah! Mas é com a cisterna cheia que ele vai tornar de lá?!...
    Cumpts. :)

    ResponderEliminar
  6. Todos os projectos são assinados por ele, pois... Cumpts.

    ResponderEliminar
  7. Não me parece bem que o nosso primeiro deixe de fumar. É menos uma verba que entra nos cofres públicos, o que é mais um mau exemplo e, além disso, dá aos queixinhas a oportunidade de dizerem que, apesar dele ter prometido que deixava de fumar, eles continuam a sentir o gosto da nicotina cada vez que vão ao beija-mão.
    A.v.o.

    ResponderEliminar
  8. Patetices primo-ministeriais à parte, o que esta foto me faz lembrar é um grupo de rapazinhos imberbes (hoje chamar-lhe-iam cianças) que adoravam apanhar uma "boleias" nos vagões que manobravam na "Doca de Xabregas" (nunca percebí porque é que chamavam "doca" àquilo que é um cais) rebocados pelos tractores Sentinel. Na época, esses vagões, pintados cor de sangue sêco, tinham guaritas para os guarda-freios. Em alguns deles, fechados, as guaritas eram no topo, ao centro, acessiveis por degraus, tudo em madeira. Noutros, abertos, a guarita ficava ao nível do "chassis" e era ladeada por varandins com guardas em ferro. Estes eram os preferidos. Uma viagem destas, com a malta apoiada nas guardas, de cabelos ao vento, valia anos de vida. Mas não há bela sem senão. Os ferroviários entendiam, sensatamente, que aquilo era perigoso para os putos e toca de os correrem à pedrada ou sob a ameaça directa dumas mocadas dadas com os paus das bandeiras. Mas, de vez enquanto alguns, mais sensíveis, acediam aos pedidos da rapaziada e contra a promessa de se manterem sossegados e não saltarem para o chão com os vagões em andamento (esta alínea era a mais dolorosa de cumprir) faziam-se viagens inolvidaveis à beira-Tejo, ora nas guaritas ora dentro dos vagões, com as portas de correr abertas, sentados no estrado e com os pés nos estribos, à desfilada, livros da escola ao lado, imaginando viagens pelo Portual rural.
    A.v.o.

    ResponderEliminar
  9. Nesses tempos os moços andavam à pendura nesses veículos todos: vagões, plataformas de autocarros e eléctricos, camionetas de taipais e por aí fora... Deu tudo em paranóia e temos uma bela sociedade caguinchas com crianças até aos 30 ou 40.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  10. Não deixa. Mas pode sempre dizê-lo como estratégia de comunicação... E repeti-lo sempre que se descubra que 'não o consegue' para se manifestar humano. Cumpts.

    ResponderEliminar