Cidadão João Gonçalves (Travessa do) — Freguesia dos Anjos — Tem constituído até hoje um mistério, o nome desta pequena serventia que faz a comunicação entre o largo do Intendente e a avenida Almirante Reis. Que cidadão teria sido aquele? Qual João Gonçalves? Tem-se perguntado: o dr. João Gonçalves, de Vila Franca de Xira, que foi deputado às constituintes da república? Algum exaltado republicano do sítio? Algum livre-pensador? Ninguém tem sabido responder. Ora certo dia, (do ano de 1938), o sr. Matos Sequeira referiu-se ao mistério que constituía este dístico, num artigo publicado, salvo erro, no Século Ilustrado, e na semana seguinte recebeu uma carta do sr. Jacinto José Barbosa, de Vila Nova de Cerveira, na qual explicava quem era o cidadão João Gonçalves. Deitaram-se foguetes. E de posse da chave do enigma, o sr. Matos Sequeira, sabendo que nos interessam estes assuntos toponímicos, teve a amabilidade, que agradecemos, de nos oferecer uma cópia da carta, razão porque podemos informar hoje os nossos leitores que aquele cidadão foi merceeiro, proprietário de três mercearias, (ao cimo da Calçada de Agostinho de Carvalho, na rua de Arroios e na rua da Graça), foi um organizador de associações de classe e também fundador do Centro Eleitoral Republicano, nas freguesias dos Anjos e de S. Jorge de Arroios. Ainda segundo o mesmo informador, o cidadão João Gonçalves faleceu antes da implantação da república. Luiz Pastor de Macedo, Lisboa de Lés a Lés, vol. III, 3.ª ed., C.M.L., 1985, pp. 34, 35. |
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Imagem: Entrada de uma mercearia na Tr. Cidadão João Gonçalves, 6, Lisboa, 1964. Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. |
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sábado, 17 de maio de 2008
O cidadão que foi súbdito
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Belo verbete!
ResponderEliminarE viva o cidadão:)
Caro Amigo
ResponderEliminarTenho acompanhado o seu BLOGUE à algum tempo. Acho-o muito interessante e de salutar oportunidade em alguns temas abordados.
Hoje vi, também, com curiosidade o tema abordado da (Travessa do cidadão João Gonçalves, que está muito
bem elaborado.
Felicidades,
Saudações Bloquistas "
Esta mercearia há dezenas de anos que mudou de ramo. Apesar de não ser talho, vende-se aquí carne a preços populares, para quem não seja muito exigente. Situação idêntica aconteceu a outros estabelecimentos do bairro, que já viu melhores dias e onde também há coisas interessantes e gente pacata. Bem próximo da antiga mercearia, viveu o intendente Diogo Inácio de Pina Manique e foi brutalmente morto a tiro um dos heróis da República, o almirante Machado Santos, em 19 de Outubro de 1921, no triste episódio da "camioneta-fantasma".
ResponderEliminarFala-se muito da reabilitação do local mas, até agora não passou da conversa fiada do costume. Como não conseguem curar a enfermidade, estabeleceram uma espécie de cordão sanitário para evitar que ela se propague. Formou-se, assim, um "habitat" protegido ao dispôr dos estudiosos da matéria.
A.v.o.
Esperemos que nas contas das mercearias tenha havido mais honestidade do que era comum no acaudilhamento eleitoral da tendência referida. Abraço, Caro Bic
ResponderEliminarO grande e tão esquecido Matos Sequeira era uma "enciclopédia" sobre Lisboa.
ResponderEliminarTem piada. Também o meu pai teve uma Mercearia com umas portas, um cartaz e um letreiro idênticos ao da fotografia.
ResponderEliminarSituava-se na Av Conde Valbom.
Não teve nenhum nome de rua...
mas também não teria sido organizador de associações de classe.
Querido vizinho:
ResponderEliminarOlhe que tenho saudades de o ler.
Cumprimentos e escreva um bilhetinho para nos consolarmos.
Obrigado! Cumpts.
ResponderEliminarGentileza sua. Obrigado!
ResponderEliminarUm maná para a Antropologia, concordo. Muito obrigado pelo seu informativo comentário. Cumpts.
ResponderEliminarAdmitamos que sim para não agravar... Cumpts.
ResponderEliminarFoi um cidadão respeitável em todo o caso. A prole, sei-o bem, não o desmente. Cumpts. :)
ResponderEliminarÉ muito gentil. Obrigado! :)
ResponderEliminarE tanto assim é que nem reedições da obra aparecem. Que se há-de fazer?!... Cumpts.
ResponderEliminarComprei um na Feira da Ladra passada, por cinco euros. Ainda se arranjam!
ResponderEliminarE artigos dispersos em outras publicações. Tenho estado a postar um artigo dele aparecido num almanaque referente a Alfama, espectacular.
Cumprimentos.
Aparecer aparecem. Mas nos escaparates só há janaria. Cumpts.
ResponderEliminarBom dia,
ResponderEliminarCruzei-me com este blog numa pesquisa pelo nome do meu bisavô, Jacinto José Barbosa, de Vila Nova de Cerveira.
Da leitura não entendi se dispõe da referida carta do meu bisavó Jacinto José Barbosa, à qual gostaria de ter acesso.
Cumprimentos,
Margarida Barbosa
Prezada Senhora,
ResponderEliminarA carta de seu bisavô foi dirigida ao jornalista e olisipógrafo, o sr. Gustavo Matos Sequeira. Apenas tenho conhecimento dela e do seu autor, o sr. seu bisavô, pelo excerto da «Lisboa de Lés a Lés» transcrito acima. A existir ainda, a carta deverá estar no espólio do sr. Gustavo Matos Sequeira, provàvelmente na posse de seus herdeiros, não sei ao certo. Feliz ano novo!