| Há duas ou três semanas que dei notícia das andorinhas aí pelas lezírias. Uma destas manhãs vinham umas voando baixo; passaram um poucochinho sobre a minha cabeça. Foi numa rua na Venda Nova. Ontem lá estavam, muitas, esvoaçando pelo prado da quinta que o presidente da Comissão vendeu a um amigo. E hoje julgo que chegou a porta-estandarte que traz a Primavera. A imagem não tem andorinhas; é dum Inverno com Lisboa ensolarada e o Monsanto coberto de neve. Mais um Inverno que ficou para trás. |
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Notas: na serra do Monsanto vedes no cume o forte e na meia encosta as casinhas do aqueduto; num cabeço intermédio o Moinho das Cruzes que ainda existe, embora abafado na mata. As casas mais distantes bordejavam o último troço da Rua de Campolide que já aqui falei; adiante delas - no lado de lá da estrada onde se vê o arvoredo - era o Casal do Sola. As casas mais cá - as três que se vê mais do que o telhado - na direcção do moinho das cruzes ficam na Rua Basílio Teles; é possivel que alguma delas (ou a mais à esquerda) tenha chegado a esta Primavera, perdida no meio dos mamarrachos que povoam a zona. |
sexta-feira, 21 de março de 2008
21 de Março
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Aquele é o moinho da Quinta do Calhau?
ResponderEliminarNo Casal Novo, na Azinhaga da Picheleira, quando caíu este nevão, alguns moradores que conseguiram saír pela janela, andaram a despejar cafeteiras de água quente nas soleiras das portas para as poderem abrir (memórias da minha avó materna).
ResponderEliminarTenho a impressão que também neste ano houve um ciclone que causou bastantes estragos. Lembro-me dos mais velhos falarem "no ano do ciclone" para situarem teporalmente determinado acontecimemto. Já sería por causa do aquecimento global? Pelo menos a ida dos homens à Lua estava inocente. Cumprts.
Mais uma vez nos brinda com uma fantástica descoberta... Esta foto é maravilhosa!
ResponderEliminarDesta zona da cidade existem poucas fotos anteriores ao final dos anos 50, início de 60, altura em que se iniciou um verdadeiro massacre arquitectónico. Esta é actualmente – a par das chamadas Avenidas Novas - uma das zonas mais descaracterizadas e até bizarras na sua “organização” (veja-se o exemplo do prédio “entalado” de que já falei no meu blogue). Valem-lhe algumas ruas ainda vivas de histórias… das quais guardo muitas vivências e recordações. Ando a tentar reconhecê-las aqui na “sua” foto. Ainda estou um pouco baralhada…
Parece-me reconhecer a casa em segundo plano à nossa direita… O moinho conheço-o bem. Já lá estive várias vezes. A envolvente – no Monsanto - até está agora bem cuidada.
Se descobrir mais coisas avise aqui os seus ávidos leitores! :-)
Abraço
Luciana
Para o meu pai, que era pequeno na altura, 1945 foi sempre "o ano do Nevão", como o de 69 foi "o ano do tremor de terra". A minha mãe, da mesma idade, lembra-se de ter ido brincar com a neve para Palhavã. Há até uma foto no Arquivo do mesmo local nessa altura... Só lá falta a minha mãe! :-)
ResponderEliminarAbraço
Luciana
Caso para dizer que estas Neves de Antanho não fizeram o clima embora possam ter permitido que "pintasse" um.
ResponderEliminarApesar de um ser branco e a outra predominantemente negra, um nevão não faz uma regra, como uma andorinha não faz a Primavera, coisa reafirmada pela instabilidade atmosférica destes dias. A foto é lindíssima.
Abraço, Caro Bic
Com o devido respeito, tomo a liberdade de complememtar as suas recordações com as minhas. Aí por 1967, acompanhei várias vezes um familiar ao IPO.
ResponderEliminarO "eléctrico", "a nove" pela Rua Nicolau Betencourt abaixo, abanava-se como um cão molhado. Era um gozo aquela recta. Entrava-se na Pr. de Espanha, e da entrada do "metro" apenas se via o "M" por cima do alto matagal, com um carreiro que conduzia às escadas. À esquerda, o palácio da Embaixada de Espanha, destacava-se. À direita, os "chalets da R. Mário Castelhano e suas imediações. Era o campo. Mais ou menos ao topo da Pr. de Espanha, viravamos para a esquerda, emdirecção à R. Professor Lima Bastos. Logo a seguir à curva, do lado contrário, num plano mais alto, surgia um poço grande sombreado por uma figueira ramalhuda, cujas folhas quase roçavam o "trolley" do "eléctrico". E chegava-mos ao nosso destino, o Hospital de Palhavã, como era conhecído na altura, de fronte de moradias burguesas, com seus jardis e gradeamentos, onde as "criadas de servir", algumas
fardadas segundo o figurino clássico, faziam compras aos vendedores ambulantes. Mesmo naquela época, era um mundo à parte.
Saudações revivalistas.
Muito interessante a fotografia e muito interessantes as lembranças de todos. E é bom saber da chegada das andorinhas. Se não fazem a Primavera, anunciam-na para muito breve. Uma Páscoa feliz!
ResponderEliminarA ida à Lua tornou-se culpada e foi destronada pelo aquecimento global. Tem sabido se a gripe das aves está melhorzinha?!...
ResponderEliminarGrato por mais uma memória do Casal Novo (da sua avó, digo).
Cumpts.
A fotografia surpreendeu-me tanto (nem parece de Lisboa) que não resisti a forçar o texto e saudar as andorinhas com ela. Mas o frio do nevão entrou pela janela. Veja o frio que esteve hoje.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado! Boa Primavera para si, estimada Luísa.
ResponderEliminarCumpts.
Lindo! Parece mais uma imagem saída dum postal, de algum país nórdico!
ResponderEliminarBjs!
Fotografia espectacular.
ResponderEliminarJulgo que sim. Nos mapas que consultei chama-se Moinho das Cruzes. Cumpts.
ResponderEliminarOu da Suíça. Cumpts.
ResponderEliminarVerdade. Lisboa já não se presta a isto. Cumpts.
ResponderEliminarObrigado! Se conseguir a Luciana identificar alguma dessas casas com a que mostrou no seu blogo fico contente.
ResponderEliminarMassacre arquitectónico é um termo mui adequado para os trastes da José Malhoa. Um mimo de avenida bem planeada; até o nome foi uma sobreposição ao natural prolongamento da Ramalho Ortigão.
Cumpts.
Gostava de imaginar Lisboa assim, mas nem mesmo com esta fabulosa fotografia a ajudar consigo...
ResponderEliminarA Av. José Malhoa é mais uma prova (mal) acabada de que em Portugal (e em particular em Lisboa), o termo "planeamento urbanístico" é apenas verbo de encher.
Suponho que a gripe das aves é especialmente preocupante para as águias da Luz, com a agravante de não se vislumbrar que uma mutação da mesma possa vir a infectar os leões de Alvalade.
ResponderEliminarGostava de lhe dar boas notícias, mas o prognóstico permanece reservado. Cumps.
Agora há uma gripe dos pintos. Um dos sintomas é rogar pragas...
ResponderEliminarCumpts.
É expressão coloquial. Mera formalidade discursiva. Cumpts.
ResponderEliminarApós comparação das fotografias que em tempos tirei às moradias junto à Av. Columbano e à José Malhoa e a fotografia que o Sr. Bic descobriu no Arquivo da Câmara, posso afirmar com segurança que a casa “entalada” junto à José Malhoa é a mesma que surge na “sua” foto em primeiro plano à esquerda. Reconheci-a pelas traseiras – que também fotografei - e pelo formato da chaminé. A casa que surge em frente é uma das poucas “sobreviventes” da Rua Basílio Teles, o número 33.
ResponderEliminarEsta constatação vem finalmente satisfazer a minha curiosidade quanto ao aspecto original da área que ladeia a casa “entalada” e que actualmente muito me revolta (e o que sentirá quem lá vive?).
Das casas em primeiro plano restam actualmente apenas três, todas em muito mau estado.
Fosse eu milionária e comprava-as todas para restaurar e para servirem de exemplo…
Para ajudar à comparação, publicarei no meu blogue - assim que puder - algumas das fotos que tenho dos dois prédios na actualidade. É para ver e revoltar…
Abraço
Luciana
Obrigado Dª Luciana! Tinha espreança que pudéssems ainda reencontrar alguma destas. Mas temo que tenha os dias contados.
ResponderEliminarCumpts.
As fotos das mesmas casas hoje em dia já estão no meu blogue. É só comparar! :-(
ResponderEliminarA casa à esquerda ainda existe!! sei quem é o dono!!
ResponderEliminarCumpts. :)
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