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sexta-feira, 21 de março de 2008

21 de Março

 Há duas ou três semanas que dei notícia das andorinhas aí pelas lezírias. Uma destas manhãs vinham umas voando baixo; passaram um poucochinho sobre a minha cabeça. Foi numa rua na Venda Nova. Ontem lá estavam, muitas, esvoaçando pelo prado da quinta que o presidente da Comissão vendeu a um amigo. E hoje julgo que chegou a porta-estandarte que traz a Primavera.

 A imagem não tem andorinhas; é dum Inverno com Lisboa ensolarada e o Monsanto coberto de neve. Mais um Inverno que ficou para trás.



O Monsanto desde a Palhavã, Lisboa (F.Cunha, 1945)
Monsanto coberto de neve visto da igreja alemã, em Palhavã, Lisboa. 1945.
Ferreira da Cunha in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



 




Notas: na serra do Monsanto vedes no cume o forte e na meia encosta as casinhas do aqueduto; num cabeço intermédio o Moinho das Cruzes que ainda existe, embora abafado na mata. As casas mais distantes bordejavam o último troço da Rua de Campolide que já aqui falei; adiante delas - no lado de lá da estrada onde se vê o arvoredo - era o Casal do Sola. As casas mais cá - as três que se vê mais do que o telhado - na direcção do moinho das cruzes ficam na Rua Basílio Teles; é possivel que alguma delas (ou a mais à esquerda) tenha chegado a esta Primavera, perdida no meio dos mamarrachos que povoam a zona.


25 comentários:

  1. Aquele é o moinho da Quinta do Calhau?

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  2. No Casal Novo, na Azinhaga da Picheleira, quando caíu este nevão, alguns moradores que conseguiram saír pela janela, andaram a despejar cafeteiras de água quente nas soleiras das portas para as poderem abrir (memórias da minha avó materna).
    Tenho a impressão que também neste ano houve um ciclone que causou bastantes estragos. Lembro-me dos mais velhos falarem "no ano do ciclone" para situarem teporalmente determinado acontecimemto. Já sería por causa do aquecimento global? Pelo menos a ida dos homens à Lua estava inocente. Cumprts.

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  3. Mais uma vez nos brinda com uma fantástica descoberta... Esta foto é maravilhosa!
    Desta zona da cidade existem poucas fotos anteriores ao final dos anos 50, início de 60, altura em que se iniciou um verdadeiro massacre arquitectónico. Esta é actualmente – a par das chamadas Avenidas Novas - uma das zonas mais descaracterizadas e até bizarras na sua “organização” (veja-se o exemplo do prédio “entalado” de que já falei no meu blogue). Valem-lhe algumas ruas ainda vivas de histórias… das quais guardo muitas vivências e recordações. Ando a tentar reconhecê-las aqui na “sua” foto. Ainda estou um pouco baralhada…
    Parece-me reconhecer a casa em segundo plano à nossa direita… O moinho conheço-o bem. Já lá estive várias vezes. A envolvente – no Monsanto - até está agora bem cuidada.
    Se descobrir mais coisas avise aqui os seus ávidos leitores! :-)

    Abraço
    Luciana

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  4. Para o meu pai, que era pequeno na altura, 1945 foi sempre "o ano do Nevão", como o de 69 foi "o ano do tremor de terra". A minha mãe, da mesma idade, lembra-se de ter ido brincar com a neve para Palhavã. Há até uma foto no Arquivo do mesmo local nessa altura... Só lá falta a minha mãe! :-)

    Abraço
    Luciana

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  5. Caso para dizer que estas Neves de Antanho não fizeram o clima embora possam ter permitido que "pintasse" um.
    Apesar de um ser branco e a outra predominantemente negra, um nevão não faz uma regra, como uma andorinha não faz a Primavera, coisa reafirmada pela instabilidade atmosférica destes dias. A foto é lindíssima.
    Abraço, Caro Bic

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  6. Com o devido respeito, tomo a liberdade de complememtar as suas recordações com as minhas. Aí por 1967, acompanhei várias vezes um familiar ao IPO.
    O "eléctrico", "a nove" pela Rua Nicolau Betencourt abaixo, abanava-se como um cão molhado. Era um gozo aquela recta. Entrava-se na Pr. de Espanha, e da entrada do "metro" apenas se via o "M" por cima do alto matagal, com um carreiro que conduzia às escadas. À esquerda, o palácio da Embaixada de Espanha, destacava-se. À direita, os "chalets da R. Mário Castelhano e suas imediações. Era o campo. Mais ou menos ao topo da Pr. de Espanha, viravamos para a esquerda, emdirecção à R. Professor Lima Bastos. Logo a seguir à curva, do lado contrário, num plano mais alto, surgia um poço grande sombreado por uma figueira ramalhuda, cujas folhas quase roçavam o "trolley" do "eléctrico". E chegava-mos ao nosso destino, o Hospital de Palhavã, como era conhecído na altura, de fronte de moradias burguesas, com seus jardis e gradeamentos, onde as "criadas de servir", algumas
    fardadas segundo o figurino clássico, faziam compras aos vendedores ambulantes. Mesmo naquela época, era um mundo à parte.
    Saudações revivalistas.

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  7. Muito interessante a fotografia e muito interessantes as lembranças de todos. E é bom saber da chegada das andorinhas. Se não fazem a Primavera, anunciam-na para muito breve. Uma Páscoa feliz!

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  8. Bic Laranja23/3/08 22:33

    A ida à Lua tornou-se culpada e foi destronada pelo aquecimento global. Tem sabido se a gripe das aves está melhorzinha?!...
    Grato por mais uma memória do Casal Novo (da sua avó, digo).
    Cumpts.

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  9. Bic Laranja23/3/08 22:43

    A fotografia surpreendeu-me tanto (nem parece de Lisboa) que não resisti a forçar o texto e saudar as andorinhas com ela. Mas o frio do nevão entrou pela janela. Veja o frio que esteve hoje.
    Cumpts.

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  10. Bic Laranja23/3/08 22:44

    Obrigado! Boa Primavera para si, estimada Luísa.
    Cumpts.

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  11. Lindo! Parece mais uma imagem saída dum postal, de algum país nórdico!
    Bjs!

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  12. Bic Laranja24/3/08 19:47

    Julgo que sim. Nos mapas que consultei chama-se Moinho das Cruzes. Cumpts.

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  13. Verdade. Lisboa já não se presta a isto. Cumpts.

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  14. Obrigado! Se conseguir a Luciana identificar alguma dessas casas com a que mostrou no seu blogo fico contente.
    Massacre arquitectónico é um termo mui adequado para os trastes da José Malhoa. Um mimo de avenida bem planeada; até o nome foi uma sobreposição ao natural prolongamento da Ramalho Ortigão.
    Cumpts.

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  15. Gostava de imaginar Lisboa assim, mas nem mesmo com esta fabulosa fotografia a ajudar consigo...
    A Av. José Malhoa é mais uma prova (mal) acabada de que em Portugal (e em particular em Lisboa), o termo "planeamento urbanístico" é apenas verbo de encher.

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  16. Suponho que a gripe das aves é especialmente preocupante para as águias da Luz, com a agravante de não se vislumbrar que uma mutação da mesma possa vir a infectar os leões de Alvalade.
    Gostava de lhe dar boas notícias, mas o prognóstico permanece reservado. Cumps.

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  17. Agora há uma gripe dos pintos. Um dos sintomas é rogar pragas...
    Cumpts.

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  18. É expressão coloquial. Mera formalidade discursiva. Cumpts.

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  19. Após comparação das fotografias que em tempos tirei às moradias junto à Av. Columbano e à José Malhoa e a fotografia que o Sr. Bic descobriu no Arquivo da Câmara, posso afirmar com segurança que a casa “entalada” junto à José Malhoa é a mesma que surge na “sua” foto em primeiro plano à esquerda. Reconheci-a pelas traseiras – que também fotografei - e pelo formato da chaminé. A casa que surge em frente é uma das poucas “sobreviventes” da Rua Basílio Teles, o número 33.
    Esta constatação vem finalmente satisfazer a minha curiosidade quanto ao aspecto original da área que ladeia a casa “entalada” e que actualmente muito me revolta (e o que sentirá quem lá vive?).
    Das casas em primeiro plano restam actualmente apenas três, todas em muito mau estado.
    Fosse eu milionária e comprava-as todas para restaurar e para servirem de exemplo…

    Para ajudar à comparação, publicarei no meu blogue - assim que puder - algumas das fotos que tenho dos dois prédios na actualidade. É para ver e revoltar…

    Abraço
    Luciana

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  20. Obrigado Dª Luciana! Tinha espreança que pudéssems ainda reencontrar alguma destas. Mas temo que tenha os dias contados.
    Cumpts.

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  21. As fotos das mesmas casas hoje em dia já estão no meu blogue. É só comparar! :-(

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  22. A casa à esquerda ainda existe!! sei quem é o dono!!

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