Já nem sei há quanto tempo não andava de autocarro.
Quando me pus na paragem do 45 veio uma cigana velha falando alto perguntar-me:
— Este autocarro passa nos corrêos do Campo Grande?
Deve ser surda — pensei.
— Pois no Campo Grande passa, mas não sei onde são os correios... — respondi-lhe elevando um tanto a voz.
Calou-se e ficou para ali um instante a remoer. Nisto desata a falar da Feira. Percebi-lhe qualquer coisa meia gemida do género: — «Ai! Acabarem com a Fêra...»
— É para fazer casas — atalhei-lhe.
Ficou a olhar para mim. Pensou um pedaço lá consigo, mirou na direcção da Fêra e daí a nada disparou, puxando-me o braço.
— Casas... de habitaçã' sociáli?
Olhei para ela seriamente, a rir-me cá dentro. Não querias mais nada. Mas olha que o descaramento até te melhora os conceitos. Habitaçã' sociáli demonstra muita escola.
— Não. Casas caras.
— Casas caras?!...
Fiz que sim com a cabeça, com ar sério.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Casas caras
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Estivesse lá este obcecado que sou e logo doutrinaria a Anciã dos Zíngaros acerca de a República não se dispor a conceder Feiras Populares. A única que oferece é a dos Mitos, já deixara claro Mestre António Sardinha. Abraço, Caro Bic
ResponderEliminarPois é...nada de Feira.
ResponderEliminarGrande negócio para alguns poucos.
Mais um!
Bom Ano!
Réprobo: Na verdade a República casa bem com os ciganos. // José Quintela Soares: Uma autêntica 'roda gigante'. // Cumpts.
ResponderEliminarFico encantada em saber que também metem conversa consigo:)
ResponderEliminarE aproveito para agradecer o seu comentário do zimbório da Estrela. E vou prantar mais postais!
Cumprimentos:)
Obrigado! Vamos então lá ver os postais. Cumpts.
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