O confrade Jansenista teve um brilhantíssimo relampejo de saudade no caminho do Chiado pela Escola Politécnica. Diz ele:
A «sétima colina» corre-me nas veias, com a sua despovoada vaidade queirosiana, é a coisa mais parecida com uma aldeia que tenho para apresentar. Nunca ninguém me descerrará uma lápide por isso, mas eu já a tatuei no peito. Do lado de dentro.
Pois vejo aqui no Guia de Portugal que, antecedendo a aldeia do dito confrade, a «sétima colina» era um campo extramuros onde D. João I de Castela assentou arraial para o cerco a Lisboa; cem anos volvidos era a vasta quinta dos Andradas que ocupava o dito campo; a edificação do bairro alto seguiu-se à da ermida de S. Roque (1506), vindo para ali muita aristocracia lisboeta; em 1589 ainda acampou no semi-arrabalde a tropa de Isabel Tudor que o Prior do Crato trouxe para cercar a Lisboa filipina.
A par de velhos casarões nobres que lá vão resistindo, a toponímia campesina sobrevive nas ruas da Vinha, do Loureiro, na travessa da Horta. E qual aldeia com a sua rua direita, a série de arruamentos que se enfiam desde o actual largo de Trindade Coelho até [ao L. do Rato] constituiam, correndo na linha da cumeada, uma das vias suburbanas da capital, com o nome quinhentista de Estrada de Campolide (Guia de Portugal, vol. I, Generalidades, Lisboa e Arredores, p. 335).
Vendedora ambulante com burro, Rua Dom Pedro V, [s.d.].
Fotógrafo não identificado, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Ora o troço dessa via que dá o mote a isto que escrevemos é a Rua Dom Pedro V (antiga do Moinho de Vento): dum lado os antiquários, do outro o aparente cosmopolitismo do Pavilhão Chinês: armazém de víveres e pastelaria...
Paviilhão Chinez, mercearia e pastelaria, Lisboa, c. 1908.
Fotografia de Joshua Benoliel in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Na varanda sobre a cidade que nos oferece S. Pedro de Alcântara talvez torne eu também depois a abrandar o passo...
Por acaso, só por acaso, acho que tenho algures o anúncio desse armazém e pastelaria:)Deixa-me vasculhar!
ResponderEliminarJá foi comprar o Rómulo à Feira? :)
Rondei a zona... Mas fui arrastado para o armazém dos espanhóis. Malasuerte! Cumpts.
ResponderEliminarQue beleza de história e que belas fotografias.
ResponderEliminarSerá possível que me lembre deste Pavilhão Chinês, aí por volta dos anos 66/67?
Viva lá!!!
ResponderEliminarHá quanto tempo não vinha dar uma espreitadela ao seu blog que me parece de cara nova, excepto o local para comentar. Como é que consegui misturar estas duas características?
Continua a mostrar-nos boas fotos... Deve ter uma colecção invejável.
Um belo local - não com este aspecto, claro - do qual guardo muito boas recordações de juventude.
ResponderEliminarUma história mui resumida, Marta. Obrigado! // Viva sr. Augusto. Gosto em vê-lo por cá! // Os lugares mudam, é verdade amigo Zé. // Cumpts.
ResponderEliminarMeu Caro Bic Laranja:
ResponderEliminarMuito obrigado por me dar esta panorâmica do avoengo do bar que prefiro sobre todos. A minha ignorância desta genealogia faz-me sentir semelhante ao companheiro da comerciante. Abraço.
Não sinta. Afinal já não ignora. Cumpts. P.S.: afinal não há muito mais a saber.
ResponderEliminarEste pelo menos não deitaram a baixo e continua a manter o nome e tenho que confessar que faz as minhas delícias olhar aquela "tralha" toda.... Ai se eu pudesse. E o serviço de café ou chá que vem de um antigo paquete... Eu ADORO TRALHA......
ResponderEliminarMais uma grata memória! Tinha uma tia que era porteira num prédio na R. D. Pedro V... paredes meias com um dos muitos antiquários existentes no local... Costumávamos abastecer-nos numa mercearia que existia (não sei se ainda existe) na R. da Rosa....
ResponderEliminarEra bom ouvir inúmeras estórias contadas pelo meu tio, na sua oficina de sapateiro, localizada nas traseiras da casa da porteira... no páteo onde desmbocavam as escadas de ferro que davam acesso a todas as varandas e por onde era suposto a porteira subir para prestar assistência... ainda sinto o cheiro do couro, das solas e da cola de contacto....
E que agradáveis as brincadeiras na escada do prédio onde as caixas do correio e os funis de comunicação com os apartamentos pareciam mesmo os painéis de controlo de um águia do Espaço 1999....
Obrigada (mais uma vez) por me fazer recordar momentos felizes!
Cumprimentos
Temos uma D. Luar aos cacaréus? :) //
ResponderEliminarDe nada TJ. Obrigado eu pelo seu interessantíssimo comentário! // Cumpts.