Mas deixemos estas vielas, que dentro de uma dezena de anos terão passado à história topográfica e toponímica de Lisboa, e tomemos a Rua do Arco do Marquez do Alegrete. [...] Esta sim, na sua pobreza urbanista, tem qualquer coisa de pitoresco, vista em enfiamento, com o seu arco ao fundo, o estendal às janelas, e os estabelecimentos populares tão característicos. [...]
Ora aí temos o Arco do Marquez do Alegrete, no aspecto de 1674, ano em que foi transformada a velha porta de S. Vicente da Mouraria, assim chamada ainda em 1554. Intitula-se do Marquez do Alegrete, porque a êle se encostou o palácio cosntruído pelo Conde de Vilar Maior, antecessor da Casa dos Alegretes, depois Penalvas e Taroucas (Teles da Sylva).Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, III vol., 2ª ed., Lisboa, Vega, 1992, pp. 78, 79.
Arco do Marquês do Alegrete
Roque Gameiro, Museu da Cidade
Bem longa foi esta jornada, que nos trouxe pela Almirante Reis e pela Rua da Palma até ao Socorro, onde nem a estratigrafia do Metropolitano regista memória do nome. Percorremos as ruas da velha Mouraria já sem risco de rufias e navalhadas; já sem ruas, pois então. Vimos o decadente palácio desses marqueses que deram nome a ruas, travessas e ao famoso arco, e agora vivem apenas na memória, ou nem isso. Teimava o nosso guia Norberto de Araújo em acabar seus passeios em poesia, de redondilha menor: assim acabamos nós esta jornada, embalados pelos pregões daquele azeiteiro e daqueloutra varina. A ver vamos o que se segue...
Meu Caro Bic laranja:
ResponderEliminarOs arcos lisboetas deste tipo têm um encanto muito especial para mim. Lembro o do Bandeira, ao Rossio, e o que há perto da Academia das Ciências. E o interior? Mera passagem ou compartimento com autonomia?
Abraço.
Ora cá está ele! Não era de Alberto de Sousa, era esta a imagem, a de Roque Gameiro, que eu tinha na cabeça. Permito-me pensar que quem ficaria contente pela lembrança seria aquele que alguns de nós conhecemos como o Zeca Tarouca, o famoso erudito bibliófilo, o coleccionador de tantas das glórias dispersas da Casa do Alegrete, o grande conhecedor do Livro Português. Também, como o Arco, já lá vai...
ResponderEliminarPergunto ao amigo e ausente confrade: ao escrever hoje assumindo que o faz a 3 de Outubro, pretende o caríssimo ir ao futuro para falar do passado?
ResponderEliminarSauda-o com um abraço quem já lhe tem saudade noutras andanças.
Não pares a viagem agora! minhauuuu
ResponderEliminarProssigo nesta "viagem" entusiasmadíssima, não a interrompas , por favor! Becitos
ResponderEliminarAgra essse arco nem existe só exitindo aí professionais do sexo que vão completar serviços para a pensão monte puez
ResponderEliminarFelizes os pobres de espírito... há qualquer coisa que ruma assim... neste caso, aventuro-me a dizer que estes pobres também o pareciam, felizes, claro!
ResponderEliminarBeijinhos!
na monarquia talvez os pobres fossem menos pobres do que são na actaul republica
ResponderEliminarCheguei a este blog por mero acaso.
ResponderEliminarFiquei deliciado! Parabéns!
Vou voltar, muitas vezes.
caro amigo passa no meu blog porque tenho algo relacionado com essa zona e que tu vais gostar de comentar
ResponderEliminarCaro Paulo, os dois andares acima do arco eram divisões do prédio na rua que vinha do Poço do Borratém; as casas eram dos condes de Tarouca. Não me parece que dessem serventia ao palácio do marquês do Alegrete. Cumpts. // Je Mantiendrai: deu-me ideia que seria esta do Gameiro que tinha em mente. Quanto ao mais que me conta confesso a minha ignorância sobre o senhor (da família dos condes de Tarouca?); sobre a biblioteca dos marqueses do Alegrete descobri isto: http://www.arqnet.pt/dicionario/alegretelivraria.html (http://www.arqnet.pt/dicionario/alegretelivraria.html) . Cumpts. // Meu caro ZM: louvo a tua atenção sobre paradoxal incursão no futuro. No mais, rogo a tua benevolência. Calhando agora, se há-de compor alguma coisa. Um abraço. // Logo responderei aos restantes recados, que já é tarde e o cansaço pesa. Cumpts. a todos e obrigado pela paciência.
ResponderEliminarCaiê, Pug e Intemporal: a vantagem desta ligeira interrupção foi poder ler-se com calma e paciência a peregrinação ao Martim Moniz. Continuamos já de seguida. // Tron: reminiscências da velha Mouraria. // Borboleta: ora cá está! O erro é associar riqueza e pobreza à felicidade. // Pedro Costa: obrigado pela visita e pelas suas generosas palavras. // Cumpts. a todos vós.
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