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segunda-feira, 31 de julho de 2006

Coelho mágico

 Precisava ir buscar a sr.ª D.ª Maria Luísa à loja do cidadão. Ali chegado, aconteceu que o metropolitano se avariou e a sr.ª D.ª Maria Luísa ainda sequer chegara. Puxei então pela cabeça, vendo como haveria de aproveitar o tempo.
 — O selo do carro — lembrei-me.
Fui à loja da Fazenda Pública e tirei uma senha com o número que era logo a seguir.
 — O selo do carro, posso comprá-lo aqui?
 — Sim! Qual o seu n.º de contribuinte?
 — 191... - disse de cór cor.
 O senhor da tesouraria da Fazenda perguntou-me o nome, a morada, se os carros eram este e aquele... Batia tudo certo. Disse-me quanto era. Quando me estendeu o recibo disse que os selos seguiriam no correio.
 — Já está? — perguntei incrédulo: ali estava eu despachado em menos de 1 minuto.
 — Sim. Está tudo. Os selos hão-de ir no correio — tornou.
 — Isto assim está bom! — disse como para comigo de modo que fosse ouvido. Agradeci sorrindo e voltei-me para sair.
 — Está satisfeito? — disse risonho um colega do que me atendera. — Ainda há bocadinho um senhor reclamou. Exigia que lhe déssemos os selos logo aqui ao balcão.
 — Ah! Isso agora já não é comigo... — e levei a mão ao bolso da camisa onde tinha dobrado em quatro o recibo.
 — Boa tarde, obrigado! — despedi-me.
 E lá fui muito contente por me ter despachado na tesouraria da Fazenda num minuto e meio, incluindo a conversa fiada. E devo-o ao sr. ministro Coelho, que inaugurou aquela loja do cidadão.
Selo Carro
 Um mês depois recebi duas cartas da Fazenda: uma para cada selo.

Expesso

O Expresso pesa cerca de 2 kg e contém:


[Lista telefónica periferica.org]1 jornal, dito 1.º caderno;
1 jornal de Economia;
1 jornal de golfe;
1 jornal de gestão global;
1 revista Portugal & e Espanha;
1 jornal de imobliário;
1 revista de jogos e passatempos;
1 catálogo da Worten;
1 catálogo da Moviflor;
1 revista de finanças pessoais do banco Beste Best;
1 jornal de empregos;
1 jornal Actual;
1 revista Única;
1 catálogo de Vodafone;
1 guia Portugal de Comboio;
1 catálogo de relógios. 

 Ah! E um saco de plástico.

 




A imagem é da periférica.org; o rol refere-se ao saco de plástico de 8 de Julho.

 

domingo, 30 de julho de 2006

Noites de Verão

 As férias, o Algarve. uma curta passagem pelo Porto, e sobretudo, noites quentes de Verão [onda de calor, chamam-lhe agora], deram-me saudades desta cantiga.



Rui Veloso - A Ilha


(Carlos Tê / Rui Veloso)

Fiz-me ao mar com lua cheia
A esse mar de ruas e cafés
Com vagas de olhos a rolar
Que nem me viam no convés
Tão cegas no seu vogar

E assim fui na monção
Perdido na imensidão
Deparei com uma ilha
Uma pequena maravilha

Meia submersa
Resistindo à toada
Deu-me dois dedos de conversa
Já cheia de andar calada

Tinha um olhar acanhado
E uma blusa azul-grená
Com o botão desapertado
E por dentro tão ousado
Um peito sem soutien

Ancorámos num rochedo
Sacudimos o sal e o medo
Falámos de música e cinema
Lia Fernando Pessoa
E às vezes também fazia um poema

E no cabelo vi-lhe conchas
E na boca uma pérola a brilhar
Despiu o olhar de defesa
Pôs-me o mapa sobre a mesa

Deu-me conta dessas ilhas
Arquipélagos ao luar
Com os areais estendidos
Contra a cegueira do mar
Esperando veleiros perdidos



Rui Veloso ao Vivo (1988)


Porto, 2006

Tavira, 2006

Tavira, 2005
 

Mas já passou.

sábado, 29 de julho de 2006

O saco de plástico

Elisabeth Taylor

 Só quando estou de férias leio o jornal. O que na verdade gosto é comprar o jornal a caminho da praia, em que a antecipação de o ler me anima. A pobreza dos pasquins acaba por desencantar, mas enfim, é um hábito ligado ás férias que aprecio. No primeiro sábado a banhos deixei-me ficar refém do saco de plástico por causa duma colecçãozinha sobre os 150 anos do caminho de ferro em Portugal; por isso o continuo a comprar. Hoje, logo abaixo duma linda fotografia da Elisabeth Taylor, diz que os políticos vão a banhos e o combate ideológico arrefece: é a «silly season».
 Ficamos parvos porque arrefece o quê...?!



 Elisabeth Taylor, Sarago, Espanha, 1959.
 Foto: Expresso, n.º 1761, 29/7/2006.


sexta-feira, 28 de julho de 2006

Despedida do comboio a vapor


Despedida do comboio a vapor — Via Larga, Porto, 1977.
Fotografia: Comissão de Estudo para Instalação do Museu Ferroviário.

Claustro da Lavagem

Convento de Cristo, Tomar [(c) 2006] Claustro gótico, com dois pisos, do segundo quartel do séc. xv, onde os donatos lavavam os hábitos e levavam a cabo outras tarefas domésticas. Do piso superior obtém-se um bom enquadramento gótico da charola do convento.
Convento de Cristo, Tomar, 2006.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Piso escorregadio

Desde 69 para cá já mudaram o asfalto e parece que também houve obras nos gasómetros. Mas continua-se a patinar por ali.

Av. Infante Santo, Lisboa (A.I.Bastos, 1969)
Av. Infante Santo, Lisboa, 1969.
Fotografia de Artur Inácio Bastos, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Trabalhos na Av. de Roma

Em fundo, o Júlio de Matos.

Av. Roma, Lisboa (F.Cunha: 1947) presidente da C.M.L. visita as obras do bairro de Alvalade, Lisboa, 1947.
Fotografia de Ferreira da Cunha, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 26 de julho de 2006

O gato do 2º esq.

Quinze dias a banhos e - vindos da praia - o bichano lá estava empoleirado no parapeito. Naquele canto da varanda, patinha estendida tocando o segundo varão.

O gato do 2º, Albufeira [(c) 2006]
Pinhal da Falésia, Algarve, 2006.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Casa de tipo regional

Olhão com as suas açoteias e mirantes (Museu Fotográfico de Olhão, s.d.)
 « A habitação primitiva é um cubo com uma porta e uma janela. Em cima a açoteia, para onde se sobe por degraus de tijolos, e muitas vezes sobre a açoteia o mirante. Entro num e noutro destes buracos com as telhas assentes em canas. Todos eles reluzem de cal. Dois compartimentos: a chaminé, que é o nome da cozinha, e a casa de fora. Uma esteira no chão, uma cama com uma colcha de seda, que só serve nos dias de festa, uma cómoda e um bancal de renda. A um canto um pote e o indispensável pincel. Caia-se tudo. Caia-se o lar e os degraus. Caia-se sempre. É um delírio de branco. Subo à açoteia - a melhor parte da casa. O homem de Olhão tem por ela uma paixão entranhada. Se um vizinho a ergue, ele nunca fica atrás - levanta-a logo mais alto. É que a açoteia é o seu encanto: sítio esplêndido para respirar, eira para a alfarroba e o figo, e quarto para dormir no Verão sob um pedaço de vela.»

  Raul Brandão, in Pescadores (1923).

Orada, Albufeira [(c) 2006]
Casa de novíssimo tipo regional, Orada (marina de Albufeira), 2006.

[Quantos milímetros de literatura inspirará este novíssimo tipo regional?]
Alterado em 26/7 ao meio-dia.


domingo, 23 de julho de 2006

O fundador!

 Como muitos, tenho andado curioso acerca da fisionomia de D. Afonso Henriques. Inesperadamente, descobri a sua verdadeira figura no Largo João Franco em Guimarães: era branco, media cerca de 2,5m de altura, pesava bastante...

Fundador!, Guimarães (L.Gonçalves: 2006)
Largo João Franco, Guimarães, 2006.
Foto: Luísa Gonçalves.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Óbidos e os Castelãos

 Na crise de 1383-85 o alcaide de Óbidos tomou partido por Castela.
 Quando o Mestre levantou o cerco a Torres Vedras determinando ir-se com as suas gentes para Leyrea, em passando per amtre Obidos [...] se lamçou com os Castellaãos Alvoro Fernamdez Turrichaão, Comendador de Monte Moor o Novo, e outros (1). Apesar disso, sabemos como o Mestre venceu os de Castela, tornando-se por fim a vila de Óbidos e toda-las outras para Portugal. Por isso achei graça ontem ver mercadores castelãos arredados para fora dos muros da vila, vendendo tés e remedios caseros devidamente identificados em português lá de Castela.
 Ou seria chás e mezinhas...?

Mercado medieval, Óbidos [(c) 2006]
Campo do mercado medieval, Óbidos, 2006.

 Daquele Álvaro Fernandes Turrichão, e outros, não soube mais notícia…




(1) Fernão Lopes, Crónica de D. João I, vol. 1, [s.l.], Civilização, imp. 1994, p.388.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

sábado, 1 de julho de 2006

Deserto...

Praia da Comporta, 2006
Alentejo, 2006