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segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Eugénio dos Santos

 Eugénio dos Santos de Carvalho (1711-1760). Arquitecto e engenheiro, foi autor do plano de reconstrução da baixa de Lisboa depois do terramoto de 1755.


 Cursou na aula de fortificação onde pontificava o engenheiro Manuel da Maia. Trabalhou em obras das praças alentejanas: projectou alterações ao paço de Estremoz para instalação do armazém de guerra e interveio nas alterações do quartel dos Dragões em Évora. Deve-se-lhe a génese do projecto da cadeia da Relação no Porto, o Real Celeiro Comum em Lisboa, intervenções no Hospital Real das Caldas da Rainha e a direcção das obras reais de Nossa Senhora das Necessidades após o falecimento do arquitecto régio, o engenheiro Custódio Vieira. Foi depois director da Casa do Risco das Obras Públicas (12 de Junho de 1756).
 O seu plano de reconstrução da baixa (em colaboração com o engenheiro António Carlos Andreis, numa equipa que incluía também Carlos Mardel), logo aceite pelo engenheiro-mor Manuel da Maia, apresentou um funcional traçado ortogonal, conjugado com a manutenção do Rossio e do Terreiro do Paço; incluía o desenho da Praça do Comércio com uma extensa arcaria fechada por um monumental arco triunfal e desenhos uniformes das fachadas dos quarteirões. O plano operava uma síntese entre os estilos barroco, neoclássico e experiência da engenharia militar.


Eugenio dos Santos
Retrato de Eugénio dos Santos de Carvalho
Óleo sobre tela, 620 x 497 mm
A. n/ ident., séc. XVIII, Associação dos Arqueólogos Portugueses.





Terreiro do Paço

Praça do Comércio da Cidade de Lisboa

Gravura colorida, séc. XVIII, 410 x 825 mm
Projecto para a Praça do Comércio atribuído a Eugénio dos Santos.


 




Ref.ª: Leonor Ferrão, Um oficial do Génio e a Nova Lisboa, in Monumentos, n.º 21, Setembro 2004, pp. 66-75.

domingo, 30 de outubro de 2005

Água a potes

 Longínquas se tornam as memórias disto e daquilo...

Já podemos dar de beber aos animais.


Bebedouro, Praça do Comércio, Lisboa, 1912.
Fotos: Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Fonte: Ilustração Portuguesa, 1912 - 27 de Maio, p.674 (ILU P25).


 [Ou arranjar as varetas dos chapéus de chuva...]

O amolador

416Lisboa Costumes Portuguezes
Amolador

(Fototipia animada, c. 1900.




Edição: S. & R. [Tabacaria Rocha], Rua do Arsenal, 98 — Lisboa, apud José Manuel da Silva Passos, Bilhetes postais antigos, do Largo do Rato à Praça D. Luís: persistências e inovações no decorrer de quatro décadas = Old Postcards Of The Seventh Hill, Lisboa, Horizonte, 1994, n.º 141.


(Revisto em 5/XI/21.)

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Nem $10 dos lucros supre ao défice...

 Na época em que simulava uma vida de pato bravo, antes da 1.ª casa, cheguei a ter este negócio.

Estação de Serviço

Se fosse hoje e a valer, a 1ª casa podia ser como vedes, mas os restantes lucros não seriam repartidos por sacos azuis.

Torres de Lisboa © Luísa Gonçalves 2004
Torres de Lisboa, 2.ª circular, 2004.                                                    
© Luísa Gonçalves

Assim não sendo, só resta resignar-me à cantiga dos menos ais.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

O 17A

 O eléctrico 17A ia só para a Praça do Comércio.
 Quando a mãe ia pagar a renda da casa à Confidente, na baixa, tanto fazia o ir no 17 como 17A. Numa dessas vezes cismei que queria ir para a Trafaria. Quando saímos na Praça da Figueira desatei num berreiro.
 -- Quero ir para Trafaria! Quero ir para a Trafaria!
 -- Não vês que o tempo está frio, filho? Não se pode ir para a praia.
 Os meninos de cinco anos, especialmente os mimados, não se conformam com não ser tempo de praia.
 E dei então em espernear.
 -- Mas eu quero ir apanhar o barco! Eu quero ir para a Trafaria!
 -- Ó filho, o eléctrico nem vai para Belém! Este é o 17A. Vai só para o Terreiro do Paço [a mãe raramente dizia Praça do Comércio].
 A mãe tinha de pagar a renda e não tive remédio senão ir à Confidente.
 E aprendi uma coisa que ainda me lembra: o 17A ia só para a Praça do Comércio, ou melhor, Terreiro do Paço.

A Mouraria antes das Demolições. Troço final da Rua dos Fanqueiros (Rua D. Duarte), Lisboa (Judah Benoliel, 195...)
Foto: Arquivo Fotográfico da C.M.L., A26452.
[autor e título indisponíveis por dificuldade informática].

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Zé careca

 A barraca do Zé careca ficava ao fundo da Rua Frederico Perry Vidal na Picheleira. O Zé careca tinha um triciclo Zundapp de padiola à frente em que vendia peixe na praça. A barraca era uma taberna onde o Zé careca aviava copos de três, bagaço e aguardente aos fregueses. Atrás da barraca havia uma capoeira com galinhas e perus. Nós gostávamos de ir ao pé da rede da capoeira do Zé careca gritar aos perus:
— Peru velho! Peru velho! Peru velho! — E os perus respondiam — Glu glu glu!


Pátio com barracas de madeira, Lisboa, 1950-59.Foto: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Pátio com barracas de madeira, Lisboa, 1950-59.
Foto: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

O guia

 Qualquer visita a Roma exige um guia. Normalmente usa-se guias em papel, encadernados e no idioma que mais convier. Mas há-os também de bronze, cujo idioma presumo seja o Latim. Esses guias parece apontarem direcções tentando guiar turistas que nada sabem de Latim...

Roma: Via dei Fori Imperiali — © 2005
[Fragmento d'] Os guias, Roma, 2005.

domingo, 23 de outubro de 2005

Venda a dinheiro n.º 02/00022546

Calhou este sábado irmos almoçar ao Linhó. Havia no restaurante uma fotografia do memorial de Vítor Manuel II de Itália. Lembrou-me desta que tenho guardada.

Memorial de Vitor Manuel II, Roma © 2005
Memorial de Vítor Manuel II, Roma, 2005.



[A venda a dinheiro é a factura do almoço.]

sábado, 22 de outubro de 2005

Sesimbra, Setembro de 2005

 Os arautos da mudança confundem-na sempre com progresso e não se cansam de apregoar aos sete ventos o mundo novo que isso traz. O problema da mudança é que pode ser para pior. Mas aí, quem volta a pôr tudo como estava? Por Agosto de 1968 Sesimbra assemelhava-se-me ao colo da mãe; aconchegante acolhedora... Em Setembro de 2005 deu-me a sensação de sobras.

Sesimbra © 2005
Sobras de Verão, Sesimbra, 2005.

domingo, 16 de outubro de 2005

A vida no galinheiro


O galo e as galinhas
Aelbert Cuyp, [s.d.].
Óleo sobre madeira, 48 x 45 cm, Museu de Belas Artes, Gand.


 Os galinácios podem estar descansados. Não há razão para alarme pois a indústria dos humanos está produzindo em massa vacinas contra a gripe das aves. Diz que o governo de Portugal adquiriu dois milhões e meio de vacinas. Segue-se um subsídio às galinhas para elas poderem vacinar-se gratuitamente.
 Lamento, mas sobre a gripe dos humanos não ouvi notícia.




Notas de pé de blogo:
Na 5.ª edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora encontro; epidemia, s. f. doença que ataca simultaneamente muitos indivíduos [...]; pandemia, s. f. pandemónio, confusão. Ultimamente ouço e vejo pandemia por epidemia generalizada (cf. Priberam, Língua Portuguesa On-line [*]). Então uma epidemia não é por definição uma coisa generalizada? Será uma pandemia de mau português?
[*] On-line no dicionário electrónico da Priberam dá este resultado: ! A palavra não foi encontrada.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Abril sobre S. Bento

 Quem subisse a Rua de S. Bento quando Joshua Benoliel tirou esta fotografia, podia ver o arco de S. Bento ainda antes de chegar à Rua Correia Garção. Presumo por outra imagem do mesmo autor (in Ilustração Portuguesa, 1911, 26 de Junho) que o arco se perfilava com a esquina sudeste do antigo convento de S. Bento, cerca do nº 198 da dita Rua de São Bento.

 O arco de S. Bento foi desmantelado por imperativos de alargamento viário (não concretizado) e hibernou durante décadas num armazém da C.M.L..



 Rua de São Bento, Lisboa (J.Benoliel, 1911)

Rua de São Bento, Lisboa, 1911.

Joshua Benoliel in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



 Foi este arco há algum tempo reconstruído na Palhavã com a evidente vantagem de haverem justaposto uma evocação de Abril à invocação de S. Bento!...

 Ora et labora!



Revisto em 24/3/07 às 9h30 da noite.

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Outono em tons de cinza

 Tem andado o Outono algo cinzento nestes dias. Dum passeio à Trafaria que já dei breve notícia aqui mantive um rascunho, também ele em tons de cinzento, contudo menos lúgubre.
 Os títulos vão num estilo barroco para dar mais... estilo.

Ponte sobre o Tejo — © 2005
Do vagar do cacilheiro e o marasmo do Tejo, rio Tejo, 2005.

Cantares, Trafaria— © 2005
Dos cantares da semana da mobilidade, Trafaria, 2005.

Praia da Trafaria — © 2005
De quando era menino e a praia dava para banhos, ou a memória disso, Trafaria, 2005.

Menino no barco, Trafaria — © 2005
Do tempo de agora com a praia engolida pelo progresso, Trafaria, 2005.

Pôr-do-Sol, Trafaria — © 2005
Da torna viagem com tempo limpo, rio Tejo, 2005.

Estação fluvial, Belém — © 2005
Da estação fluvial de Belém, Belém, 2005.

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Dia lúgubre

Dia Lúgubre © 2004
Dia lúgubre, Olivais, 2004.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

A criação de Adão

«E criou Deus o homem à sua imagem.» (Génesis, I, 27)

Criação de Adão, fresco, Capela Sistina, 2005.
A criação de Adão, Museus do Vaticano, 2005.

E os filhos do homem vieram a intrujar-se uns aos outros.
[Mesmo eu surripiei este instantâneo na capela Sistina…]

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Pasto alternativo

Ovelhas, Mem Martins — © 2005
Par de ovelhas procura outro pasto, Mem Martins, 2005.

Um par que se tresmalhou dos milhares que pastam a esta hora (8h35 da manhã) no I.C. 19.

sábado, 8 de outubro de 2005

In illo tempore

Naquele tempo, Portugal impunha a sua autoridade aos caciques...

Mousinho
Mousinho de Albuquerque captura Gungunhana.
Ilustração: Carlos Alberto in História de Portugal, 13.ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, [s.l.], 1968.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

RES PVBLICA > república

Constituição da República Portuguesa



[...]



Artigo 2.º

(Estado de direito democrático)


 A República Portuguesa é um Estado de direito democrático [...] pluralismo [...] respeito [...] direitos e liberdades [...] realização da democracia económica [?], social e cultural [...] aprofundamento da democracia participativa.


[...]



Artigo 288.º

(Limites materiais da revisão)


As leis de revisão constitucional terão de respeitar:

     a) [...]

     b) A forma republicana de governo;

     c) [...]


---- // ----

 


Questão: pode um soldado monárquico jurar, em consciência, defender esta constituição?


O Sobreiro (D. Carlos I, 1905)

O Sobreiro

D. Carlos de Bragança, 1905.

Paço Ducal - Fundação da Casa de Bragança (Vila Viçosa).

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Eclipse

e-Clips
 Um fenómeno sucintamente explicado aqui.

sábado, 1 de outubro de 2005

As longas tranças...

As longas tranças dum careca © 2005
As longas tranças de um careca
, Praia das Maçãs, 2005.

Carnes da Minha Aldeia

Carnes da Minha Aldeia — © 2005 
Carnes da Minha Aldeia, Amadora, 2005.

A cor dos preços é meramente decorativa. Para preços reais consulte o seu talho.