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quarta-feira, 26 de outubro de 2005

O 17A

 O eléctrico 17A ia só para a Praça do Comércio.
 Quando a mãe ia pagar a renda da casa à Confidente, na baixa, tanto fazia o ir no 17 como 17A. Numa dessas vezes cismei que queria ir para a Trafaria. Quando saímos na Praça da Figueira desatei num berreiro.
 -- Quero ir para Trafaria! Quero ir para a Trafaria!
 -- Não vês que o tempo está frio, filho? Não se pode ir para a praia.
 Os meninos de cinco anos, especialmente os mimados, não se conformam com não ser tempo de praia.
 E dei então em espernear.
 -- Mas eu quero ir apanhar o barco! Eu quero ir para a Trafaria!
 -- Ó filho, o eléctrico nem vai para Belém! Este é o 17A. Vai só para o Terreiro do Paço [a mãe raramente dizia Praça do Comércio].
 A mãe tinha de pagar a renda e não tive remédio senão ir à Confidente.
 E aprendi uma coisa que ainda me lembra: o 17A ia só para a Praça do Comércio, ou melhor, Terreiro do Paço.

A Mouraria antes das Demolições. Troço final da Rua dos Fanqueiros (Rua D. Duarte), Lisboa (Judah Benoliel, 195...)
Foto: Arquivo Fotográfico da C.M.L., A26452.
[autor e título indisponíveis por dificuldade informática].

2 comentários:

  1. Não fazia ideia da Rua Silva e Albuquerque nem que a Rua dos Fanqueiros ligasse com a Rua da Palma. Bjs.

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  2. Demoliu-se este quarteirão que se vê na fotografia para alargamento viário. Depois pespegaram com o hotel Mundial no mesmo sítio, suprimindo inclusive a Rua Silva e Albuquerque... Bjs.

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