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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Da velha invernia aos novos fenómenos extremos

 Há coisas que não são só de agora, mas outras dantes também não eram tanto…


«Cheia do Tejo vista das Portas do Sol no dia 29 de Dezembro», Ribatejo, in «Illustração Portugueza», n.º 203, 10/01/1910, p. [49]
Cheia do Tejo vista das Portas do Sol no dia 29 de Dezembro
, Ribatejo, 1909.
Illustração Portugueza. n.º 203, 10/I/1910, p. [49], in A.N.T.T., Empresa Pública do Jornal «O Século», Joshua Benoliel, cx. 86, neg.13.

 

 «El-rei [D. Manuel II], no Vale de Santarém, saindo da casa de Maria Serafina, a quem morreu o marido na cheia do Tejo», Portugal, in «Illustração Portugueza», n.º 203, 10/01/1910, p. 50
El-rei [D. Manuel II], no Vale de Santarém, saindo da casa de Maria Serafina, a quem morreu o marido na cheia do Tejo
, Ribatejo, 1909.
Illustração Portugueza, n.º 203, 10/I/1910, p. 50, in A.N.T.T., Empresa Pública do Jornal «O Século», Joshua Benoliel, cx. 42, neg.8.

 

 Disse eu no tempo da Ingrid (foi há dias) que os alertas de catástrofe dos velhos boletins meteorológicos eram agora dum exagero desgraçado. E que tal era sintoma da falta de noção actual de trivialidades ancestrais, como chuva no Inverno e calor no Verão, ou até do entendimento falho da natural proporção das coisas.


«Outro aspecto da cheia nas ruas da ribeira de Santarém», Ribatejo, in «O Ocidente: revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro», n.º 1193, 20/II/1912, p. 36)
Outro aspecto da cheia nas ruas da ribeira de Santarém, Ribatejo, 1912.
O Ocidente: revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.º 1193, 20/II/1912, p. 36, in A.N.T.T., Empresa Pública do Jornal «O Século», Joshua Benoliel, cx. 82, neg. 7.


 Pois entre tanto veio aí borrasca da grossa e, aquele habitual empenho aberrante em alertas coloridos a lançar o pânico por tudo e por nada mais ou menos normal para a estação do ano deu no desempenho gritante de inépcia que se viu, já pelo menosprezo no aviso de real e séria intempérie, já  — o que é pior — pelo desconcertado socorro aos povos.

 

«O abandono do lar: episódio da cheia na ribeira de Santarém», Ribatejo, in
=Illustração Portugueza+, n.º 313, 19/II/1912, p. 234

O abandono do lar: episódio da cheia na ribeira de Santarém
», Ribatejo, 1912.
Illustração Portugueza, n.º 313 (19/II/1912), p. 234, in A.N.T.T., Empresa Pública do Jornal «O Século», Joshua Benoliel, cx. 246, neg. 16.


  O que mais parece agora — para ser bondoso — é que a re publica (a coisa pública) anda por último entregue a casquilhos e janotas de secretaria sem noção do mundo, como parecem provar a curta-metragem de acção do sr. ministro coisinho e a tirada chibante do sr. primeiro ministro coiso «àqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida».

 Ou então, a realidade nua e crua é que andamos a ser gozados, não já por gente parvinha, mas por canastrões desprezívies, de má, muito má índole.

 Calhando, é tudo junto. 

1 comentário:

  1. Não temos um que se aproveite.
    E sim, todos os rios a transbordar não é coisa muito comum.
    Abraço

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