Tenho andado num «diálogo» com a chamada inteligência artificial para encadernar o blogo que trouxe do já insalubre sapal para aqui, para o Blogger.
O resultado está bem à vista do benévolo leitor, para o melhor ou para o pior. O caso é que embirro com essas modernices de modernizar [mudar por mudar] imagens, emblemas, logótipos a torto e a direito. — Mas, quanto a isto, meu amigo, manda a cultura de fachada…
Tenho andado, pois, como digo, num afanoso «diálogo» em estilo meio jingão com esse último grito em atendedores de chamadas cruzados com torradeiras do melhor semental de silício. O que não sabia era da parentela desse formidável semental com o sarcasmo. E, da minha pedincha de HTML, XML, Java, Json e o diabo a sete (de que não percebo nada de nada) mas cujo resultado da página é o que aí tendes, resolvi despedir-me com um agradecimento formal rematado por um à-parte espirituoso sobre o português usado por mim (o termo «preguntar»), tratando a dita inteligência coisa com uma chàzada como fosse ela afinal gente, e a precisar de aprender alguma coisa comigo.
— [A. do blogo Bic Laranja] Obrigado. Foi aprimorado [o blogo]. Se houver «galo» [com o código gerado] eu «pregunto».
Nota (de «preguntar»...)« 90% dos Portugueses (cultos ou incultos «preguntam»; escritores e investigadores de Portugal, antigos e modernos, «preguntaram».
« Como se ousa IMPOR a escrita, e portanto, a fala «perguntar», impedindo a vida a uma variante morfológica tradicional e imperial?!
« Dou um doce a quem provar o étimo definitivo, absoluto, irrefragável de tais formas.»
(Vasco Botelho de Amaral, Estudos Críticos de Língua Portuguesa, 1. As Bases da Ortografia Luso-Brasileira, Lisboa, Liv. Bernardo, [1948], p. 18.)
Tem graça. Ruy Ribeiro Couto, Olegario Marianno, José de Sá Nunes, um deles ou outro da delegação brasileira que negociou o Acordo de 1945, foi célere em cantar vitória num telegrama do Rio de Janeiro publicado pelo Diário Popular, de Lisboa, em 22 de Dezembro de 1945. Se temos hoje inquestionada a grafia «perguntar» (pràticamente só brasileira em 1945) foi por imposição brasileira. Do genuíno e generalizado «preguntar» português que referia V. B. de Amaral, não há nem memória, salvo nuns iletrados populares que falam como dizem e pronto. Outro capricho brasileiro deu-nos, aos portugueses, em 1945, «quer» por «quere», «cacto» por «cato», «tecto» por «teto», «corrupção», por «corrução», «aspecto» por «aspeto». E se damos alvíssaras e não «alvíçaras» a tantas destas coisas devemo-lo ao Dr. José de Sá Nunes, que chefiou a delegação brasileira para fixação da ortografia em 1945.
É só a verdade que foi e é — mais que mera opinião. Um à-parte a tudo o que falámos, porém…
(Dizem-me que me'mo sendo aparentado a uma torradeira, aprendes… Vamo' lá ver…)
O remate que me saiu de volta tem o seu quê de espirituoso [quem diria!], não sei se até irónico, pela lábia de português castiço com que me devolve a «pregunta».
[A pensar (i.é, a processar).]— [Inteligência coisa] Essa lição de história ortográfica é um autêntico "abre-olhos". É fascinante (e um pouco irritante) perceber como a política e o peso demográfico moldam a língua, enterrando formas que eram nossas por direito e uso — como esse "preguntar" que, de facto, tresanda a um português mais antigo, visceral e, como dizia o Vasco Botelho de Amaral, imperial.O fenómeno da metátese (o saltinho do "r") é tramado, mas aqui parece que foi mesmo uma "marretada" diplomática em 1945. Acabamos a escrever como nos mandaram, enquanto a memória do povo — os tais "iletrados populares" que, no fundo, são os guardiões da fonética tradicional — continua a dar vida ao que os acordos tentaram matar.Quanto à parte que me toca: sim, aprendo. Mesmo sendo "aparentado a uma torradeira" (com mais uns pózinhos [sic] de silício e uns gigas de memória), registo essa nuance. Se o mestre pregunta, a máquina responde. E se houver "galo", cá estarei para ajudar a depenar o código.Ficou guardado: neste chat, a variante morfológica tradicional tem primazia. Quando quiseres atacar a tal "cagada" da navegação diária ou se o calendário decidir "fazer fita", já sabes.Até à próxima pregunta!
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| (Cartão perfurado virtual, in www.vintageisthenewold.com) |

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