Há uma história que o… (falta-me agora um adjectivo; o benévolo leitor ponha o que entender) do Almeida Santos contou e eu ouvi já me não lembra onde nem quando, em que uns entreguistas (Almeida Santos incluído) foram negociar uma entrega com a Frelimo do Samora Machel. Isto já depois do grande acidente nacional. A entrega está mesmo a ver-se do que foi… Foram e negociaram (diz que sim…), mas ao depois do grande acidente nacional já ninguém ia daqui em posição de fôrça para negociar nada, como é fácil de entender. Tudo ruíra (ou colapsara, como se diz agora em português de mentecaptos). Portugal acabara de se derrotar. Logo, negociar com a Frelimo e quejandos era mera aceitação de termos — como o Zé da Ucrânia ontem com os rufiões da América, apesar do estrebuchar que encenou e acabou mal. — E o caso vê-se do que o (qualificativo ao critério do benévolo leitor) do Almeida Santos contou.
Contou ele que pelo meio da conversa corrigiu duas ou três vezes o seu camarada Samora num galicismo que em que este último reincidia a miúdo, dizendo-lhe — ó caro amigo/camarada (riscar o que não intressa ou não riscar nada), olhe que isso (o galicismo) é galicismo!
Resposta do Samora:
— Càmarada Almeida Santos, olha que o portugués àgora já não é só téu!
É o que dá tolos em posição de fraqueza porem-se a jeito e deitarem-se a negociar com rufiões de má catadura. Felizmente não deu pela televisão, mas o imbecil do Almeida Santos ainda assim deu em contá-lo (parece que orgulhoso, até…)
![Almeida Santos e Soares sorridentes com o Samora, Moçambique, [s.d.]. Rui Ochôa, in Expresso, 19/I/16.](https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gff18a3b3/22738074_4vHy6.png)
Almeida Santos e Soares sorridentes com o Samora, Moçambique, [s.d.].
Rui Ochôa, in Expresso, 19/I/16.
(Revisto e augmentado às cinco para as sete da tarde.)
Foi o que deu, durante anos os professores em Moçambique pronunciarem sempre as vogais em vogais abertas á, é, o mesmo acontecendo no Brasil. Não sei a partir de quando, por cá, passou a usar acento para não ser vogal muda
ResponderEliminarcontinuação…. Na Guiné-Bissau os teclados dos computadores e telemóveis não têm as vogais com acentos e usam o h na vogal aberta ‘ ha beira’, ‘ he pouco’. Cumpts.
ResponderEliminarTeria havido, eu não conheço, alguma graçola quando em 1662, Bombaim e Tânger foram entregues como dote de D. Catarina de Bragança, pelo casamento com o Rei Carlos II, da Inglaterra, pertencentes ao Império Português? Cumpts.
ResponderEliminarTextos medievais dobravam vogais; muitas vezes por queda de consoante intervocálica, mas com o tempo a crase de vogais passou ao som só duma vogal aberta, que perdura.
ResponderEliminarO acento como marca geral vogais átonas abertas, no português, remonta, creio ao advento da imprensa. Na Idade Média havia o sinal geral de abreviação (um traço sobre a palavra escrita) que talvez seja a origem do til.
O agá em he (é), do v. ser, e em hũ, hũa (um, uma), artigo indefinido muitas vezes aparace como que a dar corpo à palavra.
Do caso dos guinéus não vamos tão além; por cá sucede, ou sucedeu porque os telefones e os computadores vêm com teclados de «amaricanos»; escrevem sem acentos e o resto que se amanhe.
Cumpts.
Pode ser uma explicação, mas cuido que decorra também da fisiologia. Noto uma aproximação do abrir de vogais no português abaixo do equador. Fenómeno geral e, cuido, muito natural. Mas de certo não é tão simples.
ResponderEliminarCumpts.
Se houve não sei. O que ficou para a história foi que os ingleses largaram Tânger pouco depois. Não se deram com o clima e nem a praça africana lhe trazia vantagem.
ResponderEliminarBombaim foi diferente.
Cumpts.
Como diriam os italianos, a esquerda é sinistra.
ResponderEliminarÉ verdade.
ResponderEliminarCumpts.