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sábado, 15 de março de 2025

De Vanessas, e jornalistas fidalgos

 J.M.A., Jorge Andrade, «As muitas e incríveis histórias dos nomes próprios portugueses», Sapo, 10/III/25


 Estava a ler esta notícia sobre onomástica (perdão, genealogia dos nomes) e a dado passo, que treslado mais em baixo, lembrou-me que dantes havia Santiagos, inteiros. Mas os Tiagos agora estão muito mais na moda. Assim mesmo: truncados. Seriam o equivalente aos Tantónios se o Santo (António) tivesse decaído em São, como o Tiago…


 (Parece bem que as modas trincaram o santo e o santo foi truncado e, pelo meio da trunca/trincadela ocorrem-me também agora as Sões, que são a final Conceições truncadas, ou trincadas. Mas adiante.)


 Os ingreses vieram ao depois  — diz lá na notícia; só não diz quando foi, é curioso… — Vieram ao depois enriquecer-nos onomástica e culturalmente os Tiagos com os seus James. E assim cá temos Jaime, à portuguesa.


 Não diz ela (a notícia, nem quem na dá) que Jaime também é castelhano. E catalão (Jaume). E francês (James, Jacques). E italiano (Giacomo). E que todos, incluído o inglês, se formaram do baixo latim Jacomus, que já vinha do alatinado Jacobus tirado do Jacob hebraico.



 Outro aspecto curioso é a relação entre nomes que parecem distintos, mas que têm a mesma origem. Por exemplo, Tiago, Santiago e Iago derivam todos de Jacob [Ya’acov, no hebraico], que, ao longo do tempo, foi sendo adaptado às diferentes línguas e contextos históricos. O mesmo nome chegou ao inglês como James, que depois, pela influência inglesa, adoptámos como Jaime. Mais tarde, com o domínio filipino, herdámos Diego, que deu origem ao nosso Diogo […]



 Porém, chegado ao Diogo parei. (O sublinhado é meu). Que Diogo é variante portuguesa de Tiago já sabíamos, mas tive de parar porque ante o Diogo filipino preciso de ir já, já ali esquecer-me de dois Diogos do séc. XV, o de Teive e o de Azambuja: um que descobriu as ilhas ocidentais dos Açores no tempo do Infante; o outro que levantou o castelo da Mina no reinado de D. João II.


 Nunca existiram.


 Em Portugal, sei agora de ciência certa e incontestada, só houve Diogos ao depois de os Filipes de Espanha virem para cá com Diegos.


 (E ainda, cá para mim, do tal James inglês que adoptámos como Jaime, apesar de a notícia dizer que foi por influência inglesa, o que eu acho mesmo é que foi por algum influencer amaricano.)


 

2 comentários:

  1. E ele há muitos que vão nessas e noutras que tais...

    Cumprimentos!

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  2. Eh eh! Pois vão. Quási tôdos. É contagioso.
    Cumpts.

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