O documento em baixo guarda-se no Museu da T.A.P. Dá conta da admissão das primeiras Assistentes de Bordo dos Transportes Aéreos Portugueses em 23 de Dezembro de 1946. Entre elas mencionam-se Miss Summers, que salvo erro fôra da B.E.A. e ministrou nesses tempos o primeiro curso de Assistentes nos T.A.P., e Lourdes dos Santos Martins que foi nem mais nem menos que a Assistente de Bordo do primeiro vôo da Linha Aérea Imperial, ou linha de África, como era vulgarmente referida pelos aviadores.
A linha de África inaugurou-se oito dias depois, em 31 de Dezembro, com a partida do primeiro avião de carreira para Africa Portuguesa, como escreveu o Diario de Lisbôa na sua primeira página dêsse dia.
O jornalista Norberto Lopes viajou como convidado. Nas crónicas desta viagem que ia telegrafando ao jornal e foram sendo publicadas nos dias seguintes, usou por vezes o termo comissária para se referir à Assistente de Bordo Lourdes Martins. A notícia da partida (que não será de Norberto Lopes) refere-a, porém, como hospedeira quando apresenta os tripulantes e a respectiva função. Não estava ainda ao tempo definida no uso geral a nomenclatura da profissão que se habitualmente ainda hoje refere como de hospedeira, ou hospedeira de bordo.
Todavia a Comunicação de Serviço 1696/T do Chefe da Secretaria dos T.A.P. para a Contabilidade é clara: as senhoras admitidas passam a prestar serviço nos T.A.P. com a categoria de assistentes de bordo.
Para o pessoal da T.A.P. até hoje é o que impera. — A T.A.P. não tem hospedeiras. A T.A.P. tem Assistentes de Bordo! — é como dizem sempre sorrindo antes que alguém ouse chamar-lhe hospdeiras.

Transportes Aéreos Portugueses, Provimento de pessoal — Assistentes de Bordo, 1946.
Comunicação de Serviço 1696/T da Secretaria dos T.A.P. p/ a Contabilidade, 23/12/1946, in Museu da T.A.P.
P.S.: a designação comissária não vingou no feminino mas impôs-se no masculino.
Sem comentários:
Enviar um comentário