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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Duns borrachos

 Anteontem choveu de noite. Não sei se foi muito, foi o bastante…


 Um par de borrachos que nasceram antes do Natal e cujo ninho os progenitores fizeram num vaso com terra que tínhamos ali numa sacada, fui dar com eles mortos na manhã de domingo. O vaso deve a folhas tantas ter-se enchido de água com a chuva da noite. O bordo era meio alto para os bichos ali. Começavam a ganhar penas mas não tinham idade nem arcaboiço para se safarem por si. Todavia um deles era aguerrido: quando cheguei perto a regar umas plantas, emproou-se; encheu tanto o peito ainda penugento que parecia um balão prestes a reventar; com uma asa por sobre o irmão mais fracote que nem se mexeu, e todo emproado, ainda desferiu uma boa bicada no bico do regador. Uma épica batalha de bicos, foi…


 Mas eram só pombos, não patos. Afogaram-se, foi o que me pareceu. Deram-me os bichos certa pena, a mim e à senhora, mas o chiqueiro que havia já naquele vaso e em redor desde que fizeram para ali o ninho era uma imundície desgraçada. 


 Paciência!


 Os pais (um deles — o macho? — tem as penas da cabeça no ar que parece um punk) nem sinal deles nessa manhã. Agora, ontem e hoje, deram em rondar-nos a sacada e para ali andam meios baralhados, á procura.


 


Pombo na sacada, S. Jorge de Arroios — © 2010
Pombo na sacada, S. Jorge de Arroios — © 2010


 

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