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sexta-feira, 21 de junho de 2024

Interior original de um A.E.C. Regent III ou Regal da Carris

Inauguração da carreira 37, Rossio-Castelo, Lisboa, 1959. Armando Serôdio, in archivo photographico da C.M.L.


 Ainda me lembro dos bancos estofados de couro verde aos gomos, as molduras das janelas em madeira envernizada, as cortinas de couro ou lona verde, o chão de ripas para se não escorregar, os frisos cromados. O único plástico era a fórmica dos painéis de tecto. No meu tempo já não havia chapeleira.
 Não tinham ar condicionado, mas tinham quebra-sol ao longo das janelas e no óculo traseiro. Agora falem-me em ecologia, ou salvar o planeta ou lá o que é isso…
 As reformas em fins de 60 nestes autocarros de um piso — os primeiros que vieram, ainda pelos anos de 1940 — puseram-lhe portas automáticas e alargaram-lhe as plataformas traseiras em metro, metro e meio, retirando-lhe todos os assentos atrás do eixo traseiro para poder ensardinhar melhor os passageiros. Entre eixos, acabaram por ter só bancos de 1 lugar e não de 2, para ensardinhar mais ainda o que se pudesse o nobre passageiro, que assim viajaria confortàvelmente [ou aconchegadamente] de pé nas amplas coxias.
 Tem sido um aprimorar de qualidade que só visto. Parece-me que desde que o uso de chapéu caiu em desuso, ele é só barretes, mas ninguém repara. Já crescemos assim e a propaganda pinta a falta de qualidade ao contrário.


 


 A fotografia é da inauguração da carreira 37, Rossio-Castelo, em 10 de Agosto de 1959 e é de Armando Serôdio, à guarda do archivo photographico da C.M.L.

5 comentários:

  1. Não seria ..."para ensardinhar mais ainda o que se pudesse o nobre passageiro..", com o aumento de passageiros antes seria para não comprar mais autocarros.

    Cumpts.

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  2. Dá no mesmo, ou não?
    De resto, não comprar mais autocarros era só adiar a compra. Quando os compraram ensardinharam 90 passageiros de pé. Foi ou não?
    Cumpts.

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  3. Seria assim, então, com um aumento extraordinário de utilizadores.
    Mas, não sabemos se foi por instruções da CARRIS ou de novos modelos de fábrica.

    Cumpts.

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  4. Novos modelos de fábrica? Iludamos-nos.
    Os ingleses puseram um Leyland Olympian à experiência e a Carris nacionalizada nunca escolheu mais que as latas de sardinha suecas (Volvo) e holandesas (M.A.N.).
    Por alguma razão foi.
    Quem quiser reflicta. Quem não quiser, paciência.
    Paciência!

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