Amália Rodrigues, Lisboa Não Sejas Francesa
(Registo gravado em Nova Iorque, 1954)
* * *
Do que li, transcrevo e componho:
Esta gravação data de Março de 1954, foi efectuada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, e pertence à Banda 2 da Face B do disco EP de 45 R.P.M. editado pela «Columbia» e pela «Odeon», etiquetas da «Valentim de Carvalho», de seu nome «Amália Rodrigues – Os Amantes do Tejo» [ou «Les Amants du Tage», o que é irónico], em que a cantadeira Amália Rodrigues, acompanhada à guitarra por Domingos Camarinha, e à viola por Santos Moreira, interpreta três canções do filme «Os Amantes do Tejo», um dos filmes sensação de 1954, onde Amália foi protagonista, e este grande êxito de Mirita Casimiro.
Intitula-se «Lisboa Não Sejas Francesa», uma obra musical de Raúl Ferrão, com versos de José Galhardo, pertencente à opereta «A Invasão» de 1944 [i.é, 1945 (*)], protagonizada por Mirita Casimiro e Vasco Santana. Esta canção pede à cidade de Lisboa para que não namore os franceses, e está carregada de nacionalismo puro e duro. A peça conquistou um enorme sucesso e a actriz tinha aí um desafio de fogo, pois interpretava duas personagens, uma portuguesa e uma francesa. E foi exactamente nesta opereta que Mirita criou esta canção, que se tornou conhecida até hoje.
Alcançou bastante sucesso, mas nunca foi registado em disco pela actriz, que decidiu entregar a canção a Amália Rodrigues, que gostou imenso da canção, e gravou-a neste registo, que quando chegou a Portugal, foi um brutal e esmagador êxito!!!!!
Quando Amália cantou este tema em público, o público presente passou-se dos cornos e vibrou, entrando em estado de loucura e transe, traduzida nos gritos e berros de «Bravos» que ecoaram na sala! Rapidamente, o Sr. Valentim de Carvalho importou esta gravação, que foi oferecida à editora pela «Angel», que reeditou esta canção naquele que foi o 1.º L.P. de Amália Rodrigues, o disco «Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal Flamenco From Spain» […] O resultado foi este: toda a gente se esqueceu completamente de quem era a legítima criadora desta canção, e a criação deste fado passou a ser associado [sic] pelos especialistas à cantadeira Amália Rodrigues, quando na verdade isso é mentira.
Só recentemente é que os especialistas descobriram que afinal esta canção era uma criação de Mirita Casimiro […]
(Miguel Vaquinhas, RDZ — Radiodifusão Zonofone, in Youtube, 12/VI/17.)
(*) A Invasão estreou-se definitivamente no Maria Vitória em 16 de Fevereiro de 1945, despediu-se em 2 de Maio (cf. Diario de Lisbôa, 15/II, 16/II e 2/V/1945).
Rótulo do E.P. de 7", 45 r.p.m. Les Amants du Tage de Amália Rodrigues (Columbia — SLEG 5005, Portugal, 1955), de A. n/ id., in Discogs.
Recorte do Diario de Lisbôa de 16/II/1945.
Mirita Casimiro em cena n' A Invasão. Fotografia de Teixeira, in Paulo Vasco, «Recordações & Artistas», 26/I/2024.



No caso dos ingleses, no Porto, ninguém reparou neles. E bem podiam ter feita uma cantilena, não sei se há, sobre os ingleses que a partir do séc. XVII não mais abandonaram a cidade e a região.
ResponderEliminarCumpts.
Os ingleses eram aliados, os franceses invasores.
ResponderEliminarCamilo desancou-os naquele opúsculo do «Vinho do Porto».
Nada disso faz já sentido ao depois do fim…
Saudades.
Cumpts.
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