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sábado, 20 de abril de 2024

Luso-tropicalismo?


Vinicius de Moraes, Toquinho — Tarde em Itapuã
(Ao vivo na R.T.S.I., Lugano, 18/X/1978)


 


 Hoje acordei com isto, não sei porquê. Moleza? Fui ouvir.
 A musiqueta é mole, de feito. Embala…


 Do Vinicius falei em tempos, em como lhe apareceu um cão com a Garota de Ipanema na boca.
 Do Vinicius e do Tom — Antônio.
 
Aqui vem com o Toquinho. — Tô… Tó?… Parece-me até ouvi-lo Tuquinho na introdução. — Mas não sei nada dele, do Vinicius. Diz que era comunista, não fui ver, mas de tão incensado… Talvez seja isto, eu, agora, de irmos em Abril…


 O velho Vinicius aqui aparece embalado, suavemente, naturalmente; a garrafa na mesa há-de ser a do poema: água de côco, cachaça de rolha? Qualquer delas, da Escócia; segundo parece que o velho Vinicius apreciava…
 Menos mal, que lhe saiu bem a musiqueta e a conversa. Falava bem italiano, tirando a playapiaggia, logo emendou. — A garrafa na mesa ainda tinha a rolha?


 Reparo que Vinicius não acentua muito os dji-dji-djis da tropicália. Parece-me que o Toquinho os acentua um nadinha mais. Ou quero reparar que me parece isto e digo, pois, que nenhum deles soa fortemente os dji-dji-djis como se ouvem nas ruas de Lisboa. Uma deriva luso-tropical que se agravou desde há uns… 50 anos? O Vinicius nasceu em 1913: outro tempo, mais chegado cá…
 Um paradoxo.


 O show vem legendado, mesmo na parte portuguesa que é o poema da moleza, da canção, do luso-tropicalismo.
 E não está mal a legendagem. Bem escrita no diz-que-diz macio dos coqueirais.


 Itapuã.


 Itapuã tem graça, nome tropical genuíno, português de fabricação no alfabeto colonial em que se escreve, que é latino.
 Nos oitenta e tal comentários leio Itapuã, Itapua (Itapuá?), Itapoan, Itapoã.
 Tanto vai de acordos ortográficos com estes trópicos se nem entre si se entendem… Outros estarão na calha. Trópicos nada trôpegos.
 Tanto também vai de Tarde em Itapuã e ainda é manhã em Lisboa… Vamos lá com isto de fusos, horários, ou desfusos mentais…


 Luso-tropicalismo, eu, hem?!

6 comentários:

  1. A garrafa do escocês ainda tem rolha, normalmente a partir de metade ficava sem ela.
    A propósito de dji-djis, em crioulo da Guiné há muitas palavras começadas por dj, sendo uma delas djubi que significa olhar, ver, assistir, ou muito simplesmente olha.
    Os soldados metropolitanos passaram a chamar os rapazes 'jubi' como 'olha lá', mas rapidamente passou a ser 'ó jubi' e 'ó jubi olha lá, vai comprar cigarros'
    E o djubi de olha passou a ser jubi e jubi passou a ser rapaz, e assim ficou durante mais de dez anos.
    E rapaz em crioulo é simplesmente rapas.

    Cumpts.

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  2. Em seguimento, adianto que em crioulo da Guiné todas as vogais são abertas e todas as consoantes são lidas, assim:
    rapas = rápáss

    Cumpts.

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  3. Jubi! Esse rapas crioulo está bom de ver donde saiu.
    Do jubi = olha ao «jubi olha lá &c.» é o vai€vem do crioulo.
    Jubi é em que língua? Fula?
    Cumpts.

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  4. Vou explicar melhor.
    Djubi quer dizer em crioulo da Guiné olhar, ver, assistir ou simplesmente olha.
    Entretanto, com o hábito que os naturais chamavam um rapaz com um 'olha'(djubi) , nós os metropolitanos passamos a chamar 'jubi' convencidos que seria 'rapaz', e então urgiu o 'olha lá ó jubi'.

    Cumpts.

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  5. Sim. Estava claro. Quem se explicou mal fui eu.
    No vai-vem da linguagem o crioulo baldou o sentido.
    Jubi é crioulo, portanto. Mas não de base portuguesa, como rapas.
    Cumpts.

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