Pela lógica um talão será um talo, só que avantajado. Mas não. Nada disso. É antes uma tirinha de papel que sai da caixa registadora. Uma coisinha mínima e, a final, sem importância por aí além. Bem que lá terá o seu custo, como tudo, e o friamista onde às vezes a senhora vai ao queijo e ao friame bem lhe custa dá-lo às frèguêsas. Numas esquece-se, noutras faz-se assim esquècido, mas isso também não é caso… O caso é que o papelucho, o tal talão, bem entendido, dá-me jeito, já para conferir a despêsa, já para no verso fazer o rol das compras àmanhã, pelo que toma mais valor do que o que lhe o friamista dá, porque êle só lhe conta o custo. Meu pai também lhe dava jeito. Quando puseram os euros, fazia contas às compras no verso dos talões da caixa, em euros e em dinheiro (i.é, escudos); escrevia assim mesmo dois títulos — «euro» e «dinheiro» —, onde assentava por baixo o câmbio da despêsa e assim tomava noção do valor do que gastava. Eu, como digo, dou-lhe uso para arrolar as próximas compras porque isto a cabeça não dá para tudo e quando me cumpre fazê-las sem lista esquece-me a metade e compro a outra metade tôda ao contrário do que devia. Uma coisa prática, por tanto.
Pois tal é o caso do Lido. (Já 'gora faço um parêntesis: é isto mesmo assim, Lido, porque não há outra maneira de pronunciar em português um nome de sòmente quatro letrinhas em que três delas são consoantes; é uma possibilidade sonora só ao nível do grunhido; ora como não tenho o português por idioma de grunhos…) Porém êle há outros, não só o Lido. Normalmente multinacionais do género ou nacionais de nomeada — grandes superfícies, como dizem os jornalistas; catedrais do consumo, também dizem, e parece-me esta muito bem, porque no fundo são instituìções religiosas, como está bom de perceber… Sucede no fim de tudo que o pobre do friamista não é nada disto. Êle faz meramente as contas aos talões que gasta a imprimir na frente e que deixa de imprimir no verso sem mais devoção cristã ou pagã nem recados evangélicos aos frèguêses. Negócio para si é negócio, não há-de misturá-lo nem pôr-lhe água benta. Com êle, contas são contas, e as contas são simples, não fôssem elas de merceeiro. Eu, por mim, prefiro. É mais sincero e acaba-me por dar mais jeito. Mas tem é de se lhe pedir o talão. * * *
(Revisto às 5 e 10 da tarde.) |
terça-feira, 8 de agosto de 2023
De talões
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O talão ou a factura simplificada ?
ResponderEliminarCumpts.
Aproveito este oportuno post seu, a propósito de talões, para comentar o seguinte:
ResponderEliminar"A bem" da ecologia os grandes fornecedores (energia, água, Tv por cabo, etc.) desataram a substituir o envio físico das facturas por CTT, e a enviar por e-mail. Quem quiser o papel tem de pedir ... Até aí, até aceito.
Só que não fomos beneficiados na poupança substancial dessas empresas em correios, papel, tinteiros, impressoras, etc. Pelo contrário, servem-se do nosso e-mail para lguns deles (caso do meu fornecedor de TV por cabo e internet) para nos "bombardear" quase diariamente, repito quase diariamente, com e-mails de propaganda aos seus produtos, filmes, futebóis, etc. Não posso bloquear o endereço, a fim de não receber publicidade não solicitada, caso contrário não receberei a facturinha ... e eles sabem disso. Dirão alguns que "é a democracia a funcionar" ...
Cumprimentos
José Leite
O «...evangelizar...» que refere tem um objectivo, fazer com as pessoas se fartem da propaganda enganosa que lá vem impressa no verso e mudem para os talões digitais, mas não resulta, porque para isso você terá que instalar uma aplicação digital no seu telemóvel inteligente («smartphone» em Inglês) que por sua vez – após a instalação – fica habilitada a aceder e utilizar diversos dados e ferramentas do dispositivo, como por exemplo, as fotografias, mensagens, registo de chamadas, localização, identidade do aparelho, e a tirar fotografias e efectuar gravação de vídeo através da câmara do telemóvel assim como proceder à gravação/recolha de áudio pelo microfone.
ResponderEliminarSó quem realmente não tem noção é que instala tal aplicações no seu telemóvel inteligente.
Note-se que a digitalização não é um mal, até é útil e mais prático podermos aceder a uma quantidade de documentação pela via digital, o problema é que essa via só pode ser aplicada se o Estado criar o seu próprio sistema informático, as suas próprias aplicações digitais, que não violem a privacidade do usuário como acontece e obrigasse os privados a criar aplicativos que não recolham dados nem acedam às funcionalidades do dispositivo.
Nenhuma aplicação para telemóvel precisa de aceder a qualquer tipo de dados ou funcionalidades do dispositivo para funcionar.
Hoje existe uma ferramenta extraordinária para expor esse tipo de situações, o Livro de Reclamações digital, onde o Senhor desde o conforto da sua casa pode redigir uma exposição para resolver o problema que o afecta causado por terceiros.
ResponderEliminarExperimente que vale a pena, não só nessa questão que o importuna como em qualquer outra da qual venha a sair prejudicado.
O Livro de Reclamações digital não dá hipótese e deixa as empresas criminosas, que actuam de má-fé, numa situação complicada, porque antes as pessoas desistiam de expor e fazer valer os seus direitos porque não estavam para estar ali a pedir o Livro de Reclamações - que por vezes era negado - ou a ter de estar a escrever no local.
Muito grato pela sua gentileza, sr. Figueiredo
ResponderEliminarCumprimentos
José Leite
Eu sou como o Senhor seu Pai. Antes de comprar converto para Escudos para saber o preço real.
ResponderEliminarA vodafode cobra-me pela factura em papel. Estou-me cagando. Se houver caca, o preto no branco é que vale.
Não tenho algum smartfone; só tenho stupidfones.
Quando me ligam por qualquer prurido (para eles) digo logo que escrevam as comichões. Nada aparece.
Um paíseco de bosta — que saudades do preto mamadou baila ba que até era devedor ao fisco.
Cumps
Essa de pedir por escrito é boa. Hei-de aplicá-la.
ResponderEliminarTôdos êsses adeantados empresariais cobram a factura em papel, como se fôsse um saco plástico. Como se não tivessem o dever de a dar ao cliente. Valem-se de electrões para verter o custo duma folhinha impressa sôbre o cliente. E espèculam margem de no prêco como se fôsse mais uma venda. Miseráveis!
Isso dos telefoninhos e tudo o que são agora smarties é a teia em que nos envolvem. Em que nos amorfamente enredamos. Mas a P.I.D.E. eram os outros…
Cumpts.
É uma questão muito bem posta. Esquèceu-me ela, todavia. Inteiramente. Como só uso os talões para contas de dona de casa e para róis, como disse, essa qualidade do talão boa para fiscais das Finanças passou-me.
ResponderEliminarAliás, foi justamente para pôr o contribuinte ingénuo a contribuir ainda mais para o esbulho geral que o simples talãozinho de caixa foi graduado há uns anos em factura por artes do Diário oficial e com direito a sorteio de cenoura tipo Totoloto.
Não é como lidar com a gente. De maneira que quando me entoam como quem gagueja se é concontribuinte, respondo sempre baixinho como para não levantar suspeitas: — Fica só entre nós!
Cumpts.
Oportuno o seu comentário.
ResponderEliminarDe feito, o dízimo ecológico por «amor a Deus» ou à deusa do planeta fica com êsse novo «clero» auto-eleito.
Há coisas que nunca mudam ou sequer mudam de feição. Peor a cada dia, quando morreu a moral e se já perdeu a vergonha, como é o caso.
Valha-nos o tal livro das lamentações, se se prova realmente eficaz. Hajamos fé!…
Cumpts.
O caso parece-me mais complexo, mas o resultado será à mesma a saturação da gente e a cedência, a final, a essa panóplia de meios subreptícios que nos invadem e perscrutam a vida pessoal.
ResponderEliminarA propaganda explícita e saturante à beatitude
destas grandes empresas nas causas promovidas pelo Poder e pela burocracia é em muito para lhe serem reconhecidas certificações, licenças e privilégios e/ou para se livrarem de multas e seguirem no negócio sem contratempos burocráticos. Isto, pondo em termos muito, muito simples.
No fundo, o Poder e as grandes andam bem entendidos e a gente é mero joguete para si, para êles.
Cumpts.
Será que o talão fica mesmo mais ecológico com tanta tinta esparramada em cima do papel?
ResponderEliminarÉ como o litro. Interessa é apregoar o peixe.
ResponderEliminarCumpts.
Também, e que dizer, à 'a continha é pra já' no restaurante feita no papel toalha.
ResponderEliminarE, como não foi feito desconto, lá se vai, ou melhor dizendo lá fica o IVA no armazém.
Cumpts.
Entendo. Mas por mim, fica melhor assim que na thesouraria da Fazenda.
ResponderEliminarCumpts.
Mão vale de nada.
ResponderEliminarÉ que as operadoras de serviços básicos (internet, tv, água, gás e electricidade) possuem aqueles 50000 alíneas que as pessoas subscrevem ao aceitar a factura electrónica (e a ERC permite a cobrança de, até, 4 euros mensais, caso o cliente queira a factura física, enviada pelos ctt). Várias dessas alíneas incluem o envio de publicidade. MEO e NOS (que conheço ambas) aproveitam o envio da factura electrónica, para os chico-espertos que não colocaram o certo nos 3 quadrados seguintes, impedindo a operadora e enviar promoções de terceiros, para enviar a "newsletter", em que promovem tudo e mais alguma coisa, que não está ligado aos serviços subscritos. Já reclamei, de várias formas, e a resposta foi sempre a mesma "a empresa cumprem as normas de privacidade e marketing". O mesmo para quem tem cartões telefónicos daquelas operadoras de pré-carregamentos, em que as operadoras incluem o "envio de publicidade de terceiros", que a Wizink, seguros de saúde e empresas de créditos, tanto usam para "recrutar clientes".
Outro problema é quando precisa de ir trocar algo.
ResponderEliminarNuma loja dessas de multinacionais, tenho a app, que permite optar por receber só o talão electrónico. Um dia, com a namorada, fui comprar uns produtos, usei a app mas, devido a falha do serviço de internet, o talão não ficou completo (faltou o código QR). 3 dias depois, fui lá para trocar um dos produtos, não pude trocar. Sem o talão não podem fazer a troca. Como o talão digital não dava para passar na máquina, para validar que a compra era aquela, não me trocaram o produto. Tive de fazer uma reclamação e um pedido de segunda via do talão (que tinha todos os dados, na app, menos o QR), que demorou 18 dias. Quando corrigiram a falha, dirigi-me lá, queriam descartar-se, pois só tinha 7 dias para poder trocar e receber o valor. Só depois de pedir o livro de reclamações, o chefe lá aceitou devolver-me os 144 euros, como se estivesse a fazer um favor do tamanho do mundo.
Desde o dia seguinte, renunciei ao talão electrónico, apaguei a app, sendo que já realizámos algumas devoluções e trocas, usando os papéis, em que ninguém impôs obrigações.
Cá está! Bem dizia outro leitor. O papel fala mais alto. Os vindouros dirão se o digital não passará, a final, dum monumental apagão.
ResponderEliminarCumpts.
Não sofro do problema, portanto não saberei dizer. Todavia, numa contenda doutro género com a minha companhia dos telefones, só se resolveu com reclamação manuscrita no livro autêntico, o de papel. E foi a conselho do próprio empregado vendo a minha razão, quando levava já um par de meses em que ele por canais internos tentava sem êxito que as instâncias de sua empresa me resolvessem o caso. Assim, de sexta para segunda resolveu-se que foi um regalo.
ResponderEliminarCumpts.
Certeiro! Eu também utilizava o papel do "Lido" para as minhas listas futuras de compras...
ResponderEliminarEstes "evangelizadores" muito devotos esquecem-se, no entanto, que reutilizar é um dos "3R" da regra dos gurus da ecologia. Reutilizar e depois reciclar é melhor que só reciclar.
Abraço
Cheira-me cá que aproveitaram para se mostrarem virtuosos porque o cheiro de santidade ambiental lhe torna a vida mais sustentável: ou traz subsídio ou, no mínimo, os livra dalguma falha nalguma auditoria.
ResponderEliminarA lógica que aponta está certa, mas não há-de ter sido por ela, cuido.
Cumpts.