Deram-se agora conta dêle? Ou fazem só que se deram conta porque do espaço Schengen piaram?
Deu no noticiário da emissora 2. Mais de cem peliças criminais e das fronteiras postos agora em campo à cata dos milhares e milhares de transumantes que se espalharam por aí e lá na Europa com conivência e descaso nacional que já direi.
Um salvo-conduto sem carimbo nem chancela, mas oficial e legal e sôbre tudo válido por decreto cá da republiqueta se impresso de qualquer computador que permitisse preencher o formulàriozeco de asilo ou imigração do S.E.F. Registado, não registado; submetido, não submetido nem submetendo; carregando no «enter» ou nem nada, mas essencialmente se impresso em papel. Qualquer folha. Nêste caso, sempre legal, só aqui no quintal como na quinta inteira, da Gùiana à Finlândia.
Havia tempo já que era vê-los; de Glovo na marreca fingindo dar ao pedal nessas bicicletas a pilhas, como únicos povoadores das líricas ciclovias com que autarcas em cheiro de santidade ajardinaram a cidade — vê-los, aos refugiados, migrantes ou que lhes queiram chamar, porque à milícia fronteiriça só agora vejo. Nas notícias da rádio, não em perseguição ciclista…
Havia basto tempo, pois, que era vê-los ir à missa na lojeca ao lado da igreja vazia. Tanto que dizia enfaticamente o rapaz da oficina lá da rua ao vê-los virem ao depois da reza como uma multidão dispersante:
— Ó chefe, pois é! Tôda a gente vê e ninguém faz nada!
Diz, em fim, que alguém já faz que faz.

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