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segunda-feira, 19 de junho de 2023

O Largo de D.ª Estefânia

Obra para colocação do Neptuno na Estefânia, Lisboa (J. Benoliel, 1950)
Obra de colocação da estátua de Neptuno, Estefânia, 15/VIII/1950.
Judah Benoliel, in archivo photographico da da C.M.L. 


 Se a data desta no archivo está certa, o dia de N.ª Sr.ª de Agôsto de 1950 não foi feriado. Assim, lá corriam ao centro do Largo de D.ª Estefânia os trabalhos para a pôr o Neptuno do Chile. O Diario de Lisbôa só deu notícia do caso em 24, mas ilustrou os primeiros trabalhos para a colocação da estátua na Estefânia pouco mais ou menos como os vemos aqui semana e meia antes.
 Quando contei da mudança da estátua do Chile para a Estefânia aventei que até receber a estátua de Neptuno se achava o dito Largo de D.ª Estefânia vazio ao centro, sendo como um mero cruzamento ou entroncamento de ruas e que foi o tanque redondo que acabou por fazer dêle uma rotunda. Na fotografia do recorte de jornal não se percebia, mas nesta agora bem parece que assim devia ser, porquanto os trilhos do eléctrico que desciam do Arco do Cego seguiam em linha recta através do largo vazio, a prosseguir no trôço seguinte da Rua de D.ª Estefânia. 
 Mera curiosidade sem importância, daquelas que nos nunca nem ocorrem, mas que, empreendendo ao depois agora nela, me suscita o seguinte: aquela linha descendente do Arco do Cego seguia direitinha para o Largo de Gomes Freire, mas não se vê linha ascendente vinda de lá…
 A fotografia seguinte enquadra já a linha da Pascoal de Melo tornejando para a Rua de D.ª Estefânia no sentido do Arco do Cego. Seria esta a linha ascendente, vinda da Almirante Reis por Santa Bárbara e pela Passos Manuel o, digamos, par da outra que descia pela Gomes Freire e São Lázaro até que se encontrassem na Rua da Palma?
 Se era assim, era um par de vias opostas muito desencontradas.
 Se foi realmente assim o caso como o ponho aqui, pouco depois, em 51, já o êle era como sempre conheci, com ambos os sentidos dos eléctricos de e para o Arco do Cego pela Pascoal de Melo, Passos Manuel e Santa Bárbara. 


Obra para colocação do Neptuno na Estefânia, Lisboa (J. Benoliel, 1950)
Obra de colocação da estátua de Neptuno, Estefânia, 2/IX/1950.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L. 


*    *    *


 


Obra para colocação do Neptuno na Estefânia, Lisboa (J. Benoliel, 1950)
Largo de D.ª  Estefânia, Lisboa, [1951].
Firmino Marques da Costa, in archivo photographico da da C.M.L.

6 comentários:

  1. Que grande confusão, é caso para isso.
    Nas fotos apresentadas desaparece a linha em direcção à Gomes Freire, mas há fotografias com as obras a decorrer por cima da linha com impossibilidade de passagem de eléctricos.
    O trajecto dos eléctricos que apresenta é provável, por haver uma fotografia de 1951, da Rua Passos Manuel-Rua Pascoal de Melo com as obras da colocação de carris dos eléctricos vindos de Santa Bárbara que os doutro sentido passavam na José Estevão.
    Se assim fora, desconhecia, totalmente, esse percurso tão afastado dos eléctricos do Arco Cego para a Baixa.
    Ou pelo lado de Estefânia-Santa Bárbara-Anjos só funcionava antiga linha nos dois sentidos.
    Cumpts.

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  2. Há outra hipótese. A linha da Pascoal de Melo na 2.ª fotografia sêr a linha descendente do Arco de Cego, que entroncava na linha que corria ao longo da Rua de D.ª Estefânia e que se vê truncada na obra do Neptuno.
    Parece a final o mais verosímil, consideranto a distância desses mesmos trilhos ao poste da via aérea listado na base que se vê adjacente ao tanque do Neptuno na 3.ª fotografia. Se reparamos bem nesta, os trilhos da via ascendente da Pascoal de Melo passam-lhe bem mais distantes do que se percebe na 2.ª fotografia.
    Sobra que os trilhos do Largo da Estefânia à Gomes Freire parecem sêr via única, descendente, por (ou até) 1950, porém. Em 61 não era o caso. Nem ao depois, no tempo daquela árvore atrás do autocarro…
    Cumpts.

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  3. Vendo a fotografia 'em 61', julgo tratar-se das linhas que viravam para a Conde Redondo e não seguiam para a D. Estefânia.
    Para mim é mais confuso, ver noutras fotos a linha no sentido da Gomes Freire estar intransitável no meio das obras.
    A colocação de carris na Passos Manuel-Pascoal de Melo em 1951, seria por haver via única pelo lado da José Estevão até a Sta.Bárbara, apanhando a antiga linha na Rua dos Anjos?
    Desculpe estar a maçar com este assunto.
    Cumpts.

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  4. Vamos por partes.
    A fotografia de 61 é no n.º 63, de ante a travessa de D.ª Estefânia, que sobe para o Bairro Catarino. Portanto é além do trôço que vira pela Joaquim Bonifácio e leva à do Conde de Redondo.
    A José Estêvão com circulação de eléctricos era só do lado de cima do Jardim Constantino; logo desciam pela Rua do Mindelo à Passos Manuel cuja circulação de/para Santa Bárbara era nos dois sentidos.
    Se a pavimentação da Passos Manuel tem que ver com assentamento de novas linhas de sentido descendente por causa daquilo que vimos na Estefânia em 50 é que importa descobrir.
    De resto, dês dos alvores do bairro de Arroios que vimos os eléctricos trilharem da Paschoal de Mello para a Passos Manoel.
    Cumpts.

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  5. Então, vendo os alvores de bairro de Arroios elimino a ideia da montagem de uma linha de eléctricos na Passos Manuel-Pascoal e Melo em 1951
    Há mais fotografias das obras no Largo para o Neptuno e a tal linha que o atravessa já está sem actividade.
    Seria uma linha de recolha na estação do Arco Cego?

    Cumpts.

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  6. Não conheço mais do que as de Benoliel no arquivo municipal. Haverá mais, de certo.
    Aquela a linha era do eléctrico do Torel. Vinha de S. Sebastião. Seria o n.º 4 e extinto por 1920. Calhando disso haja ficado só uma via até 1950. Mas foi duplicada e as imagens de 61 e 67 mostram-no. Não me lembro de nenhum eléctrico por ela, todavia.
    Cumpts.

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