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domingo, 28 de maio de 2023

Excerto de Lisboa do passado

António Lopes Ribeiro, Lisboa de Hoje e de Amanhã [excerto]
(1948)


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Adenda: (14'28") um táxi vira da Estr. do Poço dos Trapos para a Estr. de Sacavém; um camião no sentido Sul-Norte [Norte-Sul (?)] na Rot. da Encarnação e outro no sentido Norte-Sul [inverso]; [15'22"] Av. do Aeroporto, descendo do Areeiro quase por altura da quinta de Fronteira (Av. do E.U.A., aprox.); chegada ao Aeroporto da Portela; escadaria e porta principal do dito; cerca da pista com gente observando os aviões; [15'52"] aterragem suave dum DC-3 com [a silhueta da Penha de França e d]os arranha-céus do lado sul do Areeiro em fundo e um Super Constellation estacionado com motores a trabalhar; [16'19"] retorno do aeroporto, caminho da Praça do Aeroporto (futura rotunda do Relógio), possivelmente filmado do andar de cima dum dos primeiros autocarros de 2 pisos; Praça do Chile com o lago, mas [ainda] sem a estátua do Neptuno [16'40"]; eléctricos na Rua da Palma; [16'59"] rua oriental do Campo Grande tirada por cima da igreja paroquial, dês da esquina da Av. do Brasil, com um eléctrico e um dos primeiros autocarros da Carris chegando à paragem ante uma cabina telefónica das antigas (17'16").


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[Publicado inicialmente em 18 de Novembro de 18. Reposto o filme e revisto no dia do 97.º aniversário da Revolução Nacional.]

12 comentários:

  1. Mandarinia19/11/18 08:47

    Caro BIC,

    Em 1948 nascia a minha mãe, que já cresceu a ver todas estas obras e melhoramentos. O filme é maravilhoso.
    Confesso que também me provoca um sentimento de alheamento pois ao contrário de minha mãe eu já não vi muito desta cidade que o filme mostra (de tão alterada que entretanto ficou) e embora o visionamento do mesmo me proporcione alguns "deja vu" a realidade impede-me de fazer a identificação que deveria ser automática. Para as gerações mais recentes receio que um filme acerca das muitas luas de Júpiter provocaria idêntico espanto e estranheza.

    Fica aqui o meu bem haja pois desconhecia este extenso "postal" de uma Lisboa nascida e entretanto desaparecida.

    Cumprimentos

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  2. É um Filme-Documentário notável. Porque tecnicamente foi bem feito. Porque é uma mostra — sempre se crê mais no que se vê — do que foi Lisboa num dealbar de mudança.
    Infelismente mudou para algo desagradável: um copianço reles (como todos os copianços) do que se fazia em cidades sem a Luz, a Cor e o Sol de Portugal.
    Não interessa se foi subsidiado por 'fasssistas': é bom. O que não se vai poder dizer dalgum filme subsidiado pela esquerdalhada: são todos maus.
    Para os menores de 50 anos: vejam, apreendam e aprendam.
    Abraço

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  3. Diz bem; o filme para as gerações mais novas deve ser muito estranho.
    Minha mãe nasceu em 28 e assistiu às mudanças em curso quando veio para Lisboa em 38. Falava-me amiúde delas e eu nessa tal estranheza dos mais novos, sem muito perceber. Agora entendo muito melhor.
    Cumpts.

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  4. Bem verdade. Dos anos 60 para cá Lisboa subverteu-se ao modelo estrangeiro.
    Com o tempo pouco a distinguirá. Mas o excursionismo em pacote aí anda, sem perceber o engano.
    Cumpts.

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  5. Bruno Marques26/11/18 17:32

    Muita pena , as demolições.... Ideologias. Hoje a Praça da Figueira seria uma mais-valia para o turismo. E o Martim moniz não precisava de ter sido aberto de forma tão radical.

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  6. O cúmulo da mais-valia é demolir a cidade toda e construir de novo.
    Fica moderno e deixa os patos bravos todos contentes. Ah! E financia a democracia partidária por mais alguns anos.
    Cumpts.

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  7. Não consigo encontrar agora, julgo que em 1962 ter visto na CMLisboa, na Rua 1º.Dezembro, uma grande maquete do moderníssimo Martim Moniz-Restauradores que desaparecia tudo o que estava incl. Igreja S. Domingos, dos Arqts. João Guilherme Costa e Jorge Costa,

    Cumpts.

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  8. Obrigado.
    Ah!ah!ah!
    ,,,e os viadutos e túneis para o transito automóvel?

    Cumpts.

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  9. Rui Figueiredo30/5/23 19:17

    A dado momento saúda-se o aterro do caneiro de Alcântara sob o viaduto de Duarte Pacheco. Asneira grossa e "ar do tempo" que, contudo, não suprime este notável documento

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  10. Isso nem fazia mal, pois por sua natureza ficava logo sepultado. Pior de tudo ainda foi o que lá acabaram por fazer. Sem pés nem cabeça, desgarrado, de péssimo gôsto. Antes o barracão do Adoque e os pavilhões provisórios com as sapatarias. Mil vezes mais jeitoso.
    Cumpts.

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  11. Sim. A par das demolições na Baixa estavam em voga ideias de progresso eminentemente destrutivas. Quando não bem, como no caso das ribeiras que em Lisboa tinham de fatalmente correr para o Tejo, entubavavam-se. Uma fatalidade urbana que já vem de D. João II, porém, cujo caneiro real foi a obra que definitivamente pôs a Baixa a sêco. A menos que chova…
    Cumpts.

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