Êste sábado vai pachorrento. Em quanto o arroz de pato vai ao forno abro aqui um Monte Velho branco de 22. Não sou entendido e costumo apreciar os vinhos pelo rótulo — se acho o rótulo feio ou imbecil, o vinho não me há-de saber bem. Outro que me não saberá de certeza bem é o que vier marcado com o ano 20, ano infausto… De maneira que, à parte a superstição, em geral só vou lá pelo rótulo. Objectivamente. Nem tanto agora no caso dêste Monte Velho. Fui por êle porque estava em promoção no Jumbo. O [que] lhe noto ao abrir é o que noto em muita garrafa que abro; são as rolhas ressequidas, quebradiças. Já pensei se será disso que lhe baixam o prêço…
Venho aqui com o vinho branco e recorda-me uma história que o sr. embaixador Carlos Fernandes conta em Recordando: o caso Delgado e outros casos (1.ª ed., Universitária Editora, Lisboa, 2002), não consigo situar agora a página. Num jantar na Junta do Vinho do Pôrto, salvo êrro, alguém louvava grandemente os vinhos brancos que eram servidos a acompanhar. Sucede que o anfitrião não era especialmente apreciador de vinhos brancos, nem nada que parecesse. E ouvindo os louvores do convidado aos brancos escolhidos, ia diplomàticamente contemporizando com… silêncio. O caso é que o convidado insistia em lhe sacar a concordância e, por fim, veio a resposta.
— Sabe V. Exc.ª, de todas as bebidas que conheço, a mais parecida com o vinho é o vinho branco.
A senhora diz-me agora aqui que vai dar o almôço.
Händel — Concerto grosso, Op. 6, N.º 1 (HWV 319)
Accademia dell’ Annunciata, Maestro Riccardo Doni
ResponderEliminarJ
Jantar para o Bilderberg, ver o sapo actualidade.
Obrigado! Não me leve a mal. Dispenso.
ResponderEliminarCumpts.