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sexta-feira, 21 de abril de 2023

O eléctrico 6

 O eléctrico 6 já não contava no inventário ilustrado de todas as carreiras que eu ainda conheci. Nunca andei nêle.
 Ou calhando, andei…
 Dá-se o caso de êste 6 aqui no Chile sêr a última versão dêle mesmo. A linha de eléctricos 6 teve três versões, segundo João Azevedo («Lisboa; 125 Anos sobre Carris», Roma Editora, Lisboa, 1988, p. 49).
 Começou em 20 de Dezembro de 1905 do Rossio à Gomes Freire, via Avenida. Em 1 de Junho de 28 foi prolongada da Gomes Freire ao Rossio, via S. Lázaro, redundando em linha circular; no sentido inverso emparelhou o 7, inaugurado no mesmo 1 de Junho.
 Em 1 de Julho de 47 tornou o eléctrico 6 à primeira forma (quási), agora dos Restauradores (quando no início foi do Rossio) à Gomes Freire e volta, à mesma, via Avenida. O 7, que era o 6 invertido, foi suprimido. E em 29 de Dezembro de 1950 foi o 6 extendido da Gomes Freire, como em 28, mas desta só à Pr. da Figueira, cuja dita praça fôra demolida no ano anterior. Isto durou até 1 de Agôsto de 1960, já depois da inauguração do Metropolitano que levou a Carris a acabar os eléctricos na Avenida. Assim acabou o 6, o eléctrico da Gomes Freire, nas duas primeiras versões.
 Em 16 de Março de 1966 a Carris entendeu repescar o número 6 para a carreira 17A que desdobrava o 17 (Pr. do Chile-Belém) do Terreiro do Paço — ou P. do Comércio, como diziam as bandeiras — ao Alto de S. João. Durou esta última versão do 6 até ao dia de Portugal de 73, em que se fundiu num 17 do Alto de S. João a Belém. Acabou aí o 6, o eléctrico (o autocarro 6 é outra história e talvez que se até misture…)


 Disse antes que, calhando, andei nêle, no eléctrico 6. Há-de ser o caso.
 A história daquela minha birra infantil de querer continuar para a Trafaria (Belém), quando a minha mãe só quis ir à Confidente pagar a renda, só pode ter sido com o 6, dada a cronologia apontada. Como raio se me meteu na memória o 17A nessa história é que não sei dizer. Só se foi de minha mãe me contar dalguma da história anterior dos dezassetes e de eu não ter percebido nada. Baralhei tudo…
 


Eléctrico 6, Pr. do Chile  (P. Hautzinger, 1969)
Eléctrico 6, Pr. do Chile, 1969.
Pedro Hautzinger, in Flickr.

4 comentários:

  1. Praça do Chile-Av. Alm. Reis, no sentido do Areeiro.
    Prédio com entrada pela Avenida, propriedade do Montepio da PSP, encoberta a tasca dos passarinhos e vendo-se a Pastelaria Chilena que julgo estar, agora, encerrada.

    Cumpts.

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  2. Precisamente! Mais o táxi Ponton, as flôres no redondel do Fernão de Magalhães e o asseio geral e, tirando de a Pastelaria Chilena ter acabado de fechar nêstes dias, entrevemos como definha uma civilização.
    Cumpts.

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  3. Julgo que a foto é anterior a 1969.
    Nas obras (Metro?) de 1966-67 a zona da base da Estátua foi reduzida e eliminada a parte ajardinada.
    Os carros de praça é que continuavam a produzir o habitual pivete do gasóleo.

    Cumpts.

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  4. A fotografia, donde a tirei diz que é de Setembro de 69. Não sei quando desfizeram o redondel florido do Chile. Cuido que refizeram a circulação dos eléctricos pela José Falcão nos alvores dos anos 70. Talvez possa ser isso, não sei…
    Cumpts.

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